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CCR defende flexibilidade na contratação de estudos

17.08.2018 | | Não categorizado

O novo presidente da CCR, Leonardo Vianna, afirmou ontem que os problemas das licitações de infraestrutura começam na viabilidade dos projetos. “Nenhum investidor vai entrar [no negócio] se não tiver sua viabilidade assegurada. E tudo começa com um estudo de viabilidade prévio antes da licitação. Hoje, vemos dificuldade muito grande nesse tipo de negócio”, afirmou Vianna, durante o 6º Fórum Lide de Infraestrutura, Logística e Mobilidade, em São Paulo.

Foi o primeiro evento público do qual o executivo participou desde que assumiu a presidência da CCR, no início do mês, no lugar de Renato Vale.

De acordo com Vianna, as PMIs (Procedimento de Manifestação de Interesse) – mecanismo pelo qual os governos convocam empresas a fazer estudos de viabilidade para projetos que podem resultar em parcerias – “funcionam até bem, mas existem algumas imperfeições”.

Entre elas, citou que é natural o governo juntar partes de estudos apresentados por “três, quatro empresas”, o que resulta em um “Frankenstein”. Por isso, defendeu que o governo tenha mais flexibilidade para contratar estudos.

Vianna também reivindicou financiamento de longo prazo para além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tradicionalmente o maior financiador da infraestrutura brasileira.

Especificamente sobre mobilidade urbana, o executivo defendeu a criação de uma autoridade metropolitana, visto que o modal perpassa várias regiões. E reivindicou garantias do poder público para esse tipo de projeto, que exige aportes públicos dada a dimensão dos investimentos.

Ontem a CCR divulgou balanço referente ao segundo trimestre, em que registrou lucro atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 277,7 milhões, queda de 58,4% na base anual.

O recuo se deveu a um conjunto de fatores, sendo o principal deles a incidência de efeitos não recorrentes das aquisições de participações nas concessionárias ViaQuatro e ViaRio no ano passado. “Isso levou a uma reavaliação dos ativos, com impacto de R$ 361,8 milhões no lucro líquido e de R$ 548,1 milhões no Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização]”, disse ao Valor Marcus Macedo, gerente de relações com investidores da CCR.

Considerando na mesma base – sem a inclusão de novos negócios e efeitos não recorrentes -, o lucro líquido foi de R$ 300,9 milhões, queda de 5,2%.

A receita líquida no trimestre teve leve alta de 0,5%, para R$ 2,34 bilhões. Excluindo o custo de construção, a receita cresceu 1,7% no período, alcançando R$ 1,87 bilhão. O Ebitda caiu 35,6% no trimestre, para R$ 1 bilhão.

A dívida líquida consolidada subiu de R$ 11,8 bilhões no fim do primeiro trimestre para R$ 12,9 bilhões em junho, principalmente devido à aquisição do projeto ViaMobilidade, que compreende o contrato de concessão da Linha-5 do Metrô, assinado em abril. A outorga, paga no mesmo mês, foi de R$ 553,9 milhões. Isso ajudou a elevar a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, que saiu de 2,2 vezes no primeiro trimestre e alcançou 2,7 vezes no segundo.

O tráfego nas rodovias da CCR caiu 5,5% no segundo trimestre ante a base anual, para 226 milhões de veículos equivalentes. A suspensão da cobrança do eixo suspenso dos caminhões – medida que atendeu a reivindicações de caminhoneiros – reduziu em R$ 25,9 milhões a receita de pedágio no trimestre. Segundo Macedo, a perda reflete o período de um mês e dois dias em que a determinação vigorou no trimestre.

Fonte: Valor Econômico
Data: 15/08/2018