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ABIFER NA MÍDIA – Produção de vagões deve terminar 2021 abaixo das expectativas, diz ABIFER

14.06.2021 | | Notícias do Mercado

Fonte: Revista Ferroviária
Data: 10/06/2021

A produção de vagões para este ano deve ficar abaixo das 2.500 unidades previstas inicialmente pela Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer). De acordo com a entidade, até o momento, metade do ano, foram entregues cerca de 900 vagões. Já as projeções de 43 carros de passageiros e de 61 locomotivas para este ano deverão se concretizar. Os dados foram divulgados pela entidade em um encontro virtual com jornalistas realizado ontem (quarta, dia 09).

A demanda de vagões aquém das expectativas se deve à não concretização de aquisições por algumas operadoras, por motivos pontuais, e também à interrupção do Reporto, regime especial tributário que por 16 anos desonerou máquinas e equipamentos nos setores portuário e ferroviário e que chegou ao fim em 31 de dezembro do ano passado. Na avaliação de Vicente Abate, presidente da Abifer, ao não renovar o programa, o governo federal fez com que empresas ferroviárias reduzissem seus investimentos, entre eles o de compra de vagões. “Já são seis meses sem Reporto. Todos os vagões e locomotivas que foram faturados ao longo desse primeiro semestre tiveram os impostos imputados às concessionárias”, argumenta.

Segundo Abate, as recentes renovações de concessões ferroviárias têm ajudado a alavancar os números, fazendo com que operadoras como a Rumo encomendem mais vagões, mas os pedidos não têm sido suficientes para atender a projeção. “A Vale, por exemplo, que já teve a renovação aprovada, tem um programa muito forte de troca de caixas de vagões, gôndolas de minérios… tanto para a Estrada de Ferro Carajás quanto para a Vitória-Minas. Mas ela não colocou ainda, na proporção esperada, o volume para iniciar este ano”, relatou.

A Abifer acredita que a indústria deve terminar o ano com a produção entre 1.800 e 2 mil unidades. Se concretizados, os 2.500 previstos ficariam próximos do volume registrado em 2018, quando 2.566 foram produzidos e entregues. De lá pra cá, os números foram bem menores: 1006 em 2019 e 1.672 no ano passado. Todos muito distantes do maior registro de produção até hoje, em 2005, de 7.597 vagões.

Em relação às locomotivas, das 61 encomendas para esse ano, seis são destinadas ao exterior. “Uma delas será exportada para os Estados Unidos, replicando o sucesso da locomotiva de manobra, 100% a bateria, que foi entregue em setembro passado à Vale”, comenta Abate, referindo-se à máquina da Progress Rail. Ele acrescentou também que 40 dos 43 carros de passageiros encomendados este ano têm como destino o Chile. O restante (três carros) foram fabricados pela Bom Sinal.

Trem Intercidades
Outro tema abordado no encontro da Abifer foi o Trem Intercidades (TIC), promessa do governador de São Paulo, João Doria, na campanha de 2018 e que até hoje não saiu do papel. Planejado para ligar São Paulo a Campinas, na primeira fase, e, posteriormente, à cidade de Americana, o projeto do Governo de São Paulo deve ser feito através de uma Parceria Público-Privada (PPP), mas ainda não tem nenhuma fase concretizada.

Abate ressaltou que o TIC é o projeto de transporte de passageiros, para média distância, mais maduro que o país tem no momento, embora reconheça que não há nada de concreto até o momento. “Enquanto não tivermos a consulta pública e a publicação do edital de licitação, eu não acredito que isso possa ir à frente rapidamente”, avalia o presidente da Abifer, acrescentando que o projeto está constantemente no radar da indústria nacional. “Para um trem regional desse porte, temos tudo, inclusive com tração elétrica, tração a hidrogênio… Não precisamos de ninguém de fora pra fazer isso”, completa.

O traçado de pouco mais de cem quilômetros deve ser licitado em lote com a Linha 7-Rubi, que atualmente liga a Estação da Luz, em São Paulo, à cidade de Jundiaí, no interior do estado. No início deste ano, a Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo divulgou que espera realizar a consulta pública para o projeto até o fim do terceiro trimestre deste ano.

Essa estimativa se deve à renovação da concessão da MRS, pelo governo federal, a partir da qual serão feitos diversos investimentos, inclusive na segregação de linhas de cargas e de passageiros. Como uma delas será destinada à operação do Trem Intercidades, o governo paulista acompanha o processo de renovação, cujo plano de negócios ainda está em análise na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e no Ministério da Infraestrutura (Minfra).