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Construtora média ganha espaço na lista de desembolsos do governo

09.03.2018 | | Não categorizado

A construtora Sanches Tripoloni será responsável em erguer uma ponte de quase 3 quilômetros que faz parte da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). Foto: Divulgação

A Operação Lava-Jato e o aperto fiscal do governo mudaram radicalmente o perfil da destinação de recursos para as empresas que fazem obras públicas. Os desembolsos federais para construtoras no ano passado se concentraram basicamente na transferência de verbas para manutenção e adequação de rodovias, intervenções realizadas por empresas de porte médio.

É um cenário inverso ao de 2014, ano da deflagração da Lava-Jato, quando as maiores empreiteiras do país – Odebrecht, Camargo Corrêa e Mendes Júnior, entre outras – ainda dominavam o ranking de recebimento de recursos, que foram principalmente destinados para projetos estruturantes. Dentre os quais, obras de ferrovias e transposição do Rio São Francisco.

Em 2017, a única grande empreiteira que ainda se manteve entre as dez que mais receberam dinheiro da União foi a Odebrecht. Todavia, com um projeto que “distorce” a amostra – recursos na implantação do estaleiro e base naval para construção e manutenção de cinco submarinos, sendo quatro deles convencionais e um de propulsão nuclear.

Em 2017, quem liderou o ranking foi a Sanches Tripoloni, tradicional empresa no ramo de obras de terraplenagem e manutenção em rodovias. A empreiteira recebeu R$ 506 milhões no ano passado, sendo R$ 420,6 milhões para adequação, manutenção e construção de trechos rodoviários, nesta ordem. Os repasses foram efetuados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Outros R$ 82 milhões saíram da estatal de investimentos ferroviários Valec para a Sanches Tripoloni erguer uma ponte de quase 3 quilômetros que faz parte da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). Em 2014, a empresa não aparecia na lista das dez primeiras. Recebeu R$ 199,5 milhões, dos quais 97% destinados a adequações, manutenção e construção de trechos em rodovias. Para a Fiol, foram apenas R$ 44,8 mil naquele ano.

“O aumento do orçamento se deveu sobretudo a quatro contratos de duplicação e adequação da rodovia BR-163”, afirmou Paulo Francisco Tripoloni, presidente da empresa, que está há mais de 30 anos no mercado. Oriunda de Maringá (PR) e com sede em São Paulo, a Sanches Tripoloni faturou R$ 610 milhões em 2017. Já construiu mais de 3 mil quilômetros desde sua fundação. “Temos capacidade de faturar até R$ 1,5 bilhão”, disse o executivo, que pretende expandir a atuação da companhia fora do país.

Tripoloni analisa disputar projetos de construção de rodovias em outros países da América do Sul, como Paraguai e Peru. No Brasil, além de expandir a carteira de obras públicas, tem interesse no negócio de concessão de exploração de rodovias.

Em valores absolutos, os repasses do governo para a construção caíram quase 30%. Vieram de R$ 18,3 bilhões em 2014 para R$ 12,9 bilhões, no ano passado. Corrigido pela inflação, o recuo foi de 42%. Os números foram levantados pelo Valor a partir dos dados disponíveis no Portal da Transparência do governo.

Dos grandes repassadores para projetos de construção, a Valec viu sua verba cair 70% em três anos
Dos grandes repassadores para projetos de construção, o Dnit praticamente manteve o montante. Fechou 2017 em R$ 9,5 bilhões, 4% a menos do que em 2014. A Valec, por outro lado, viu sua verba cair 70%, para R$ 908 milhões. A Secretaria de Infraestrutura Hídrica, ligada ao Ministério da Integração Nacional, perdeu cerca de R$ 500 milhões no período, encerrando o ano passado em R$ 707,7 milhões.

Terceira construtora que mais recebeu recursos em 2017, a mineira LCM Construções e Comércio foi criada para se dedicar totalmente ao negócio de manutenção e adequação de rodovias em contratos públicos.
“Somos 100% dedicados a isso. As grandes empresas acabaram sendo envolvidas em escândalos e deixaram de fazer.
Crescemos no vácuo”, disse Claudia Campos Batista, diretora administrativa e financeira da LCM.
A empresa é resultado de uma cisão da CCM-Construtora Centro de Minas, que está há três décadas no mercado e em 2014 foi a segunda colocada entre as que mais tiveram recursos do governo.

Fora a Odebrecht, a única das outrora megaempreiteiras que apareceu entre as 15 primeiras no ano passado foi a Queiroz Galvão – em 12º lugar. Recebeu no total R$ 156,9 milhões, sendo a maior parte para a construção da segunda ponte sobre o Rio Guaíba e acessos na BR-116/290, no Estado do Rio Grande do Sul.

Outros R$ 38,7 milhões foram para a integração do Rio São Francisco com as bacias dos Rios Jaguaribe, Piranhas-Açu e Apodi, da Secretaria de Infraestrutura Hídrica.

Três anos antes, a Queiroz Galvão recebeu R$ 250,1 milhões. Foram principalmente R$ 166,9 milhões destinados à integração do Rio São Francisco e mais R$ 76,8 milhões para construção e adequação de trechos rodoviários.

Questionado sobre a queda no montante, o Ministério da Integração Nacional informou por e-mail que os recursos para os projetos hídricos são disponibilizados “de acordo com suplementações financeiras realizadas pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão”.

Já a Valec não explicou a variação e também por e-mail informou que os principais investimentos do órgão para o ano foram definidos pela Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2018.

Fonte: Valor Econômico
Data: 08/03/2018