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Com ano eleitoral, 84% do mercado de infraestrutura vê impacto nos negócios

29.01.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Valor
Data: 28/01/2026

Com eleições no governo federal e nos Estados em 2026, 84% do setor de infraestrutura prevê algum impacto do ambiente político em seus negócios neste ano, segundo pesquisa da EY e da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Segundo o levantamento, 48,15% veem um impacto parcial, enquanto 36,11% apontam um efeito substancial do cenário eleitoral sobre os negócios. Para 11,57%, não deverá haver impactos, e os demais não souberam responder. A pesquisa ouviu 225 atores do setor, entre 20 de novembro de 13 de dezembro.

No caso dos leilões, a perspectiva das eleições deverá acelerar a realização de licitações no primeiro semestre e poderá interromper processos na segunda metade do ano, avalia Gustavo Gusmão, sócio da EY para o setor de Governo e Infraestrutura.

“Vemos muitos governos querendo acelerar leilões, inclusive para usá-los como plataforma de eleição e capitalizar no mandato. Então o primeiro semestre deverá ser mais acelerado e tem estofo para isso, muito estoque de projetos. Depois, deverá haver algum nível de impacto. Quando se fala em decisões estratégicas de fazer ou não leilão. Talvez sejam interrompidos e fiquem aguardando definições”, afirmou.

O levantamento apontou que 43,52% dos entrevistados apostam em um cenário de novas licitações semelhante ao de 2025, enquanto 33,8% acreditam que haverá uma redução. Para 15,74%, os leilões deverão aumentar, e 6,94% não responderam.

Na visão de Miguel Gomes Ferreira, sócio-fundador da gestora Bocaina, que é focada em crédito para infraestrutura, deverá haver mais volatilidade neste ano, mas as oportunidades continuam. “Muitos leilões vão acontecer, muitos também já aconteceram, mas o capital ainda não entrou”, disse o executivo na última terça-feira (27), durante evento do UBS em São Paulo.

No âmbito federal, ele também vislumbra uma continuidade independentemente do resultado eleitoral. “Tem um cenário que é o de continuidade [do atual governo]. Por bem ou por mal, as coisas em infraestrutura estão andando, embora tenha um custo de capital no país que não é desejável, nos projetos a conta continua fechando. Ou, se não tiver continuidade, em outro tipo de governo, é um governo que a priori, para infraestrutura, deveria funcionar. Então não acho que o ambiente eleitoral impacta as oportunidades, vai ter volatilidade, mas acho que continua”, afirmou.

Impacto nos reequilíbrios

Já no caso de concessões em andamento, Gusmão aponta possíveis efeitos mais significativos, principalmente na aprovação de reequilíbrios econômico-financeiros dos contratos que possam gerar impacto aos usuários dos serviços.

“Os reequilíbrios, que já são morosos, podem ter impacto. Esse momento eleitoral é difícil, há resistência em discutir temas que podem se refletir em aumento de tarifa”, disse.

Ele destaca que um dos temas que deverá ser levantado neste ano pelas concessionárias de infraestrutura, com potencial impacto nas tarifas, serão os reequilíbrios decorrentes da reforma tributária, que elevará as alíquotas das empresas.

Os efeitos no fluxo de caixa das companhias deverão ser sentidos principalmente a partir de 2027, mas Gusmão afirma que as companhias já deverão iniciar as discussões neste ano, para evitar um impacto muito grande.

“Em algum momento vai ter que ter reequilíbrio dos contratos vigentes. Sabendo que se trata de um tema novo, imagina-se que levará meses, anos, então em 2026 deverá ter uma corrida para buscar disciplinar os reequilíbrios, e vários setores vão ter que ter soluções estruturantes para o tema de reforma tributária”, disse.

Já do lado do risco de crédito das empresas de infraestrutura, Ulisses Nehmi, CEO da Sparta, avalia que o setor tem características que dão estabilidade em momentos de turbulência. “O setor tem uma grande vantagem que, quando toma dívida, já é pré-fixada, já travou a taxa. Isso dá muita previsibilidade. Do lado do risco de crédito acho que é relativamente tranquilo”, disse ele.

Já para os investidores, em especial fundos indexados à inflação, a incerteza de um ano eleitoral pode ter impacto. “Se der uma chacoalhada no mercado, isso pode gerar volatilidade, vai ter que ver se o investidor vai aceitar ou não.”