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ABIFER na mídia: João Doria anuncia que linha 18-Bronze do ABC será BRT

05.07.2019 | | Notícias do Mercado

Até agora nenhuma obra foi realizada e futuro da ligação entre São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e São Paulo estava indefinido

 

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou nesta quarta-feira, 03 de julho de 2019, que a linha 18-Bronze do ABC será BRT (Bus Rapid Transit, Transporte Rápido por Ônibus).

 

O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 03 de julho de 2019, no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista. Estiveram presentes os prefeitos de Santo André, Paulo Serra; São Bernardo do Campo, Orlando Morando; e São Caetano do Sul, José Auricchio Júnior.

 

A decisão foi divulgada depois de expectativas geradas a partir das declarações de Doria e do secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, que desde março levantaram questionamentos sobre a viabilidade do monotrilho em relação aos altos custos (R$ 5,74 bilhões), mesmo sendo um meio de transporte de média capacidade (até 400 mil passageiros por dia).

 

Também foram considerados os impactos financeiros gerados pelas desapropriações, que, segundo o Governo do Estado de São Paulo teriam custos de R$ 600 milhões. A gestão Doria ainda analisou qual seria a influência da falta de domínio do Brasil em relação à tecnologia do monotrilho e da falência da empresa da Malásia, Scomi, incumbida de fabricar os trens.

 

“Nosso governo não fica em cima do muro. Faz. Foi a melhor opção, fundamentada tecnicamente”, disse Doria, ao fazer o anúncio do novo modal.

 

Baldy estima preço de R$ 680 milhões para implantação do BRT enquanto monotrilho seria de quase R$ 6 bilhões. O prazo para conclusão do BRT será de 18 meses.

 

“O atendimento da demanda é mais que suficiente pelo BRT”, disse o secretário. “O tempo de viagem do BRT vai ser o mesmo que o monotrilho”, completou.

 

A justificativa informada por Baldy para a escolha do modal é que o monotrilho não é flexível para atender a demanda, que varia com o tempo. O projeto de BRT ligando o ABC à capital paulista prevê ônibus elétricos na operação.

 

Após o anúncio, o vice-governador Rodrigo Garcia afirmou que o Governo do Estado vai buscar uma rescisão amigável com o Consórcio VemABC. O consórcio do monotrilho havia informado que se houvesse mudança de modal iria cobrar R$ 50 milhões do governo.

 

No dia 25 de fevereiro, o presidente do Consórcio VemABC – Vidas em Movimento, Maciel Paiva, que ganhou a licitação para o monotrilho, disse que já foram gastos R$ 5 milhões pelas empresas, antes mesmo do início da vigência do contrato da PPP – Parceria Público Privada de construção e operação do modal, para adiantar ações como levantamento das áreas a serem desapropriadas e os procedimentos necessários para posteriormente obter a licença ambiental.

 

O secretário de transportes metropolitanos, Alexandre Baldy, disse que no próximo dia 06 de agosto de 2019, anuncia os detalhes de como será o BRT, o projeto e o modelo de concessão.

 

O anúncio deve ocorrer no Consórcio Intermunicipal Grande ABC, entidade que reúne prefeitos da região.

 

METRÔ NO ABC

 

O governador João Doria anunciou ainda que a Linha 10-Turquesa terá padrão de metrô, assim como o novo sistema de BRT do ABC Paulista.

 

Segundo Doria, na próxima quarta-feira, 10 de julho de 2019, toda a frota será renovada e os trens espanhóis serão aposentados. As composições que operam na Linha 10 da série 2100 vão ser trocadas por unidades das séries 7000 e 7500, que são mais novas.

 

Apesar da mudança, Baldy afirmou que a gestão da linha vai continuar com a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

 

Ainda com relação à Linha 10, a Estação Pirelli, entre Capuava e Celso Daniel, vai sair do papel. A intenção do Governo do Estado é anunciar em agosto o modelo de estação. A previsão de entrega é de 24 meses após o início das obras.

