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ALL atrela investimento em ferrovia aos projetos da MMX e Votorantim

28.08.2007 | | ABIFER News

O debate organizado pela Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) demorou mais de três horas. Teve momentos de polêmica e de criticas contundentes dos presentes – a maioria clientes (outros potenciais clientes) ao desempenho da concessionária que explora o transporte ferroviário no antigo trecho da Novoeste (Corumbá/Bauru). Queixa mais recorrente foi em relação ao custo do frete, que em alguns casos seria até maior que o do transporte rodoviário. O presidente da América Latina Logística, Bernardo Hess, deixou bem claro é que os investimentos para garantir de vez segurança, confiabilidade ao transporte de cargas está condicionado ao que ele chama de “projetos âncoras” capazes de assegurar um volume de cargas significativo. O mesmo critério se aplica ao ramal Campo Grande/Ponta Porã, desativado há mais de oito anos: os trens só voltam a circular no trecho se houver pelo menos um volume anual (contratado) de 1 milhão de toneladas. Hoje a ALL escoa 2,5 milhões de toneladas da soja produzida no Estado através da intermodalidade: o grão sai de caminhão de Dourados, Maracaju, Sidrolândia e Ponta Porã e vai até Maringá (no Paraná), onde é embarcado no trem (também concessão da América Latina) até o porto de Paranaguá. Bernardo está convencido de que a “vocação natural de escoamento” da região sul do Estado, cortada pelo ramal de Ponta Porã é através do Porto de Paranaguá, não de Santos destino das cargas transportadas até Campo Grande. Altamir Olivo, representante da Cargil no debate, assegura que esta demanda exigida pela ALA já, mas a empresa não recorre ao transporte ferroviário porque faltam vagões, as precárias condições do trecho são uma ameaça constante de acidentes. “Chegamos a tirar do Estado 80 mil toneladas de soja por mês pelo ramal de Ponta Porã”, lembra. Em um ano de administração da malha ferroviária que corta Mato Grosso do Sul, América Latina Logística diz que já investiu R$ 63,5 milhões, 12% de todo o investimento que a empresa fez neste período, embora o antigo trecho da Noroeste responde por 3% dos fretes. Só a troca de 100 mil dormentes custou R$ 15 milhões. Para 2008 a previsão é que sejam investidos entre R$ 70 e R$ 80 milhões. Investimento bem superior aos R$ 33,5 milhões investidos em 2005 pela Brasil Ferrovia, a antiga concessionária, mas ainda longe de permitir que a velocidade das composições passe dos atuais 14 km/hora para 45 km/h já alcançados em outras áreas de concessão da empresa. Hoje os pouco mais de 450 km entre Campo Grande e Corumbá demoram três dias para serem percorridos. Da frota de 3.440 vagões que a ALL recebeu a empresa, 1.800 foram recuperados e estão sendo utilizados. Neste ritmo só em 10 anos a ferrovia atingiria um estágio adequado de conservação. Guilherme aposta em dois grandes projetos em andamento no Estado para alavancar um volume de frete que torne viável um investimento mais expressivo. Hees destacou que foi oferecida à siderúrgica MMX uma proposta de R$ 280,5 milhões para reestruturar a malha ferroviária entre Corumbá (onde estão as áreas de extração e a siderúrgica da mineradora) e o porto de Santos/SP. Desse total, R$ 70 milhões seriam direcionados para a aquisição de locomotivas. A MMX teria na ferrovia uma alternativa segura para levar 1 milhão de toneladas da sua produção para São Paulo. Já a VCP – que constrói uma das maiores fábricas de celulose do mundo em Três Lagoas – foi convidada a investir R$ 293,5 milhões, que seriam investidos no trecho entre Três Lagoas e Santos (envolvendo a compra de locomotivas, manutenção da via e aquisição de vagões). Em Mato Grosso do Sul, a empresa registra avanços graduais nas operações neste ano – o volume transportado passou de 40 mil toneladas para 60 mil toneladas em junho, o que projeta ao longo do ano, o transporte de 720 mil toneladas. Desempenho bem abaixo do registrado em 2005 quando foram transportados 3,5 milhões de toneladas..Presente ao debate, a prefeita de Três Lagoas, Simone Tebet reclamou o fato da cidade sofrer os efeitos de ter sua área urbana pelos trilhos da ALL. ‘Temos que retirar os trilhos do centro da cidade sob pena de provocar um caos na vida da população quando a fábrica da VCP estiver em funcionando, a MMX estiver escoando 1 milhão de toneladas de sua produção por trem”. O projeto está orçado em R$ 20 milhões. O presidente da ALL diz que a empresa não vai investir no anel ferroviário. ‘É uma obra que precisa ser bancada com dinheiro público’.