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BNDES eleva meta de venda de participações

28.09.2018 | | Não categorizado

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo de Oliveira, informou em entrevista ao Valor que elevou a meta de venda de participações do banco de R$ 10 bilhões para R$ 12 bilhões para o ano. Por enquanto, o banco já se desfez de R$ 6 bilhões em participações, com destaque para as vendas de R$ 3,7 bilhões em ações da Petrobras e R$ 1,4 bilhão em Eletropaulo.

Dyogo afirmou que espera uma redução das incertezas após o período eleitoral e que isso contribuirá não só para a venda adicional de participações como também para ampliar os desembolsos do banco, que até agosto estavam baixos.

Segundo ele, a venda de participações permitirá à instituição apoiar mais projetos nascentes e de empresas de menor porte, dando mais dinamismo à economia. O executivo do banco estatal reforçou ainda que não cabe ao BNDES carregar para sempre posições em ações de qualquer empresa.

Até agosto, as consultas feitas ao banco cresceram 2% no acumulado do ano, em comparação ao mesmo período de 2017, para R$ 69,8 bilhões. Nos desembolsos de fato realizados houve queda de 14%, para R$ 38,8 bilhões, pelos mesmos parâmetros.

Desses desembolsos, 49% foram destinados a micro e pequenas empresas, disse Dyogo. Ele rebate as críticas de que o BNDES não prioriza empréstimos para esse público e destaca que o nível atual está bem acima da média histórica, que era ao redor de 20%.

Para ele, o recuo de 14% nos empréstimos liberados será revertido até o fim do ano. Por isso, mantém a previsão de R$ 70 bilhões a R$ 80 bilhões em desembolsos em 2018.

“A esteira já está andando mais rápido”, afirmou Dyogo, acrescentando que isso está acontecendo graças a mudanças feitas no banco e a melhorias na gestão. Ele explicou que o pior resultado em 20 anos em termos de desembolso no primeiro semestre foi influenciado pela transição da TJLP para TLP. “Muitas instituições financeiras, por exemplo, precisavam ajustar seus sistemas”, disse, explicando que houve uma paralisia nas operações indiretas que já foi revertida. Além disso, ele contou que houve forte redução dos projetos apresentados ao BNDES.

“Era uma questão operacional, mas isso vai ser carregado como resultado para o ano. Hoje, o banco está desembolsando R$ 3 bilhões por mês no indireto”, disse. “Agora tudo vem seguindo um fluxo. Como houve queda grande de projetos no fim do ano passado e início deste, isso ainda está refletindo até o terceiro trimestre. Tem uma inércia”, acrescentou.

Com a aceleração das vendas de participações e a elevação dos desembolsos, Dyogo projeta que o lucro líquido da instituição deve atingir a marca de R$ 8 bilhões neste ano, o melhor desempenho desde 2014. No primeiro semestre, o resultado somou R$ 4,76 bilhões.

Os dividendos pagos à União serão equivalentes ao mínimo previsto: 25%. Segundo o presidente do banco, a instituição precisará desse capital para cumprir nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que impede a contabilização de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) no cálculo do capital nível II para cumprimento de regras estabelecidas por Basileia III. O prazo para substituir gradualmente esse capital no patrimônio é de dez anos e o cronograma começa a valer a partir de 2020.

Dyogo ressaltou ainda que está promovendo mudanças no processo de análise de projetos do banco, que hoje conta com quatro fases (consulta, enquadramento, aprovação e desembolso). A ideia é dar mais agilidade para a liberação de empréstimos para, por exemplo, compra de equipamentos. O modelo do BNDES Finame Direto, em que as empresas têm um limite de crédito já aprovado, deve ser replicado em outras linhas do banco e de forma mais ampla.

Dyogo informou que também será realizada até o fim do ano uma reestruturação interna e 300 pessoas serão deslocadas de atividades-meio para atividades-fim. Ou seja, esses funcionários serão transferidos para atividades de análise de crédito, dando mais agilidade na liberação dos empréstimos, contou Dyogo.

Atualmente, o prazo médio para análise e aprovação de um projeto é de 118 dias. A meta interna é que 50% dos projetos analisados sejam liberados em até 120 dias.

Um dos recordes recentes do banco é a liberação em 58 dias de um crédito de R$ 60 milhões para a construção de um armazém, ocorrida nesta terça-feira.

Para Dyogo, em três anos, o BNDES deve voltar a ter desembolsos no nível de sua média histórica, que é de 2% do Produto Interno Bruto. Mas isso vai depender do desempenho da economia. “O problema hoje é o investimento, que é pequeno”, destacou, rebatendo a tese de que a queda nos investimentos estaria relacionada à redução do BNDES.

Ele recomendou que as empresas fiquem atentas para aproveitar neste fim de ano a taxa mais baixa da Taxa de Longo Prazo (TLP), decorrente de um dos componentes da fórmula de cálculo que subirá a partir de janeiro. Trata-se do chamado “alfa”, que foi definido com base na antiga Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e que vai subindo ao longo dos próximos anos.

“Este fim de ano é um bom momento para contratar porque haverá essa mudança na TLP, que já está na lei, todo mundo conhece”, defendeu. “Acredito que nos últimos três meses vai ter até uma certa corrida por causa da regra da TLP”, disse.

Ele disse acreditar que o custo da NTN-B de cinco anos, que é outro elemento que afeta a definição da TLP, deve diminuir no fim do ano, após as eleições, o que abre uma janela de custo menor para tomada de crédito atrelado a essa taxa.

“Acho que o spread da NTN-B vai cair. Mas, como em janeiro tem aumento de alfa, então não pode esperar para o ano que vem, tem que contratar neste ano”, argumentou o presidente do banco estatal.

Dyogo defendeu a TLP e avaliou que a mudança ensejada por ela não explica a queda nos desembolsos do banco, que, segundo ele, decorre de um efeito inercial do fraco desempenho da economia no início do ano, com baixa demanda de projetos e postergação de investimentos por conta das eleições.

O presidente ressaltou ainda que a TLP, apesar de trazer para o sistema de financiamento do BNDES o custo de mercado, é uma taxa mais em conta e ainda permite ao banco trabalhar com taxas pré-fixadas, a partir de operações de swap com a NTN-B. “É mais uma vantagem da TLP, que é a possibilidade de ter produtos hedgeados [protegidos] em mercado, que geram essa estabilidade que alguns clientes preferem”, afirmou Dyogo.

Fonte: Valor Econômico
Data: 26/09/2018