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Comerciantes se opõem à instalação da segunda fase do VLT em Santos, SP

19.02.2021 | | Notícias do Mercado

Grupo alega não ter sido comunicado previamente sobre o início das obras e que empresa não seguiu combinado em reunião

 

Comércios instalam faixas questionando obras do VLT na Rua Campos Melo, em Santos, SP — Foto: Luana Chaves/G1 Santos

Comerciantes da Rua Campos Melo, em Santos, no litoral de São Paulo contestam a instalação da linha do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no local. Os donos de comércios da via alegam que a implantação afastará a clientela, com poluição sonora e retirada das vagas para estacionamento, dentre outros problemas.

De acordo com a comerciante Márcia de Moraes Cury e Silva, que possui uma casa de antiguidades na Rua Campos Melo e é locadora de um espaço que abriga outro estabelecimento na mesma via, os moradores e comerciantes não foram avisados sobre a implantação do VLT no local, mas ficaram sabendo por meio da imprensa.

A proprietária, que também é segunda tesoureira da Associação dos Comerciantes e Moradores da Campos Melo (Amocam), relatou que o grupo não é contra a instalação de uma nova linha que possibilite o tráfego do veículo até o centro de Santos, contudo, acreditam que a via não é o melhor endereço para receber o meio de transporte.

“Não faz sentido ser na Campos Melo, existem outras ruas onde seria mais viável implantar, como na Avenida Conselheiro Nébias, onde já passam ônibus”, explica.

Os moradores e comerciantes também reclamam da instalação de uma estação de 60 metros no local, atrapalhando a visibilidade e o estacionamento de veículos.

Segundo Cury, após o anúncio da implantação, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), em conjunto com a empreiteira responsável pelas obras, realizou uma reunião com a associação dos moradores, onde ficou estabelecida a entrega de um cronograma de obras e uma solução viável para os problemas citados pelo grupo, como dificuldades com a carga e descarga de mercadorias, até dezembro de 2020, contudo, até o início de fevereiro, nada foi entregue.

Em protesto, comércios da rua penduraram placas contra a instalação do transporte público, questionando o governo e afirmando que o VLT acabará com os comércios da Campos Melo.

Conforme relatos da tesoureira, toda a mobilidade para entrada e saída de veículos será prejudicada no local. Dentre os principais problemas, Cury cita a falta de locais para estacionar, fato que, segundo ela, pode fazer com que clientes desistam de comprar nos estabelecimentos da via e decidam comprar em locais que ofereçam vagas para estacionar.

A vendedora ainda explicou que caminhões que levam as mercadorias às lojas serão impossibilitados de realizar a descarga no local e que, além do barulho do VLT, que pode afastar clientes, teme a trepidação da rua, que pode derrubar os produtos das prateleiras.

Mesmo com os comerciantes e moradores se posicionando contra as obras, a empresa segue com o plano de implantação. Márcia relembra que apenas metade dos imóveis foram de fato vistoriados, contudo, a decisão de prosseguir com as obras já foi tomada. Ela lamenta que a opinião dos moradores não está sendo levada em consideração.

“Eu me sinto como todo brasileiro, a gente não é nada para eles. Um povo que paga o imposto, que paga o salário deles. Isso não é justo com a gente”, reclama.

De acordo com a comerciante, a associação ainda sugeriu que, ao menos, uma estação menor seja instalada, pedido que não foi atendido. Eles também criticam a retirada de árvores da região e a instalação de diversos fios necessários para o funcionamento do veículo.

Conforme comunicado pela EMTU no fechamento do contrato das obras, a segunda etapa do VLT terá 8 km de extensão e prevê a construção de 14 estações. O trecho terá frota composta por sete veículos e as obras têm duração prevista de 30 meses. O traçado, no centro histórico de Santos, inclui as ruas Campos Mello, Doutor Cochrane, João Pessoa, Visconde de São Leopoldo, São Bento, Amador Bueno, Constituição, Luiz de Camões e Avenida Conselheiro Nébias.

Posicionamento da empresa

Em nota, a EMTU afirmou ainda estar em tratativas com os representantes dos moradores e comerciantes, visando esclarecer dúvidas e realizar possíveis ajustes. Confira o comunicado na íntegra:

A EMTU, em conjunto com a Prefeitura de Santos, está em tratativas com representantes de moradores e comerciantes da rua Campos Mello, por onde vai passar o trecho Conselheiro Nébias -Valongo do VLT. O objetivo é esclarecer dúvidas sobre o projeto e, eventualmente, realizar ajustes possíveis na organização do sistema viário previsto para o trecho. O projeto da segunda fase do VLT foi desenvolvido sempre levando em conta a participação da população por meio de audiências públicas. É um empreendimento do governo do Estado que vai facilitar a mobilidade diária de 35 mil pessoas, além de revitalizar a área central de Santos, unindo bairros ao centro, pontos turísticos e de trabalho“.

Questionada sobre estar levando em consideração a opinião dos comerciantes, a prefeitura de Santos alegou que tem desenvolvido diálogo com os interessados através de audiências públicas. Leia o posicionamento da administração municipal:

A obra é de responsabilidade da EMTU, mas prefeitura tem atuado ao lado da empresa no diálogo com a comunidade. Reuniões já foram realizadas com a associação que representa os interesses de moradores e empresários da Rua Campos Melo e de outras vias por onde passará o VLT. Também foi constituído um grupo técnico para acompanhamento dos trabalhos e interlocução com a população, com objetivo de esclarecer dúvidas e, eventualmente, atender as solicitações para minimizar os transtornos durante as etapas da obra e, eventualmente, realizar ajustes possíveis na organização do sistema viário previsto para o trecho.

O projeto da segunda fase do VLT foi desenvolvido sempre levando em conta a participação da população por meio de audiências públicas. É um empreendimento do Governo do Estado que vai facilitar a mobilidade diária de 35 mil pessoas, além de revitalizar a área central de Santos, unindo bairros ao Centro, pontos turísticos e de trabalho”.

Fonte: G1

Data: 19/02/2021