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Com dívida negociada, AG descarta vender CCR

28.08.2018 | | Não categorizado

A Andrade Gutierrez descartou a venda de ativos para reduzir seu endividamento, principalmente a da concessionária de rodovias CCR. “Tem se noticiado muito isso [venda da CCR], e não é verdade”, afirmou ao Valor o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Andrade Gutierrez Engenharia, Gustavo Coutinho.

Há pouco mais de um mês, com dificuldade para negociar com credores o pagamento de dívida vencida em abril, a empreiteira teria aberto um processo competitivo para vender sua fatia na CCR a fundos de pensão americanos e canadenses, conforme apurou o Valor.

Com a conclusão na última semana da oferta de refinanciamento de bonds, pela qual trocou papéis que pagavam cupom de 4% com vencimento em 2018 por títulos com cupom de 11% e vencimento em 2021, no total de US$ 334 milhões, a Andrade Gutierrez ganhou fôlego para gerir a atividade considerada o “DNA” da empresa (engenharia e construção), sem ter a necessidade de vender ativos. Além disso, a classificadora de riscos Moody’s elevou o rating (nota de crédito) da empreiteira, de “C” para “Caa2”.

“Se fosse para pagar os bonds hoje, nós precisaríamos ter desinvestido. Todo esse esforço que fizemos [de renegociação dos bonds] foi para dar o prazo necessário para o próprio negócio de engenharia se reestruturar e pagar sua dívida. Com isso, tiramos qualquer pressão de venda de ativo adicional de outros negócios do grupo”, completou Coutinho.

Questionado sobre a participação de 2,1% na Santo Antônio Energia, dona da hidrelétrica de mesmo nome, no rio Madeira (RO), ele disse que não há necessidade de liquidação de ativos, mas que a empresa está aberta a negociação nesse caso, por se tratar de uma fatia pequena em uma empresa que o grupo não tem o controle. A hidrelétrica desperta o interesse da chinesa State Power Investment Overseas (SPIC), que conversou sobre o negócio com os principais acionistas da usina: a estatal Cemig e o grupo Odebrecht.

Com o refinanciamento dos bonds, a dívida atual da Andrade Gutierrez Engenharia, considerando o câmbio da última semana, é da ordem de R$ 1,6 bilhão, para um valor em caixa em torno de R$ 600 milhões. “Este ano estamos com estrutura de capital resolvida. Não temos necessidade alguma de voltar ao mercado [em 2018]”, afirmou Coutinho.

A empresa fechou 2017 com faturamento de R$ 1,5 bilhão (28% a menos que 2016). Para este ano, a expectativa da empresa é de um crescimento de 50% da receita. E, para o próximo ano, a previsão é de aumento de 40%, ante 2018.

Segundo Coutinho, nos últimos dois anos, a Andrade Gutierrez conseguiu contratos da ordem de R$ 7 bilhões, com destaque para projetos na área de energia. Os principais são duas térmicas de um consórcio formado pela Prumo Logística, Siemens e BP, no Porto do Açu (RJ) e um grupo de linhas de transmissão da Equatorial Energia.

Além disso, a Andrade Gutierrez tem mapeado montante de R$ 59 bilhões em negócios de infraestrutura em prospecção no mundo, dos quais R$ 30 bilhões no Brasil e o resto no exterior, principalmente Colômbia, República Dominicana, Moçambique e Portugal.

Questionado sobre as eleições para a presidência da República, em outubro, Coutinho demonstrou tranquilidade e disse que a maioria dos candidatos tem destacado em seus discursos a importância de ampliar investimentos em infraestrutura, porque projetos do tipo geram rapidamente uma quantidade expressiva de empregos diretos e indiretos.

“O cenário político influencia, mas acredito que o cenário econômico, independentemente do político que ganhe [as eleições], vai passar por fazer essa [agenda de] infraestrutura. Qualquer um que ganhe, vai ter um foco no investimento de infraestrutura e nós somos um dos poucos ‘players’ aptos a realizar isso hoje”, disse o diretor, lembrando que muitas empresas do segmento foram atingidas pela crise econômica do país, que provocou uma queda de 25% no PIB da área de engenharia e construção.

Reconhecendo os problemas vividos pela empresa na Lava-Jato e na própria crise econômica que afetou o país nos últimos anos, Coutinho afirmou que a saída encontrada pelo grupo tem sido olhar para suas raízes, apostando em engenharia e eficiência, aliada à inovação. “A Andrade Gutierrez já entregou mais de 950 projetos de infraestrutura ao longo de sua história e nunca tivemos uma garantia de performance executada”, completou.

Fonte: Valor Econômico
Data: 27/08/2018