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Brasil prepara acesso ao Porto de Santos para trens gigantes de até 2,4 km e 140 vagões após pacote de R$ 2 bilhões que criou seis pátios, mexeu em mais de 90 km de trilhos e instalou 126 aparelhos de mudança de via na Baixada Santista

27.08.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Click Petróleo e Gás
Data: 23/08/2026


Investimentos ferroviários na Baixada Santista ampliam pátios, modernizam trilhos e integram diferentes operadoras para preparar o acesso ao Porto de Santos a composições de carga cada vez maiores.

Um trem de carga com até 2,4 quilômetros de comprimento e algo entre 120 e 140 vagões exige muito mais do que locomotivas capazes de puxá-lo.

Para fazer composições desse porte chegarem ao Porto de Santos, a infraestrutura ferroviária da Baixada Santista precisou ganhar pátios maiores, trilhos reforçados, novos desvios, sinalização e uma forma diferente de coordenar as empresas que utilizam o mesmo corredor.

Esse processo culminou, em 30 de junho de 2026, na inauguração do Centro de Controle Operacional Integrado da Baixada Santista, o CCOI.

A estrutura faz parte de um ciclo que a MRS Logística calcula em aproximadamente R$ 2 bilhões em investimentos na região, associado à renovação de sua concessão ferroviária.

No conjunto divulgado pela companhia e por entidades do setor aparecem seis pátios ferroviários, mais de 90 quilômetros de intervenções ou substituições de trilhos e 126 novos Aparelhos de Mudança de Via, os AMVs.

A malha também foi preparada para receber trens de até 2.400 metros, capazes de transportar uma quantidade maior de carga em cada composição destinada ao principal complexo portuário brasileiro.

Trens de até 2,4 km mudam a escala do acesso ao Porto de Santos

Uma composição com 2.400 metros colocada sobre uma avenida ocuparia uma distância equivalente a dezenas de quarteirões.

No ambiente ferroviário, porém, simplesmente acrescentar vagões não resolve o problema, porque todo o sistema precisa estar preparado para acomodar o novo comprimento.

Pátios precisam permitir estacionamento, cruzamento e formação desses trens.

Desvios devem suportar a passagem das composições, enquanto sinalização e controle de tráfego precisam administrar movimentos maiores sem transformar o acesso ao porto em um gargalo.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres informou, em junho de 2026, que a integração operacional da Baixada Santista prepara a malha para um novo modelo capaz de receber trens de até 2.400 metros, além de elevar a capacidade da infraestrutura para cargas de até 32,5 toneladas por eixo.

Relatos publicados pelo setor ferroviário detalham que esse comprimento corresponde a aproximadamente 120 a 140 vagões, dependendo da configuração utilizada.

O objetivo não é criar o maior trem possível apenas pelo tamanho.

Ao colocar mais carga em uma mesma composição, a ferrovia pode movimentar volumes maiores utilizando menos movimentos ferroviários para transportar determinada quantidade de mercadoria.

Seis pátios ferroviários ampliam a capacidade de circulação

Entre as principais intervenções associadas ao ciclo estão os pátios de Prainha, Jurubatuba, Quilombo, Areais, Campo Grande e a primeira fase do pátio de Santos.

Esses espaços funcionam como áreas essenciais de organização da ferrovia.

É neles que trens podem esperar autorização, ser formados, cruzar outras composições ou passar por manobras antes de continuar viagem.

A necessidade aumenta quando diferentes fluxos convergem para um porto.

Um trem comprido parado no lugar errado pode bloquear outros movimentos e provocar um efeito em cadeia sobre toda a circulação.

Por isso, ampliar os pátios não significa apenas criar locais para guardar vagões.

Há uma diferença de recorte entre os números divulgados pelas fontes.

Enquanto a MRS e publicações especializadas apresentam seis pátios dentro do ciclo mais amplo de investimentos, a ANTT descreveu, em sua fiscalização de 30 de junho, quatro novos pátios dentro do programa regulatório específico e tratou algumas estruturas como concluídas e outras ainda em fase final naquele momento.

Mais de 90 quilômetros de trilhos passaram por modernização

Outra parte do trabalho ocorreu diretamente na via permanente, nome dado ao conjunto de trilhos, dormentes, fixações e demais elementos pelos quais os trens circulam.

Na contabilização divulgada pela MRS e reproduzida por entidades do setor, mais de 90 quilômetros de linhas receberam modernizações, incluindo substituição por trilhos do perfil TR-68.

Esse tipo de intervenção está relacionado à necessidade de suportar uma operação com maiores cargas por eixo, além de melhorar as condições para a circulação de composições pesadas.

