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Ferrogrão: Leilão é previsto para setembro; entenda custos e polêmicas da ferrovia

26.03.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Cenário MT
Data: 24/03/2026

Após 14 anos, o projeto da Ferrogrão (Sinop-Miritituba) ganha datas de licitação e leilão. Confira os custos de R$ 33 bilhões e os impasses ambientais e econômicos.

O Ministério dos Transportes estabeleceu prazos arrojados para a Ferrogrão, ferrovia de 933 km que ligará Sinop (MT) aos portos de Miritituba (PA). O projeto é a grande aposta dos produtores do Centro-Oeste para baratear o frete da soja e do milho, cujas safras em Mato Grosso devem saltar de 88 milhões para 144 milhões de toneladas na próxima década.

Entretanto, o caminho para os trilhos não é simples. Enquanto o governo prepara um road show internacional para atrair investidores, especialistas alertam para a baixa viabilidade financeira sem subsídios estatais bilionários e para o travamento jurídico no STF devido ao traçado que corta o Parque Nacional do Jamanxim (PA).

Raio-X da Ferrogrão: Números e Investimentos

Detalhes do Projeto Greenfield

·       Extensão: 933 km (Sinop-MT até Miritituba-PA).

·       Capex (Implantação): R$ 33,3 bilhões.

·       Opex (Operação): R$ 103,8 bilhões previstos.

·       Capacidade: 66 milhões de toneladas/ano na maturidade.

·       Concessão: 69 anos.

·       Bitola: Larga (1,60 m).

Os Impasses: Economia vs. Meio Ambiente

A viabilidade da Ferrogrão é alvo de um intenso debate entre consultores e representantes do setor produtivo:

Visão dos Críticos: O consultor Claudio Frischtak (Inter.B) afirma que o sucesso da licitação é improvável. Ele argumenta que o custo é elevado demais e a competição com outros modais (como a BR-163 e a BR-364) exige um subsídio estatal de cerca de R$ 30 bilhões, recurso que o governo não possui. Além disso, aponta que a construção poderia inutilizar trechos da BR-163 como estrada de serviço.

Visão dos Defensores: A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) defende a obra como fundamental. O norte de Mato Grosso é a região com maior expansão produtiva do país e a ferrovia reduziria drasticamente o custo logístico, hoje estimado em US$ 50 por tonelada no trajeto rodoviário.

A Questão Ambiental: O traçado corta 49 km do Parque Nacional do Jamanxim. O governo tenta contornar uma ação no STF ocupando apenas a faixa de domínio da já existente BR-163, tentando evitar a supressão de vegetação e garantindo a segurança jurídica para o leilão.

Alternativas no Radar

Especialistas sugerem que, caso a Ferrogrão não avance, a solução mais viável seria a conclusão da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), ligando Lucas do Rio Verde (MT) a Mara Rosa (GO), conectando-se à Ferrovia Norte-Sul. Esta opção utilizaria áreas já antropizadas, reduzindo o impacto ambiental.