28.08.2025 | ABIFER | Notícias do Mercado
Fonte: Valor Data: 28/08/2025
Não é apenas o governo federal que tem investido em iniciativas verdes. Estados de várias regiões do país, como Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco, criaram fundos ou outros instrumentos para financiar projetos focados na resiliência climática, na recuperação de áreas verdes e na redução de emissão de gases poluentes.
No Espírito Santo, o Fundo de Descarbonização foi criado neste ano a partir do Fundo Soberano, que é abastecido com os royalties do petróleo que o Estado recebe. O fundo será gerido pelo banco BTG Pactual e, inicialmente, terá R$ 500 milhões para financiar projetos de transição energética limpa.
“As empresas poderão propor projetos diversos, seja na captura de carbono por investimento em áreas de reflorestamento, seja na troca de energias fósseis por energias renováveis. Toda atividade que busca tornar a empresa neutra em carbono poderá ser financiada pelo Fundo de Descarbonização. E nós queremos fazer a primeira operação antes da COP de Belém. Até novembro deve sair o primeiro projeto financiado”, explicou o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande.
O valor disponível poderá aumentar com a contribuição de instituições financeiras, empresas e bancos internacionais, por exemplo. “É um fundo que poderá receber cotistas. Se alguma empresa local do Espírito Santo quiser financiar seus fornecedores, pode colocar um dinheiro no fundo de descarbonização e a gente financia os fornecedores desta empresa. Ou se algum banco, como o Banco Mundial, Banco Interamericano, Banco Latinoamericano, alguma fundação, quiser ser cotista, poderá aportar recursos também”, acrescentou o governador capixaba.
Em São Paulo, em 2024, foi criado o Finaclima, que não se caracteriza como fundo, mas como um “mecanismo de financiamento”, gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que deve financiar projetos de recuperação da vegetação nativa em áreas de preservação permanente (APPs) e reservas legais (RLs). A primeira chamada de projetos está programada para 4 e 5 de novembro, durante o evento Agenda SP+Verde, e deve priorizar projetos na área do Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do Estado, e na Área de Proteção Ambiental (APA) Sistema Cantareira, onde estão os mananciais e reservatórios hídricos que abastecem a região metropolitana de São Paulo.
“O Finaclima-SP foi estruturado para superar os gargalos que, historicamente, dificultam a implementação célere de projetos climáticos: canalizar recursos com agilidade, transparência e monitoramento, com apoio de entidades privadas especialistas e sob supervisão do Estado. Os recursos financeiros não passam pelo governo. A relação é estabelecida diretamente entre o financiador e o Funbio. Esse arranjo pode incluir demandas específicas para o projeto e garante a associação do recurso aportado à área restaurada”, explica Natália Rezende, secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo.
Na prática, os recursos financeiros virão de doações de pessoas físicas ou empresas, por instituições internacionais ou de pagamentos de proprietários de imóveis ou terrenos que firmaram termos de compromisso de compensação ambiental com o Estado. Assim, esses valores que antes iam para os cofres públicos poderão ir diretamente para o Finaclima. A implementação e o monitoramento do projeto serão de responsabilidade do Funbio, sob a supervisão da secretaria. Não há valor mínimo ou máximo para financiamento, mas nessa primeira rodada a expectativa é captar ao menos R$ 5 milhões.
Já o governo do Rio Grande do Sul definiu, neste mês, as empresas que vão participar do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Hidrogênio Verde do Estado (H2V-RS). Trata-se de uma iniciativa que financia projetos de produção, transmissão, armazenagem e uso do hidrogênio verde, tanto no processo produtivo industrial quanto como insumo para a atividade industrial. O governo vai financiar até R$ 30 milhões por projeto – 12 empresas já foram habilitadas para os empréstimos, de 16 propostas apresentadas.
Os projetos são variados. Um deles é a instalação de um posto de abastecimento de hidrogênio verde para caminhões pesados com motores adaptados. Outro é a criação de uma indústria para produzir ureia granular de baixo carbono, que vai usar hidrogênio verde e CO2 capturado de biomassa renovável. Outro projeto aprovado pretende fabricar ônibus que vão rodar com hidrogênio como combustível.
Em Pernambuco e Mato Grosso do Sul, os incentivos do poder público são feitos sobretudo por meio dos Programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). No caso sul-mato-grossense, vale para os proprietários rurais que comprovem o uso de sistemas agroflorestais para restauração de florestas do Cerrado e Mata Atlântica, a restauração de áreas úmidas e a implantação de práticas de conservação de solo e água. Além disso, um edital lançado em 2024 destinou R$ 1 milhão para donos de terras que ajudam a preservar o meio-ambiente nas margens dos rios Formoso, Prata, Betione e Salobra, nas cidades de Bonito, Jardim, Bodoquena e Miranda.
Em Pernambuco, a PSA terá um edital publicado nos próximos meses para incentivar projetos de organizações da sociedade civil e de agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais, que receberão R$ 315,93 por mês, condicionados ao cumprimento de metas ambientais.