27.04.2026 | ABIFER | Notícias do Mercado
Fonte: Revista Ferroviária Data: 23/04/2026
Metrô de São Paulo, nesta quinta-feira (23), deu um passo para viabilizar a Linha 22–Marrom. A companhia protocolou junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) o pedido de Licença Ambiental Prévia (LP), etapa fundamental para o avanço do ramal que pretende levar o sistema metroviário até o município de Cotia.
A solicitação foi acompanhada da entrega do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA), documento que reúne informações detalhadas sobre o traçado, localização de estações, poços de escavação, áreas de intervenção e impactos sobre vegetação e território.
A partir de agora, caberá ao órgão ambiental conduzir a avaliação técnica do material. Concluída essa etapa, será emitido um parecer que poderá autorizar a licença, abrindo caminho para as próximas fases do projeto.
A Linha 22–Marrom terá ao todo 19 estações: dez na capital paulista, sete em Cotia e duas em Osasco, município que funcionará como elo intermediário do trajeto, com as paradas na sua região sul.
O ramal foi concebido para atender regiões hoje dependentes, sobretudo, do transporte por ônibus. O traçado inclui áreas estratégicas e em expansão, como a região da Reserva Raposo, passa pela Universidade de São Paulo (USP), cruza o eixo da Faria Lima — um dos principais polos econômicos da cidade — e segue até o centro de Cotia, onde haverá integração com o terminal metropolitano.
O projeto também prevê quatro conexões com a rede sobre trilhos: com a Linha 2–Verde, na estação Sumaré (ponto inicial); com a Linha 4–Amarela, na estação Faria Lima; com a Linha 9–Esmeralda, na estação Hebraica–Rebouças; e com a futura Linha 20–Rosa, ainda em fase de planejamento, na estação Cardeal Arcoverde.
Apesar dos avanços, ainda não há prazo definido para o início das obras ou entrega da linha, em razão das etapas técnicas e ambientais em curso. Mas é conhecido que a execução será dividida em dois lotes: o Lote 1, contemplando Cotia e Osasco, e o Lote 2, abrangendo o trecho dentro da capital.
O que já está definido
De acordo com o anteprojeto, o Metrô estabeleceu o uso de três tuneladoras (TBMs) para a escavação dos túneis, partindo de Cotia em direção a São Paulo. A estratégia construtiva, no entanto, combina diferentes métodos: além dos “tatuzões”, será empregado o método austríaco (NATM) em trechos específicos, como na ligação com o pátio e nas estações do trecho final em Cotia.
Inspirado em layouts asiáticos, o projeto prioriza alta capacidade: cada composição poderá transportar até 1.274 passageiros, com oferta estimada de 45.864 lugares por hora e intervalos mínimos de 100 segundos. A frota prevista é de 48 trens.
A inovação também se estende à infraestrutura das estações. O projeto prevê a instalação de “super elevadores” em Granja Viana e Santa Maria — devido à alta demanda projetada —, além de Cardeal Arcoverde, Hospital Universitário, Cohab Raposo, São George e Terminal Cotia, onde a profundidade das plataformas exigirá a solução pioneira no metrô paulista.
Segundo a companhia, a adoção desses equipamentos de alta capacidade permitirá reduzir custos operacionais e consumo de energia, além de otimizar o tempo de deslocamento dos passageiros entre acessos e plataformas.