R$ 90 milhões de investimento, até 300 empregos e 180 mil toneladas por ano em uma área útil de 80 mil metros quadrados. Esses são os números que marcam o início de um novo ciclo industrial no Norte do Espírito Santo. A Adufértil lançou nesta quinta-feira a pedra fundamental de sua fábrica em Aracruz, com início de operação previsto para abril de 2027. A unidade será uma misturadora de fertilizantes NPK com capacidade produtiva estimada entre 180 mil e 200 mil toneladas anuais. Bem como armazenagem estática de 30 mil toneladas. A obra deve gerar cerca de 300 postos de trabalho na implantação e, na fase operacional, cerca de 80 empregos diretos e até 160 indiretos.

“Essa obra gira em torno de um investimento de R$ 90 milhões. Porém, não é somente um investimento financeiro, mas um investimento em compromisso de longo prazo, de parceria e de buscarmos desenvolvimento mútuo.”

Rafael Botelho, diretor de Operações da empresa

A importância da fábrica fica evidente quando se observa a região. O subsecretário de Estado da Agricultura, Michel Tesch, foi direto: “Vocês não poderiam ter escolhido região melhor”. O motivo é claro: Aracruz reúne base florestal, cafeicultura intensiva e logística integrada — exatamente os três fatores que consomem fertilizantes em escala.

A lógica econômica por trás da escolha

Tesch explicou que o Norte capixaba se consolidou como polo produtivo graças ao conhecimento técnico e à produtividade do agro. “Não existe sustentabilidade econômica sem produtividade. Para produtividade, você precisa de ciência e tecnologia e precisa de nutrição”, disse. Ou seja, fertilizante não é apenas insumo. É a engrenagem que mantém a competitividade do campo.

O efeito aparece na prática. A unidade ficará próxima da Suzano e do porto, reduzindo distâncias logísticas e custos. O próprio Botelho citou esse ponto ao justificar a escolha: “A instalação da fábrica em Aracruz resulta de uma parceria estratégica com a Suzano e Portocel. Ou seja, isso permite uma operação mais eficiente e alinhada às demandas da silvicultura, da cafeicultura e de outras culturas da região”.

O novo papel de Aracruz

A fábrica não atende apenas o Espírito Santo. Do mesmo modo a produção abastecerá Bahia e Minas Gerais. Com isso, Aracruz deixa de ser apenas área de exportação de celulose e passa a ocupar posição dentro da cadeia de insumos do agro. Ou seja, na prática, o município começa a subir um degrau: de exportador primário para elo industrial.

Tesch contextualizou o peso agrícola da região ao citar os números do comércio exterior. “Ano passado exportamos pouco mais de 3,2 bilhões de dólares. Desse valor, 1,7 bilhão foram café e 845 milhões de celulose”. Ou seja, para ele, a chegada da indústria fecha o circuito. Ou seja, produção agrícola forte combinada com fornecimento local de insumos.

Além disso, o projeto se conecta ao Parklog Norte, onde porto, ferrovia e rodovia operam de forma integrada. Nesse sentido, o resultado esperado é reduzir deslocamentos de longa distância e trazer parte da cadeia produtiva para perto do produtor. Exatamente o que reduz custo e aumenta competitividade.