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Brasil, mobilidade reduzida: por quê?

10.12.2019 | | ABIFER News

Por Vicente Abate*

 

Um País desenvolvido, ou mesmo emergente, que preze pelo bem-estar de sua população, preocupa-se em oferecer-lhe um transporte coletivo de qualidade, principalmente sobre trilhos.

É o caso da Europa, América, Ásia e mesmo de alguns países da América Latina.

Infelizmente, não é o caso do Brasil. Com apenas 1.105 km de malha ferroviária para passageiros, somente dentro de áreas metropolitanas, passamos longe da situação mínima ideal, em que pesem esforços pontuais, mas insuficientes para adquirir escala.

Falta uma política central, qualquer que seja a esfera de governo. A iniciativa privada está disposta a investir, mas não enxerga planejamento consistente e segurança jurídica. Quando isto irá acontecer é a grande questão, que se faz a cada início de governo.

Como se estabelecer o necessário sincronismo entre os entes governamentais, se o federal e estaduais estão iniciando suas gestões e os municipais terminando, já pensando nas próximas eleições? É impossível planejar com mudanças substanciais a cada dois anos.

Afora este fato recorrente, as autoridades constituídas, com algumas exceções, carecem de uma visão de Estado, que ultrapasse gestões de quatro ou oito anos.

Ainda que a malha ferroviária de passageiros seja extremamente reduzida, as operadoras possuem excelente desempenho, obtido a partir do conhecimento de seus colaboradores e de uma gestão eficiente.

Do seu lado, a indústria ferroviária brasileira tem desenvolvido produtos inovadores, que primam pela tecnologia de ponta, e que oferecem maior produtividade às operadoras, melhorando a sua competitividade.

Com capacidade instalada, mas no momento atravessando um período de elevada ociosidade, com qualidade e assistência técnica comprovadas e preços competitivos, a indústria nacional espera as oportunidades que necessariamente virão.

Um País desenvolvido se faz com Ferrovia e Indústria fortes.

 

* Presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER). Este artigo foi originalmente publicado na página 52 da Revista Frotas e Fretes Verdes 2019, publicação editada pelo Instituto BESC de Humanidades e Economia.