Av. Paulista, 1313 - 9º Andar - Conjunto 912 (11) 3289-1667 [email protected]
pt-bren

ABIFER na mídia | Indústria ferroviária projeta alta de produção em 2026 no Brasil

15.01.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: BNAmericas
Data: 15/01/2026

Vicente Abate, presidente da ABIFER.

A fabricação de locomotivas, vagões e carros de trens de passageiros deve se expandir no Brasil ao longo de 2026, em meio a uma série de novos contratos no segmento.

As empresas com operações no país devem produzir em 2026 um total de 72 locomotivas, 1.900 vagões de carga e 193 carros de passageiros, aumentos de 9%, 12% e 59%, respectivamente, segundo a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER).

“É possível sim que consigamos superar essas estimativas para este ano, em meio a uma certa recuperação do setor, mas vale ressaltar que ainda vivemos num cenário em que as indústrias locais enfrentam grande ociosidade”, disse Vicente Abate, presidente da ABIFER, à BNamericas.

As expectativas de expansão da indústria ferroviária ocorrem em um momento em que o Brasil tenta acelerar projetos tanto de trens de carga quanto de trens de passageiros.

Na área de cargas, segmento no qual os projetos são mais dependentes das políticas do governo federal, o ministério dos Transportes planeja realizar este ano oito leilões de ferrovias, que devem alavancar cerca de R$650 bilhões (bi) em investimentos no setor. Desse total, R$140bi seriam destinados à instalação de aproximadamente nove mil quilômetros de trilhos a serem concedidos.

Esses leilões buscam reduzir a dependência do transporte de cargas no Brasil de caminhões. Atualmente, cerca de dois terços do transporte de cargas no país é realizado por caminhões.

Além disso, o transporte ferroviário de cargas no país também é bastante concentrado, com cerca de 70% da carga transportada por ferrovias sendo minério de ferro e quase 10% associado ao setor agrícola.

“Temos uma grande oportunidade de diversificar mais nossas ferrovias também, com esses novos contratos, atraindo para esse tipo de transporte não só minério e produtos agrícolas, mas também o transporte de contêineres”, disse Abate.

Uma vez que os contratos a serem oferecidos pelo governo este ano tendem a se materializar em investimentos no setor no médio e longo prazo, a ABIFER projeta impactos positivos para os próximos anos dessa carteira planejada de concessões.

No transporte de passageiros, que compreende metrôs, VLTs e trens urbanos de passageiros, os projetos no Brasil estão mais associados a programas de governos estaduais. Nesse sentido, o estado com mais projetos em andamento permanece sendo São Paulo, embora haja iniciativas também em outros estados.

“São Paulo continua sendo o estado com maior volume de projetos na área de transporte de passageiros, mas temos também avanços percebidos em localidades como o Distrito Federal [capital do Brasil] e também em Salvador [capital do estado da Bahia], entre outros”, disse Abate.

A ABIFER, que representa empresas multinacionais com operações no Brasil, como Alstom, CAF e Hyundai Rotem, entre outras, também reforçou a importância de garantir igualdade de competição para as empresas com fabricação local, diante da crescente concorrência de empresas da China em contratos ligados à indústria ferroviária brasileira.

“O que nós sempre defendemos é a igualdade de condições para todas as empresas. Além disso, nossa intenção é atrair empresas para que produzam no Brasil, gerando investimentos e empregos aqui”, disse Abate.

Nos últimos anos, vários segmentos industriais no Brasil têm reclamado da crescente competição de empresas chinesas no país, vencendo contratos com uma política de precificação agressiva, graças à intensa produção no gigante asiático, apoiada por uma série de subsídios governamentais.