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ABIFER na mídia | Projetos ferroviários de passageiros avançam e elevam concorrência na América Latina

26.03.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: BNAmericas

A América Latina está presenciando uma série de iniciativas associadas a projetos de transporte de passageiros sobre trilhos nos primeiros meses de 2026.

Porém, ao mesmo tempo que os stakeholders se preparam para capturar oportunidades, surgem críticas em meio à crescente concorrência de empresas chinesas.

Esse cenário tem gerado manifestações de empresas já estabelecidas na região, centradas na crescente competição no setor de equipamentos ferroviários e no risco de expansão dessa concorrência para outras áreas de negócios.

“Eu acredito que o cenário que hoje vivemos no nosso segmento pode se espalhar também e atingir empresas de engenharia e construção, uma vez que as empresas chinesas são extremamente agressivas nas suas estratégias de negócios”, disse Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), à BNamericas.

A ABIFER, em conjunto com o Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários, SIMEFRE, publicou um manifesto ressaltando “profunda preocupação” com o avanço da participação de fornecedores estrangeiros – em especial da indústria ferroviária chinesa – no mercado brasileiro, em condições que têm se mostrado assimétricas e prejudiciais à indústria nacional, segundo as entidades.

“Não temos receios da concorrência, porque somos uma indústria estratégica, competitiva e sustentável, o que nós queremos é uma competição justa com as empresas chinesas, queremos isonomia tributária”, disse Abate.

A ABIFER representa empresas multinacionais com operações no Brasil, como AlstomCAF Hyundai Rotem.

As empresas com presença industrial local afirmam que companhias chinesas têm instalado unidades pequenas na região, utilizadas não para fabricação completa de equipamentos do setor, mas apenas para montagem, o que gera baixo volume de empregos e de produção com conteúdo local. Os impactos para a indústria têm sido generalizados na região.

“A experiência internacional demonstra os riscos da omissão. A indústria ferroviária argentina, outrora mais desenvolvida que a brasileira, foi profundamente desestruturada pela forte atuação da indústria chinesa naquele país, resultando no desaparecimento da fabricação local de trens, peças, sobressalentes e serviços de assistência técnica. Esse não é o caminho que o Brasil deseja trilhar”, disseram a ABIFER e o SIMEFRE.

O cenário de intensa competição ocorre em meio a uma robusta carteira de projetos e iniciativas. A BNamericas destaca a seguir as principais iniciativas planejadas na região no setor de transporte de passageiros.

Brasil

No Brasil, o governo do estado de Minas Gerais está avaliando a expansão da rede metroviária em um projeto que pode demandar investimentos de R$9,3 bilhões (bi) (US$1,8 bi).

O plano refere-se à construção de duas novas linhas no metrô que atenderá a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), as linhas três e quatro.

Ao mesmo tempo, o metrô de São Paulo iniciou 2026 com aumento relevante de investimentos, revisando para cima o valor total a ser desembolsado neste ano, que já era recorde. O orçamento deve atingir R$5,9bi. No início do ano, o governo do estado havia anunciado R$5,4bi para 2026, montante que já superava o recorde anterior de R$4,8bi registrados em 2025.

Em janeiro, o Metrô investiu quase R$404 milhões (mi) em seus projetos, aumento de 80% em comparação com R$224mi aplicados em janeiro de 2025.

Além disso, para este ano, o governo do estado de São Paulo pretende leiloar o contrato de parceria público-privada (PPP) de R$19bi ligado às linhas 10 e 14 de trens metropolitanos, além do Trem Intercidades Eixo Oeste, projeto que visa ligar a capital São Paulo a Sorocaba, com investimentos estimados em R$11,9bi

México

O governo do México está avançando na construção do Trem do Norte e prepara novas licitações para infraestrutura e sistemas operacionais do projeto.

A iniciativa contempla dois corredores principais – Ciudad de México–Querétaro–Irapuato e Saltillo–Nuevo Laredo – que somarão 730 km de vias e atenderão uma demanda estimada de 70.000 passageiros diários, segundo a Secretaria de Infraestrutura, Comunicações e Transportes (SICT).

