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Eficiência Energética em Ferrovias

13.10.2021 | | ABIFER News

Por Vicente Abate, presidente da ABIFER.

O setor ferroviário brasileiro, representado por sua indústria e pelas concessionárias de transporte de passageiros e de carga, encontra-se em permanente desenvolvimento tecnológico. Seu objetivo primordial é alcançar o maior grau de eficiência energética nos veículos projetados, na via permanente e nos Centros de Controle Operacional, por meio de inovações que têm sido implementadas em larga escala nos últimos tempos.

A indústria ferroviária brasileira tem investido em avançadas técnicas computacionais, com elevada digitalização, na busca da otimização dos projetos de seus veículos e da via permanente, visando ao aumento da eficiência energética, com significativa redução de emissão de gases de efeito estufa e particulados na atmosfera.

Tem buscado, ainda, a redução de um dos principais custos na operação de transporte ferroviário, que é o custo da tração dos veículos, seja o diesel nas locomotivas ou a energia elétrica nos trens de passageiros.

Destacam-se aqui motores de corrente alternada, elétricos ou a diesel, que reduzem o consumo da energia de tração em cerca de 25%.

Recentemente, foi desenvolvida e fabricada no Brasil uma locomotiva de manobra elétrica, 100% a bateria, destinada à Vale e em fase de testes, com resultados já satisfatórios. Tanto que a fabricante nacional já está produzindo uma segunda locomotiva, para exportação aos EUA, que será um benchmarking brasileiro. As duas fabricantes nacionais desenvolvem, desde 2020 na Califórnia, testes em locomotivas de linha, também 100% a bateria.

Sistemas de controle remoto para operação de locomotivas de manobra estão sendo desenvolvidos pela indústria ferroviária brasileira para aumentar a produtividade dos movimentos realizados pelas concessionárias em pátios e terminais ferroviários, de forma segura, com redução dos custos de suas operações. Estes sistemas comunicam-se através de rádio, rede de celular comercial ou Wi-Fi. Projetos pilotos estão em processo de implementação nas ferrovias nacionais.

Para o transporte de carga e de passageiros, a indústria ferroviária nacional desenvolve e fornece sistemas de sinalização da via, que possibilitam a máxima aproximação segura entre os veículos, diminuindo significativamente o intervalo entre eles, o que permite formar um sistema chamado carrossel, que oferece um transporte produtivo e seguro. Além de equipar trens sem condutores, os chamados driverless, já em operação no Brasil.

Outra fronteira tecnológica que está sendo desenvolvida, também disruptiva, é a da utilização de hidrogênio na tração de trens regionais e de veículos leves sobre trilhos, na Europa e na Ásia, pelas matrizes das fabricantes brasileiras de trens e que poderá chegar em breve ao Brasil.

Os vagões de carga também têm contribuído com esses desafios, ao utilizarem ferramentas de simulação em ambiente virtual e ensaios físicos em túnel de vento para validação de resultados, o que tem gerado economia de combustível – da ordem de 3 a 5% – por meio da redução da força de arrasto dos vagões.

Enfim, estamos vivenciando no País enormes oportunidades para a utilização de tecnologias inovadoras, que permitem o desenvolvimento de equipamentos mais produtivos, seguros e amigáveis ao meio ambiente e que possam garantir maior competitividade e segurança às concessionárias de transporte sobre trilhos.

A sociedade, em especial, agradece.

Este artigo foi originalmente publicado pela Revista Frotas & Fretes Verdes do Instituto Besc – Edição outubro de 2021, nas páginas 52 e 53.