 

O prefeito de Santo André, Paulo Serra, já havia informado ao Diário do Transporte que a conclusão do projeto da Estação Pirelli está prevista para ocorrer neste mês. O documento será encaminhado à CPTM.

 

Na ocasião, o governador informou ainda que a Linha 20-Rosa do Metrô de São Paulo vai partir do ABC. O traçado terá início no bairro Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo,  com destino à Lapa na Zona Oeste de São Paulo.

 

“A Linha 20 do Metrô sairá do Rudge Ramos. Trocamos um monotrilho por dois metrôs e um BRT. A Linha 20 fica pronta em quatro anos”, disse o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando.

 

Por sua vez, o prefeito de Santo André, Paulo Serra, disse que com os três projetos 40% da população será beneficiada na região. “Teremos BRT na Linha 18, metrô na Linha 10 e a Linha 20”, afirmou.

 

“Foi uma decisão de governo com um conjunto de ações. A modernização do Expresso ABC também é outra ação importante, como mais viagens”, disse José Auricchio Júnior.

 

Na semana que vem, Doria estará com investidores em Londres para apresentar os projetos.

 

DECLARAÇÕES:

 

Na entrevista coletiva, da qual participou o Diário do Transporte, o governador João Doria disse que decisão para escolher o BRT foi técnica e que a opção é mais econômica com os resultados semelhantes aos do monotrilho.

 

O secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, garantiu que o projeto do BRT para a ligação proposta para a linha 18 vai atender à demanda, com capacidade para em torno de 340 mil passageiros por dia

 

O prefeito de São Caetano do Sul, José Auricchio Júnior disse que a velocidade do BRT poderá ser semelhante à do monotrilho porque haverá um sistema de semáforos inteligentes que privilegie ônibus nos cruzamentos

 

O vice-governador, Rodrigo Garcia, afirmou que espera um processo amigável de rescisão com o Consórcio VemABC, que venceu em 2014 a licitação para implantar o monotrilho

 

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando disse que a sinalização do Estado é que a tarifa do BRT siga o valor da passagem aplicado pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos e comemorou o anúncio da linha 20 do Metrô que, segundo ele, dá o primeiro passo para se concretizar

 

 

O prefeito de Santo André, Paulo Serra, que também é presidente do consórcio Intermunicipal do ABC, que reúne outros prefeitos da região disse que o pacote de projetos para a região deve, quando concluído, agilizar as viagens pelo transporte público.

 

MONOTRILHO OU BRT

 

As principais apostas ao longo deste tempo após o Governo do Estado lançar dúvidas sobre o projeto inicial da linha 18 era se a ligação, de 15,7 km, seria atendida por monotrilho ou por BRT – Bus Rapid Transit.

 

Foram várias informações desencontradas neste período de cerca de três meses, entre as quais, classificar o monotrilho projetado para a linha 18 como metrô ou dizer que BRT não passa de corredores de ônibus.

 

Em essência, o monotrilho pensado para a linha 18 não é metrô de alta capacidade e BRT não se resume a somente corredor de ônibus, como o Corredor ABD de ônibus e trólebus, por exemplo, muito conhecido na região e usado m comparações.

 

O monotrilho é um sistema de média capacidade com trens leves que possuem pneus e circulam auxiliados por guias laterais em elevados de concreto com um trilho apenas, sustentados por pilastras. O monotrilho é elétrico.

 

BRT é um sistema de média capacidade com ônibus articulados e biarticulados que trafegam em corredores que têm elementos a mais que um corredor comum, como pontos de ultrapassagem entre os coletivos, estações no nível do assoalho do ônibus, pagamento de tarifa antecipado e, em vez de pontos, estações climatizadas. O BRT pode ter veículos a diesel, híbridos ou 100% elétricos.

 

Dependendo dos projetos de cada um destes dois modais, capacidade de passageiros e velocidade, ambos podem ter resultados semelhantes, mas o custo do BRT pode ser entre cinco e dez vezes menor que de um monotrilho com números parecidos.

