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Candidatos à Presidência da República ignoram rodovias e ferrovias no ES

09.10.2018 | | Notícias de Mercado

A campanha para o primeiro turno chegou ao fim, mas os principais candidatos à Presidência da República deixaram de aprofundar a discussão de temas que afetam a economia nacional e, consequentemente, a do Espírito Santo, como investimentos em ferrovias e portos, privatização de aeroportos, duplicação de rodovias federais no Estado ou mesmo a entrega à iniciativa privada.

Esses temas têm ligação direta com a infraestrutura do Espírito Santo e seu desenvolvimento econômico. São exemplos a construção da ferrovia até o Rio de Janeiro e a concessão do Aeroporto de Vitória.

A GAZETA analisou as propostas de governo cadastradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos candidatos mais bem posicionados na pesquisa Ibope divulgada na última quarta-feira, 3: Jair Bolsonaro (PSL), Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede).

A falta de discussões e propostas concretas para amenizar a dependência do modal rodoviário, especialmente para escoar cargas, ficou ainda mais evidente na greve dos caminhoneiros, em maio. A manifestação revelou a falta de diversificação da matriz de transportes.

Dados mostram que as ferrovias transportam somente 20,7% das cargas no Brasil – enquanto as rodovias concentram 61,1%. Mesmo assim, os candidatos citam o tema de maneira superficial no documento protocolado no TSE.
“A matriz de transporte é peça-chave para o crescimento econômico de um país. O Brasil tem dimensão continental e essa concentração nas rodovias deixa o custo da nossa produção mais caro, prejudicando nossa competitividade”, analisa o presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão.

Nas propostas de governo, Ciro Gomes diz que vai realizar um pacote de investimentos dirigidos a várias áreas, entre elas a de ferrovias, tanto para cargas quanto passageiros. Jair Bolsonaro fala apenas em integrar uma “vasta malha ferroviária” e os portos e rodovias.

Fernando Haddad garante em seu programa que vai retomar os investimentos em infraestrutura para diversificar os modais. Marina Silva promete ampliar significativamente o número de concessões nos diferentes modais, de modo a alterar o quadro de concentração nas rodovias. Já Geraldo Alckmin, que entregou um documento mais enxuto ao TSE, sequer cita a malha ferroviária em sua lista de investimentos.

CONCESSÕES

Os candidatos apontam que ampliar o modelo de concessões de aeroportos e rodovias é uma alternativa para driblar a baixa capacidade de investimento do Estado, mas não mencionam quais pontos serão prioridades caso assumam a Presidência.

“A concessão é um caminho, mas deve ser feito de forma transparente, discutida com a sociedade. Concessão debaixo do tapete só beneficia os corruptos”, reforça o economista Mário Vasconcelos.

A maioria dos planos também não detalha como as prováveis equipes de governo pretendem resolver o rombo da Previdência, o que afeta os Estados, que terão que fazer alterações nas regras de aposentadoria.

SEM DEBATE: Previdência fica em 2º plano

Apesar de algumas falas esparsas dos candidatos à Presidência, a reforma da Previdência quase não entrou em pauta. Na verdade, os candidatos evitaram dar opiniões sobre uma alteração mais brusca ou branda das aposentadorias já no próximo governo, sem se comprometer diante do eleitorado ou gerar indisposições. “O que a gente nota é que quando eles tocam na reforma, fala de um ponto de vista muito geral. A discussão é urgente para garantir o pagamento dos benefícios e o próximo governo não pode fugir do assunto”, destaca o presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo, Ricardo Paixão.

ANÁLISE: Polarização política é prejudicial à economia

Essa polarização política que domina as eleições presidenciais dificulta a discussão de temas importantes para um crescimento sustentável da economia, como as reformas da Previdência e tributária, e parcerias com a iniciativa privada para ampliar os investimento em infraestrutura. Os discursos dos candidatos não encontram um ponto de convergência. É como se não existisse uma terceira via e como se eles vivessem em países diferentes. O que a gente visualiza são propostas muito superficiais, algumas delas populistas para impressionar os eleitores – a impressão que dá é que eles não viram o tamanho do déficit público do Brasil. Isso acaba afastando o debate do equilíbrio e vai dificultar muito para o próximo presidente governar, independentemente de quem seja o eleito ou a eleita.

Então, você tem dois pontos: a dificuldade do debate e a dificuldade, após assumir o cargo, de tomar as medidas que achar necessárias. O Brasil precisa levar mais a sério as reformas, descentralizando os recursos da União, buscar um modelo para a Previdência mais equilibrado e ampliar a capacidade de investimentos públicos e privados.

Fonte: Gazeta Online
Data: 07/10/2018