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Competitividade logística: como transportar mais e melhor?

11.09.2018 | | Notícias de Mercado

Em maio deste ano, uma greve organizada pelos caminhoneiros impactou o país em proporções que, até então, eram difíceis de mensurar. Responsável pela maior parte do transporte de cargas no Brasil, o setor caminhoneiro trouxe à tona uma questão que já vem sendo discutida há alguns anos: a falta de diferentes modais que possam escoar a produção interna. Os modais, na verdade, existem. Como exemplo, as ferrovias e os portos que atendem várias regiões brasileiras. Mas todos, em algum momento, dependem do transporte rodoviário, já que ainda não suprem toda a demanda logística da nossa cadeia produtiva.

A solução para desafogar as estradas e evitar cenários caóticos como o que aconteceu em maio passa por diferentes alternativas. É preciso repensar o transporte sob vários aspectos: o combustível, os impactos ambientais, os custos para quem produz e a competitividade para quem transporta. Um trabalho já em andamento e que contribui para avançar quando o tema é infraestrutura é o PELT 2035 (Plano Estadual de Logística em Transportes), coordenado pelo Sistema Fiep em parceria com 20 entidades do Paraná.

O principal objetivo do plano é identificar, planejar e propor a implantação de obras necessárias para reduzir o custo logístico da indústria e distribuir o transporte em outros modais. “Hoje há mais de 200 obras em execução, fruto do PELT 2035”, explica o presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo. “Elas estão nas áreas portuária, ferroviária, rodoviária e aeroportuária. Com o plano, foi montado um banco de projetos que visa desenvolver a logística do Estado”, completa.

Modal ferroviário: vantagens para o setor

Cruzando os continentes, há diversos países que utilizam as ferrovias para escoamento de produção. É o caso da Rússia, onde 80% da carga é transportada por trilhos. No Brasil alguns elementos dificultam a ampliação do uso da malha ferroviária – como o monopólio e as infraestruturas, que são muito antigas. Desde 2013, o Sistema Fiep trabalha com a esfera pública para ampliar a capacidade ferroviária do Paraná, com propostas para construção de novos trajetos e modernização do que já existe.

Uma delas é a nova Ferroeste, que vai aumentar significativamente o transporte de cargas nas regiões Norte e Oeste do Estado, criando um novo corredor logístico. “Os produtos da agroindústria paranaense têm perfil para serem transportados pelas ferrovias”, detalha João Arthur Mohr, especialista em infraestrutura e gerente dos Conselhos Temáticos e Setoriais do Sistema Fiep.

O especialista ainda destaca que o modal traz vantagens competitivas para diversos setores socioeconômicos, são elas:

– Economia com custos de transporte. O frete ferroviário é de 20 a 30% mais barato;

– Benefícios ambientais. O nível de emissão de carbono por tonelada é de 4 a 5 vezes menor do que no transporte por caminhões;

– Mais segurança nas estradas. Para a população, estradas com menos caminhões são mais seguras. Há menor risco de acidentes.

João Arthur Mohr destaca, ainda, efeitos secundários da ampliação do transporte ferroviário no Estado: “há um impacto turístico, por exemplo. Passeios como a descida da Serra do Mar por trem podem ser realizados todos os dias da semana. Hoje isso só é possível em finais de semana, já que nos demais dias as ferrovias estão completamente movimentadas por cargas”.

Projeção de crescimento estimula agilidade no planejamento de modais

A produção agroindustrial do Paraná tem crescido e as projeções são otimistas. Até 2025, deve passar dos 55 milhões de toneladas atuais para 70 milhões de toneladas. A estimativa é que a ferrovia já nasceria transportando, pelo menos, 49 desses 70 milhões. “É um grande potencial para toda a cadeia produtiva”, compara o presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo.

A ferrovia é boa do ponto de vista econômico, ambiental e social. Por isso, o Sistema Fiep defende os projetos na área e tem trabalhado fortemente para viabilizá-los. “Será um salto competitivo para o Estado e para o país”, conclui Campagnolo.

Fonte: G1
Data: 05/09/2018