23.01.2026 | ABIFER | Notícias do Mercado
Fonte: Revista Ferroviária Data: 22/01/2026
O Metrô de Santiago e a Alstom apresentaram o primeiro trem Metropolis AS-22-UTO que irá operar na futura Linha 7 do sistema metroviário da capital chilena. A apresentação ocorreu na fábrica da Alstom em Taubaté, no interior de São Paulo, e marca o início da fase de testes da composição antes da entrega prevista para o segundo semestre de 2026.
O evento contou com a presença do presidente do conselho do Metrô de Santiago, Guillermo Muñoz, da gerente da Divisão de Projetos da companhia, Ximena Schultz, da diretora-geral da Alstom Brasil, Suely Sola, além de outros diretores do comitê latino-americano da empresa e equipes técnicas.
A apresentação do primeiro trem ocorre no contexto das comemorações dos 50 anos do Metrô de Santiago e reforça cinco décadas de colaboração com a empresa francesa. A composição faz parte de um lote de 37 trens que serão fabricados nas instalações da Alstom em Taubaté, no Brasil.
Os trens da Linha 7 terão 102 metros de comprimento e capacidade para transportar até 1.247 passageiros por composição. Cada trem contará com dois espaços destinados a pessoas com mobilidade reduzida, ar-condicionado, um avançado sistema de informação ao passageiro com atualizações de rotas e estações, portas USB-C para recarga de dispositivos eletrônicos e um sistema de segurança com câmeras de alta resolução e intercomunicadores que permitem comunicação direta com o centro de controle do metrô.
As composições serão fabricadas em aço inoxidável, característica que, segundo o Metrô de Santiago, garante maior durabilidade e redução no consumo de energia elétrica. Os carros terão quatro portas e corredores amplos e interligados entre os vagões, com o objetivo de assegurar um fluxo eficiente de passageiros.
“Este é um marco muito importante para a empresa e para todos os chilenos que acompanham os avanços do portfólio de projetos do Metrô no momento de maior expansão de sua história”, afirmou Guillermo Muñoz. Segundo ele, os trens da Linha 7 reúnem características técnicas voltadas à capacidade, acessibilidade, eficiência energética, segurança e conforto dos usuários.
Além do fornecimento do material rodante, o contrato entre a Alstom e o Metrô de Santiago inclui a implantação do sistema de sinalização Urbalis CBTC, que permitirá a operação sem condutor, com o objetivo de aumentar a eficiência e a segurança do serviço. A empresa também assinou outros dois contratos relacionados ao projeto: um para o fornecimento e a construção das vias e do sistema de catenária, e outro para o fornecimento do sistema elétrico. Os três contratos preveem 20 anos de manutenção, incluindo um sistema de manutenção preditiva para os trens, as vias e a catenária.
“Há mais de 70 anos, a Alstom Brasil fabrica trens que mantêm a América do Sul em movimento, e hoje damos as boas-vindas à mais recente adição a essa trajetória, com o primeiro trem para a futura Linha 7 do Metrô de Santiago”, afirmou Suely Sola, diretora-geral da Alstom Brasil. Segundo ela, a apresentação do primeiro trem também permitiu mostrar aos clientes chilenos as equipes envolvidas na produção da frota de 37 composições.
Para Waleria Haga, diretora de projetos da Alstom para a Linha 7, a entrega do primeiro trem representa uma etapa relevante de um projeto que deve beneficiar aproximadamente 1,6 milhão de pessoas. Segundo ela, a nova linha tem como objetivo tornar os deslocamentos mais rápidos, eficientes e sustentáveis, com base na experiência da Alstom na fabricação de material rodante ferroviário na América Latina e na parceria de longa data com o Metrô de Santiago.
Atualmente em construção, a Linha 7 terá 26 quilômetros de extensão e contará com 19 estações. O traçado atravessará sete comunas — Renca, Cerro Navia, Quinta Normal, Santiago, Providencia, Vitacura e Las Condes. Três dessas comunas, Renca, Cerro Navia e Vitacura, passarão a integrar a rede metroviária pela primeira vez, beneficiando uma população estimada em 1,6 milhão de habitantes.
Quando entrar em operação, a Linha 7 deverá reduzir o tempo de viagem entre as estações terminais para 37 minutos, uma diminuição de 49% em relação ao tempo atual do sistema de ônibus, estimado em cerca de 72 minutos.
O projeto da Linha 7 é responsável pela geração de 24 mil empregos desde o início das obras até a entrada em operação, prevista para 2028. No primeiro ano de funcionamento, a projeção é de uma demanda média diária de 194 mil passageiros em dias úteis e um total anual de 60 milhões de passageiros transportados.
Também no primeiro ano de operação, estima-se a redução de aproximadamente 33 mil toneladas de CO? em emissões e consumo de combustível, o que equivale, de forma estimada, ao plantio de 55 mil árvores adultas. O investimento total na Linha 7 é de US$ 2,528 bilhões.
Atualmente, o Metrô de Santiago opera sete linhas, com 143 estações e 149 quilômetros de extensão, transportando cerca de 2,4 milhões de passageiros por dia. Em 2025, o sistema realizou 661 milhões de viagens.
Com os projetos de expansão em andamento — incluindo a extensão da Linha 6 para leste e oeste e a implantação das novas linhas 7, 8, 9 e A, esta última em direção ao aeroporto —, a rede deverá incorporar até 2033 um total de 56 novas estações e 82,5 quilômetros adicionais. Com isso, o sistema passará a contar com 199 estações, um crescimento de 39%, e 231,5 quilômetros de extensão, aumento de 55%, tornando-se o metrô com maior extensão da América Latina.
A Alstom está presente no Chile há mais de 75 anos e atua no desenvolvimento da infraestrutura ferroviária do país. A empresa conta com mais de 600 colaboradores distribuídos em oito unidades e opera trens metropolitanos e regionais, sistemas de sinalização e serviços de infraestrutura e manutenção.
A companhia participa de projetos como o Metrô de Santiago, a EFE Valparaíso e a Empresa de Ferrocarriles del Estado (EFE), incluindo a linha Alameda–Nos. Até o momento, a Alstom forneceu ao Metrô de Santiago as frotas NS74, NS93, AS02, NS04 e NS16, às quais se somarão os novos trens AS22 da Linha 7.
Em escala global, mais de 35 mil trens Metropolis estão em operação ou encomendados para mais de 70 cidades em 40 países, atendendo 80 clientes e transportando aproximadamente 15 bilhões de passageiros por ano.