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ABIFER Na Mídia: Governo garante apoio em megalicitação de trens na Argentina

08.05.2018 | | Não categorizado

O governo brasileiro atendeu aos apelos da indústria nacional e garantiu financiamento subsidiado para a entrada de fabricantes de trens instalados no interior de São Paulo em uma megalicitação conduzida pela Argentina.Uma vitória na concorrência é tida como essencial para a indústria ferroviária, que tem operado com grande capacidade ociosa e se vê ameaçada pela falta de encomendas. Fábricas que produzem trens de passageiros temem começar o ano de 2019 sem uma única composição na linha de montagem. É um reflexo direto da redução de investimentos públicos em projetos de mobilidade urbana sobre trilhos no Brasil.

Por isso há tanta ansiedade com a licitação argentina. O presidente Mauricio Macri autorizou a compra de 169 trens, com oito vagões cada, somando 1.352 unidades. Trata-se de um contrato de US$ 1,9 bilhão. Outros US$ 900 milhões devem ser desembolsados na manutenção dos equipamentos por um período de dez anos. As composições vão rodar em linhas de subúrbio que estão sendo modernizadas e na futura Rede de Expressos Regionais (RER) – um arco ferroviário de 20 km que interligará todo o metrô de Buenos Aires.

“Um contrato de tal porte representaria uma volta triunfal ao mercado externo”, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate. Entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, segundo ele, o Brasil chegou a exportar em torno de 30% de sua produção de locomotivas e vagões. Hoje as vendas para o exterior não passam de 10% do total.A Câmara de Comércio Exterior (Camex) deu aval à estruturação financeira da proposta brasileira, que contará com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para fazer frente às agressivas taxas de juros oferecidas por concorrentes europeus e asiáticos, que contam com forte apoio de bancos oficiais, o governo permitirá ainda o uso do Proex Equalização. Com isso, dinheiro do orçamento poderá ser repassado para diminuir as taxas do BNDES em até dois pontos percentuais.

Os valores e os juros são mantidos em reserva absoluta porque servem como critérios de pontuação na concorrência. Pelo menos 85% da venda precisará de financiamento, segundo regras do edital. Depois de dois adiamentos, o Ministério dos Transportes receberá as ofertas de potenciais fornecedores no dia 12 de junho.Apesar da desvalorização do peso nos últimos dias, com um forte aperto monetário e o fantasma de uma nova crise cambial, as sinalizações dadas até agora são de que a data está mantida. “É claro que nos causa alguma apreensão, mas é um projeto de longo prazo e o governo argentino parece muito firme em sua disposição”, diz o presidente da Abifer.

Vicente Abate assegura que três multinacionais com subsidiárias no interior paulista têm interesse no contrato: a Alstom (com fábrica em Taubaté e instalações no bairro paulistano da Lapa), a CAF (no município de Hortolândia) e a Hyundai (Araraquara). O suprimento dos trens partiria dessas unidades. Há uma exigência no edital de pelo menos 20% de conteúdo argentino.O financiamento será dado, em reais, às empresas individualmente ou em consórcio. A liberação de recursos é apenas para exportações de bens e serviços produzidos no Brasil. Segundo fontes, a decisão de cada companhia é concorrer individualmente, mas usando suas unidades no Estado de São Paulo como base única base para atendimento do contrato.

O secretário de desenvolvimento e competitividade industrial do Ministério da Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Igor Calvet, defende a decisão do governo de apoio aos fabricantes instalados no país. Ele lembra que o setor tem tradição exportadora na América Latina, está com 70% de ociosidade atualmente e corre risco diante da falta de encomendas para movimentar suas fábricas a partir do próximo ano.Para embasar as discussões internas, o governo fez um cálculo de que entre sete mil e dez mil empregos diretos serão criados com essa venda à Argentina.

Hoje os fabricantes de trens de passageiros têm cerca de 3,5 mil trabalhadores envolvidos na produção. “O governo tomou a decisão correta em um momento de recuperação da indústria nacional.”Todos os vagões deverão ter ar-condicionado, wifi, telas de LED, câmeras de segurança e um sistema de baixo consumo energético. A entrega dos trens será dividida em três lotes – o primeiro 42 meses (três anos e meio) e o último 84 meses (sete anos) após a assinatura do contrato. O objetivo do governo argentino, com a nova malha ferroviária, é que os trens passem nas estações da futura rede de expressos regionais com frequência de três a cinco minutos.

Calvet, do Mdic, vê o Brasil tão competitivo quanto os chineses na disputa. “A operação ficou bem estrutura. Acredito que vamos ficar em primeiro ou em segundo lugar”, afirma o secretário, sem esconder otimismo.

Fonte: Valor Econômico
Data: 07/05/2018