O corredor central, de 334 km, concentrará cerca de 50.000 passageiros diários, enquanto a rota Saltillo–Nuevo Laredo, de 396 km, deverá mobilizar cerca de 20.000 usuários por dia.

As obras já estão em andamento, com instalação de vias e construção de estações, viadutos e bases de manutenção.

Também estão em licitação sistemas de sinalização, controle e telecomunicações.

O projeto integra a estratégia ferroviária do governo da presidente Claudia Sheinbaum para fortalecer a conectividade e o desenvolvimento econômico.

O sistema contará com 47 trens, cujo contrato foi vencido pela Alstom México.

Argentina

Na Argentina, crescem as expectativas em torno da licitação de US$1,35bi para a Linha F do metrô de Buenos Aires, que deve ser a primeira nova linha construída em 25 anos.

O projeto prevê uma linha subterrânea de 9,8 km com 12 estações, conectando Palermo e Barrancas, com integração às linhas A, B, C, D, E e H.

A abertura das propostas está prevista para 22 de abril e durante uma chamada para manifestações de interesse atraiu inscrições de 22 empresas, incluindo Alstom, Acciona e a Chinesa CRRC.

Chile 

A operadora do metrô de Santiago planeja investir US$9,3bi para construir três novas linhas até 2033. As obras estão em andamento em duas — linhas 7 (US$2,53bi) e 9 (US$2,73bi) — enquanto uma terceira, a linha 8 (US$1,9bi), está em avaliação ambiental.

Embora não se espere que novas linhas entrem em operação antes de 2028, a operadora Metro de Santiago está avançando com licitações para novos projetos, incluindo estudos, obras civis e contratos de material circulante.

Colômbia

O metrô de Bogotá convocou as empresas interessadas a apresentar, até 5 de junho, pedidos de pré-qualificação para a licitação pública internacional destinada a construir, operar e manter a Linha 2, um projeto-chave para ampliar o sistema de transporte de massa da capital colombiana.

O projeto está avaliado em 34,9 trilhões de pesos (US$9,3 bilhões) e a licitação está prevista para o primeiro trimestre de 2027.

As empresas que forem pré?qualificadas avançarão para a segunda fase da licitação, na qual deverão apresentar suas ofertas.

A Linha 2 contempla 15,5 km de extensão que conectarão as localidades de Chapinero, Barrios Unidos, Engativá e Suba.

Equador

No Equador, a empresa espanhola Técnica y Proyectos S.A. (TYPSA) iniciou estudos para ampliar a Linha 1 do metrô de Quito.

O contrato contempla o projeto de engenharia para a construção de aproximadamente 5,3 km de túnel desde a estação El Labrador até La Ofelia, a incorporação de quatro novas estações, a delimitação e traçado de alternativas para uma futura ampliação em direção a Calderón e recomendações técnicas para fortalecer o subsistema ferroviário atual.

A administração de Quito espera receber no último trimestre de 2026 os projetos definitivos da ampliação da Linha 1, o que permitirá contar com os insumos técnicos necessários para abrir o processo contratual de construção. A licitação de obra pode acontecer ao longo do segundo semestre de 2027. Não existem cifras definitivas atualizadas sobre o custo da ampliação, embora estimativas preliminares realizadas no passado o tenham situado em cerca de US$500mi.

Peru

A Agência de Promoção do Investimento Privado do Peru, ProInversión, declarou no começo de Março a viabilidade do projeto de ampliação da Linha 1 do metrô de Lima.

Com a declaração, agora é possível avançar para a estruturação de um modelo contratual do projeto.

O investimento estimado é de cerca de US$4 bilhões e inclui a expansão da frota para 92 trens.

Panamá

A secretaria de PPP do Panamá, a SNAPP, estuda a aplicação do modelo de PPP ao projeto ferroviário Panamá–David, além da adoção de PPPs para contratos de operação, manutenção e equipamentos das linhas de metrô.

Foto: Metrô BH