 

O monotrilho causa impactos urbanísticos por causa da fixação das pilastras dos elevados, mas o BRT tende a ocupar uma largura maior no espaço urbano.

 

Em nota ao Diário do Transporte, o Consórcio VemABC disse que não foi comunicado da rescisão de contrato pelo Governo do Estado e, assim que for, vai seguir todos os trâmites burocráticos neste caso.

 

“A Concessionária VEM ABC não foi comunicada sobre descontinuidade ou rescisão unilateral do Contrato de Concessão Patrocinada No 011/2014. Caso seja comunicada, a mesma seguirá o rito contratual no que diz respeito a tal rescisão”.

Também em nota ao Diário do Transporte, o presidente da Abifer, associação que reúne as empresas que fabricam trens e componentes ferroviários, Vicente Abate, diz lamentar a troca de modal de monotrilho para BRT.

 

Segundo Abate, “o custo informado do BRT (R$ 680 milhões) e o prazo de entrega do sistema (18 meses) carecem de melhor avaliação”. O representante das indústria ferroviária ainda diz que o monotrilho pode ter vida útil três vezes maior que um ônibus e contesta alegação de que a tecnologia do monotrilho não é dominada pelo Brasil

 

PROJETOS

 

Em nota, o governo do Estado explica cada um dos projetos apresentados nesta quarta-feira. Confira:

 

BRT

 

O BRT do ABC sairá do Paço Municipal de São Bernardo do Campo e levará os passageiros até a Estação Tamanduateí, na Linha 2-Verde, do Metrô.

 

“Nós não temos no estado de São Paulo um BRT no modelo que foi apresentado aqui hoje”, comentou o Vice-Governador, Rodrigo Garcia. “O que estamos apresentando é uma solução com melhor qualidade, superior ao corredor que já existe e é bem avaliado. E o mais importante, atende à demanda do ABC”, destacou Garcia.

 

O BRT pode ser implantado em 18 meses, a partir do início de sua construção, e tem capacidade para transportar até 340 mil passageiros por dia. Será um sistema inteligente de transportes, com CCO (Centro de Controle Operacional) e diversas modalidades de serviços. Além das linhas tradicionais, com paradas, será possível operar serviços semiexpressos e expressos. Os ônibus transitam em espaço totalmente separado das outras faixas de rolamento.

 

Os veículos terão plataforma no nível da entrada dos ônibus, facilitando a acessibilidade e o embarque de pessoas com deficiência; cobrança de tarifa nos locais de embarque; monitoramento por câmeras em estações e terminais, sistema com informação em tempo real pela internet e painéis nas paradas que mostrarão tempo de espera.

 

Linha 10-Turquesa

 

A região do ABC também será beneficiada com os investimentos na Linha 10-Turquesa (Brás-Rio Grande da Serra), da CPTM. Ela será adequada ao padrão do Metrô de qualidade. A partir da próxima quarta-feira, haverá troca da frota para trens mais modernos.

 

A sinalização será modernizada e os passageiros também ganharão uma nova estação de trem, a Pirelli. A CPTM assinou, no início deste ano, convênio com a Prefeitura de Santo André para o desenvolvimento, em conjunto, dos projetos para a implantação dessa nova estação entre Prefeito Celso Daniel-Santo André e Capuava, na Linha 10-Turquesa.

 

“Essa ação permitirá o início da extensão do Expresso ABC”, disse Rodrigo Garcia.

 

Linha 20-Rosa

 

Foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo a Lei de Diretrizes Orçamentárias, autorizando a realização da contratação dos projetos para a Linha 20-Rosa, do Metrô. Ela interligará o bairro de Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo, à Lapa.

 

HISTÓRICO

 

A Linha 18-Bronze foi projetada inicialmente para ser um sistema de monotrilho, que deveria estar pronto entre o final de 2015 e o início de 2016. O projeto chegou ao quinto aditivo e ainda não há definição sobre o início das obras e a assinatura do sexto.