A ANTT apresentou um recorte regulatório mais restrito e contabilizou, no programa acompanhado pela agência em junho, 82 quilômetros de trilhos e 11,8 quilômetros de novas linhas.

A diferença não necessariamente indica contradição, porque os números se referem a formas diferentes de agrupar as intervenções que compõem o pacote mais amplo anunciado pela concessionária.

126 aparelhos de mudança de via reorganizam os caminhos dos trens

Um dos números menos conhecidos do pacote talvez seja também um dos mais importantes para entender como uma ferrovia funciona.

Foram divulgados 126 novos Aparelhos de Mudança de Via, conhecidos pela sigla AMV, dentro da contabilização mais ampla das obras.

O AMV é o conjunto instalado nos trilhos que permite conduzir um trem de uma linha para outra.

É esse equipamento que possibilita, por exemplo, direcionar uma composição para determinado pátio, criar um cruzamento ou alterar sua rota dentro de uma região ferroviária complexa.

Quanto maior o número de trens e de caminhos possíveis, mais relevante se torna a capacidade de movimentar composições entre vias sem depender de uma única sequência operacional.

A modernização também está associada à elevação da capacidade para 32,5 toneladas por eixo, segundo informações divulgadas sobre o programa.

Novamente existe uma diferença de escopo nos registros públicos.

A ANTT mencionou 101 novos AMVs no conjunto regulatório acompanhado diretamente pela agência em 30 de junho, enquanto a contabilização mais abrangente divulgada no setor atribui 126 equipamentos ao ciclo de investimentos na Baixada Santista.

CCOI integra MRS, Rumo, VLI e FIPS na Baixada Santista

Construir trilhos e pátios resolveria apenas uma parte do desafio.

MRS, Rumo e VLI transportam cargas que precisam chegar à região portuária, enquanto a Ferrovia Interna do Porto de Santos, a FIPS, administra a infraestrutura ferroviária dentro do complexo portuário.

Historicamente, cada operação possui suas próprias necessidades, programação e prioridades.

Quando todos esses fluxos chegam à mesma região, uma decisão tomada por uma empresa pode afetar o movimento das demais.

O novo CCOI foi criado justamente para concentrar esse planejamento.

MRS, Rumo, VLI e FIPS passaram a trabalhar no mesmo ambiente de controle e programação, compartilhando informações necessárias para sincronizar os movimentos ferroviários na Baixada Santista.

O centro conta com 45 profissionais.

De acordo com os dados divulgados na inauguração, são 20 funcionários da MRS, 15 da FIPS, sete da Rumo e três da VLI.

Planejamento ferroviário começa três dias antes da chegada dos trens

Um dos conceitos adotados no centro é o chamado planejamento D+3.

Na prática, as equipes trabalham olhando até três dias à frente, tentando antecipar demandas e organizar a sequência de trens antes que as composições estejam todas disputando espaço nos mesmos trechos.

Essa antecipação permite relacionar chegada das cargas, disponibilidade de pátios, circulação ferroviária e condições da operação portuária.

Em um corredor no qual diferentes concessionárias utilizam trechos conectados, conhecer apenas a posição atual dos trens não basta.

É preciso saber o que está previsto para chegar nas próximas horas e nos dias seguintes.

O CCO Integrado já estava fisicamente concluído desde janeiro de 2026, segundo a ANTT, após investimento específico de R$ 9,3 milhões.

A inauguração operacional ocorreu em 30 de junho, quando autoridades e representantes das empresas apresentaram a estrutura como parte da reorganização ferroviária da Baixada Santista.

Investimentos de R$ 2 bilhões estão ligados à renovação da concessão

Os investimentos fazem parte das obrigações e projetos associados à renovação antecipada da concessão da MRS, assinada em julho de 2022.

O novo contrato estendeu a concessão até 2056 e estabeleceu um programa mais amplo de investimentos na malha ferroviária operada pela empresa no Sudeste.

No caso da Baixada Santista, a MRS informou ter chegado a aproximadamente R$ 2 bilhões aplicados no ciclo apresentado em junho de 2026.

A ANTT, ao acompanhar as obras naquele mesmo mês, utilizou a expressão “investimentos superiores a R$ 1,8 bilhão”.

As cifras são compatíveis com diferentes momentos e escopos de contabilização, mas por isso devem ser apresentadas com sua respectiva fonte.

Segundo a MRS, cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos foram gerados ao longo da execução das intervenções abrangidas pelo ciclo anunciado pela companhia.