09.02.2026 | ABIFER | Notícias do Mercado
Fonte: Valor Data: 05/02/2026
A escassez de equipe técnica especializada e o financiamento dos estudos são os principais desafios apontados por estatais que fazem a estruturação de projetos de infraestrutura, segundo estudo realizado por Maurício Euclides de Melo, diretor da InvestSC, e por Gabriel Fajardo, diretor da Companhia de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais.
A pesquisa ouviu gestores de 13 empresas estatais que realizam estruturação de projetos de infraestrutura, tanto no governo federal quanto em Estados (Santa Catarina, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Maranhão, Minas Gerais, Sergipe e Goiás). As respostas foram coletadas entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
A iniciativa surgiu de uma necessidade de entender melhor a atuação dessas empresas e identificar boas práticas que possam ser replicadas entre elas, segundo Fajardo. “Vemos muitas experiências de Estados e até municípios muito diferentes, algumas com muita musculatura, outras muito neófitas tentando aprender, e enquanto isso o governo federal protagoniza a estruturação de projetos, mesmo nos Estados. Procuramos fazer um diagnóstico.”
Segundo ele, uma surpresa foi observar que algumas empresas estaduais estão até mais avançadas do que as federais em termos de governança, e que há inovações das estatais dos entes subnacionais.
A análise revelou que a maior parte das estatais (53,8%) é deficitária e recebe recursos orçamentários, da própria empresa ou do governo. Em 23,1%, os custos são cobertos pelas receitas, sem gerar lucro, e nas demais 23,1% há superávit.
Entre as fontes de receita apontadas pelas empresas, a principal é o pagamento pelos serviços prestados. Na sequência, vêm os aportes do Tesouro e recursos da própria estatal (nos casos em que a companhia atua em outras frentes além da estruturação dos projetos).
Na avaliação de Fajardo, é importante que as companhias busquem uma independência financeira, ao menos para garantir a continuidade de seus trabalhos e evitar que cortes orçamentários prejudiquem o andamento dos projetos. “A grande questão é conseguir não ser visto como um valor que pode ser contingenciado, porque os ciclos de projetos precisam necessariamente de continuidade. A estatal pode até ser dependente, se for configurado que a atividade é de um interesse coletivo, mas é importante que tenha musculatura”, afirmou.
Ele também destaca como um ponto positivo a busca de algumas empresas por outras atividades, como a prestação de serviços de gestão contratual ou de planejamento estratégico. “A empresa tem que se colocar no mercado como competidor para angariar seus recursos. Muitas estão estruturando áreas de novos negócios”, disse.
No raio-x traçado pelo levantamento, foram identificados 353 funcionários no total trabalhando nessas áreas das estatais. A maior parte das companhias têm equipes entre dez e vinte empregados.
Os dados indicam que 46,2% das estatais trabalham apenas com funcionários comissionados, o que, segundo os pesquisadores, pode gerar baixa retenção do conhecimento. Em 38,5% delas, há uma mistura entre comissionados e efetivos, e em 15,4% há apenas efetivos.
Além disso, há uma participação relevante de consultores externos nos estudos conduzidos pelas estatais: 46,2% delas trabalham com um modelo híbrido de 50%-50% entre equipes internas e de fora, enquanto 23,1% usam majoritariamente trabalho externo.