 

O maior obstáculo é o financiamento das desapropriações para a implantação dos elevados para os trens com pneus e as estações. Nas contas do Governo do Estado de São Paulo, estas desapropriações devem custar aos cofres públicos em torno de R$ 600 milhões.

 

Em 2014, o monotrilho da linha 18-Bronze tinha uma previsão de consumir R$ 4,69 bilhões (R$ 4.699.274.000,00) para ficar pronto. O valor, de acordo com a atualização do orçamento pelo Governo do Estado, pulou para R$ 5,74 bilhões (R$ 5.741.542.942,61), elevação de 22,18%.

 

Os dados são da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos e foram obtidos pela reportagem do Diário do Transporte por meio de Lei de Acesso à Informação no início do ano.

 

Isso significa que cada quilômetro do monotrilho do ABC custaria, se saísse hoje do papel, R$ 365,7 milhões (R$ 365.703.372,14) – sem as correções entre janeiro e junho.

 

A demanda projetada pelo Governo do Estado para o monotrilho com toda a extensão concluída é de em torno de 340 mil passageiros por dia.

 

No dia 8 de abril, durante inauguração da estação Campo Belo da Linha 5 Lilás do Metrô, o governador João Doria e secretário de transportes metropolitanos, Alexandre Baldy, disseram que o modelo proposto para a linha 18 seria mudado. Doria também afirmou na ocasião que o modelo pensado para a linha “foi um erro”

 

“Importante registrar que nós vamos modificar esse formato. Houve um erro, a nosso ver, do governo que nos antecedeu, mas ao invés de ficar aqui apenas culpando o passado, vamos tratar de encontrar soluções para o presente e o futuro. Nós teremos um outro formato que não vai exigir 600 milhões de reais de pagamento de indenizações por desapropriações, até porque isso é inviável, nós não temos recursos no orçamento para essa finalidade. Então esse planejamento que o secretário Baldy tem conduzido será apresentado em breve, para que a nova solução a ser apresentada ela seja conclusiva, e não uma opção inviável e que gere apenas expectativas e não fatos reais e concretos”, concluiu Doria na oportunidade, sem, no entanto, falar em troca de modal.

 

No dia 25 de fevereiro, o presidente do Consórcio VemABC – Vidas em Movimento, Maciel Paiva, que ganhou a licitação para o monotrilho, disse que já foram gastos R$ 5 milhões pelas empresas, antes mesmo do início da vigência do contrato da PPP – Parceria Público Privada de construção e operação do modal, para adiantar ações como levantamento das áreas a serem desapropriadas e os procedimentos necessários para posteriormente obter a licença ambiental.

 

O Consórcio não descarta ir à Justiça contra o Governo do Estado se houver mudança de modal.

 

O cronograma de licitação do monotrilho foi o seguinte, de acordo com o Governo do Estado e apresentação do VemABC:

 

Abertura dos envelopes: 03 de julho de 2014.

 

– Assinatura do Contrato com o VemABC: 22 de agosto de 2014

 

– 1º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 22 de agosto de 2015; válido até 22 de fevereiro de 2016

 

– 2º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 29 de agosto de 2016; válido até 22 de novembro de 2016

 

– 3º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 24 de novembro de 2016; válido até 22 de maio de 2017

 

– 4º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 18 de julho 2017; válido até 22 de novembro de 2017

 

– 5º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): novembro de 2017; válido até 22 de novembro de 2018

 

O Consórcio VemABC tem a seguinte estrutura acionária: 55% Primav Construções e Comércio S/A (sendo que o grupo italiano Gavio tem 69% e o Grupo CR Almeida responde por 31%), 22% da Construtora Cowan S.A., 22% do Grupo Encalso Damha e 1% do Grupo Roggio, argentino.

 

Fonte: Diário do Transporte

Data: 03/07/2019

 

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