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Editorial: O necessário investimento nas estradas de ferro em todo o país

14.05.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Correio do Povo (RS)
Data: 09/05/2026

 

Em muitos países desenvolvidos, o sistema de escoamento da produção envolve vários modais, todos integrados, aí inclusos o rodoviário, o ferroviário, o hidroviário e o aeroviário. Contudo, no Brasil, essa integração praticamente inexiste, não obstante nosso potencial de meios de transportes, havendo uma preferência pelo uso das estradas para o deslocamento de pessoas e de cargas. Isso tem resultado em fretes mais caros por conta do estado dessas vias, bem como pela manutenção mais elevada que elas demandam, além da poluição decorrente do aumento de gases nocivos à atmosfera.

Nesse contexto, vários especialistas ressaltam a importância de retomar o transporte ferroviário, o que terá várias incidências positivas, como o menor custo para que as mercadorias circulem e o descongestionamento das rodovias, diminuindo o número de acidentes, com menos mortes e feridos no trânsito entre nossas cidades. São dois bons motivos para olhar com atenção para esse segmento, que tem um retorno a ser dado no sentido do nosso crescimento econômico. Para tanto, há que se realizarem os investimentos necessários, que não podem mais ser adiados em uma nação que enfrenta uma crise logística que eleva o custo de sua produção, tornando-a menos competitiva no mercado global. Diante dessa realidade, emerge como promissora a iniciativa do governo federal de retomada e expansão ferroviária, com mais de R$ 140 bilhões previstos em aportes até 2026, podendo chegar a um montante de R$ 800 bilhões, um valor significativo. Por sua vez, o RS se depara com desafios graves de infraestrutura e espera a nova concessão da Malha Sul para recuperar sua capacidade produtiva e reduzir a dependência das vias terrestres.

Já faz muito tempo que os trens praticamente desapareceram das paisagens gaúchas e também tiveram severa diminuição nos seus destinos pelos cenários do país. Em termos de mobilidade, de melhor custo-benefício na comparação com outros modais, de contribuição para a retomada do crescimento econômico, as estradas de ferro se mostram como uma alternativa que precisa ser mais bem explorada, com o fomento dos entes federados e da iniciativa privada.