09.07.2026 | Assessoria de Imprensa | Notícias do Mercado
Fonte: BN Americas Data: 07/07/2026

Foto: Divulgação MetrôDF
O metrô de Brasília , na capital do Brasil, abriu o processo de licitação para comprar 15 trens, em um contrato estimado em cerca de R$ 1 bilhão (US$ 195 milhões), que tende a gerar mais um capítulo na acirrada disputa entre fabricantes chineses e outros internacionais já instalados no País.
“O METRÔ-DF torna pública a realização de licitação presencial, com modo de disputa aberto e julgamento do tipo menor preço, objetivando a contratação integrada de serviço especializado de engenharia para desenvolvimento, fabricação sob especificação técnica, integração, testes, comissionamento e entrega operacional de 15 (quinze) TUEs – Trens Unidade Elétrica, compostos por quatro carros cada, com arranjo A+B+B+A, destinados à operação no sistema metroviário da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal – METRÔ-DF”, disse o operador de metrô da capital do país, por meio do Diário Oficial.
As empresas interessadas podem entregar suas respectivas propostas até o dia 15 de setembro, às 10 horas.
A compra de trens ocorre em meio a planos de expansão do metrô. Atualmente, o metrô do DF está realizando obras de expansão da Linha 1, enquanto prepara licitação para ampliação até , adicionando 6 km à rede atual e construindo novas estações. Ceilândia
Além disso, o governo do Distrito Federal anunciou avanços nos estudos para construção da futura Linha 2, com valor estimado em R$ 20,4 bilhões. A Linha 2 deverá ter cerca de 60 quilômetros de extensão.
Disputas com a China
A licitação para compra dos trens em Brasília deve gerar mais um capítulo na intensa disputa que o setor tem visto entre fabricantes chinesas e outra sjá estabelecidas há mais tempo no país.
Em licitações recentes de outras operadoras de sistemas metroviários e de trens de passageiros no Brasil, empresas como a chinesa têm ganhado tração, aumentando a competição para outras empresas do segmento, como a francesa , a espanhola e a brasileira Marcopolo, entre outras.
No mais recente episódio da disputa entre as empresas, no começo deste ano, a CRRC Changchun havia vencido uma licitação para venda de 10 trens ao metrô de Salvador, oferecendo um preço de R$ 490,4 milhões, menor que a proposta apresentada pela Alstom, de R$ 614,4 milhões.
Em junho deste ano, a comissão de licitação anunciou a desclassificação da CRRC, alegando descumprimento de uma exigência do edital relacionada ao credenciamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que resultaria na vitória da Alstom no contrato.
Porém, após recursos apresentados pela empresa chinesa, o metrô de Salvador publicou no Diário Oficial desta semana a vitória da CRRC Changchun.
Como parte de esforços das empresas com operação a mais tempo no Brasil, a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), defende que a licitação em Brasília aconteça de forma presencial e não via pregão eletrônico.
“Estamos falando de um contrato que envolve um grande volume de recursos e equipamentos sofisticados. Por isso, temos que garantir total transparência no processo. Em pregões eletrônicos, muitas vezes não fica claro quem está efetivamente por trás das propostas apresentadas,” disse à BNamericas Vicente Abate, presidente da Abifer.
Nos últimos anos, empresas chinesas têm expandido sua atuação em várias áreas no Brasil, gerando críticas de fabricantes já estabelecidos no país, em meio a desconfianças de que tais empresas teriam condições favoráveis de empréstimos, impostos e custos de mão de obra, amparadas pelo governo chinês, o que as colocaria em posição competitiva vantajosa.
Um dos segmentos que mais tem sofrido com a competição , que tem visto elevados níveis de importação afetar a produção local.
Além disso, no segmento de veículos, automóveis elétricos produzidos por empresas chinesas têm ganhado as ruas do Brasil. Recentemente, a Anfavea, associação dos fabricantes de veículos automotores do Brasil, lançou um manifesto pedindo ao governo federal para que não renovasse os benefícios para importação de veículos eletrificados pré-montados, medida que favoreceria fabricantes chineses, inclusive a ; porém, o governo federal renovou tais benefícios.
Empresas locais veem com reticência o crescente potencial de participantes chineses no mercado brasileiro, uma vez que tais empresas tendem a subcontratar apenas outras empresas chinesas.
Por outro lado, a despeito da pressão de empresas locais e de outros países, o governo brasileiro vê margem limitada de atuação, buscando evitar tensões diplomáticas com a China.
Atualmente, a China é o principal parceiro comercial do Brasil e, graças ao apetite chinês por produtos brasileiros, o Brasil conseguiu até agora mitigar problemas em sua balança comercial em meio às constantes exercidas pela administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“A presença chinesa em diversos contratos no Brasil realmente tem gerado desconforto entre empresas locais, mas o espaço de atuação do governo brasileiro é muito limitado. Hoje, do ponto de vista comercial, o Brasil depende de uma boa relação com a China para fazer um contraponto às constantes ameaças tarifárias vindas dos Estados Unidos”, disse à BNamericas André Pereira César, analista político da Hold Consultoria.