Av. Paulista, 1313 - 9º Andar - Conjunto 912 (11) 3289-1667 [email protected]
pt-bren

No Brasil, só uma em cada cinco cargas segue por ferrovia; conheça os projetos para mudar esse cenário

31.07.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: O Globo
Data: 29/07/2026

Estima-se que algo entre 15% e 20% das cargas transportadas no Brasil sigam para seus destinos pelos 12 mil km de ferrovias em operação no país. Esse percentual equivale a cerca de 500 milhões de toneladas por ano, e não cresce há mais de duas décadas. A China transporta 3,9 bilhões de toneladas de carga por ano em mais de 162 mil km de trilhos. Os Estados Unidos, outras 2 bilhões de toneladas por uma malha de 225 mil km.

— Há mais de 20 anos a capacidade de transporte no setor ferroviário não cresce e atualmente está parada em 550 milhões de toneladas ao ano. Os investimentos públicos praticamente estagnaram — diz Luis Baldez, presidente executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (Anut).

Segundo estimativas da Infra S.A, empresa pública federal vinculada ao Ministério dos Transportes, que atua no planejamento e estruturação de projetos de infraestrutura logística, as ferrovias respondem por entre 18% e 21% da matriz de carga do país. Commodities como minério e grãos (especialmente soja e milho) representam uma fatia que varia entre 70% e 90% do total movimentado.

Essa concentração reflete a estrutura da malha ferroviária, desenhada para o escoamento de grandes volumes de exportação rumo aos portos. A fatia de bens industrializados que percorre o país por trilhos é ínfima, dizem especialistas.

Extensão caiu pela metade

Baldez, da Anut, observa que houve um processo de abandono e paralisação de parte desse modal, reduzindo a extensão de ferrovias operacionais no país de 30 mil km para apenas 12 mil km. O custo de implantação de ferrovias é elevado e pode superar R$ 20 milhões por quilômetro. O investidor privado também via com cautela os projetos de concessão realizados no passado.

Historicamente, o modelo de concessão exigia que o investidor assumisse riscos que, muitas vezes, não conseguia quantificar ou gerir. As operadoras eram forçadas a ser construtoras, afastando empresas estrangeiras especializadas no setor, pois uma operadora global não queria correr riscos de engenharia e construção civil em um ambiente como o brasileiro.

— Modelagens anteriores não previam o compartilhamento de riscos geológicos ou de variações excessivas de custo entre o projeto de referência e o executivo, o que agora está sendo corrigido nos novos editais — explica David Goldberg, sócio-diretor A&M Infra.

Investimentos de R$ 127,1 bi

Para reverter esse cenário, o Ministério dos Transportes informou que tem uma lista de projetos de investimentos estimada em R$ 127,1 bilhões para concessões ferroviárias, com oito projetos a serem concedidos em leilões. Os principais, segundo o ministério, incluem o Corredor Leste-Oeste. Com investimentos previstos de R$ 58,2 bilhões, o corredor vai conectar o interior do Centro-Oeste a portos no litoral da Bahia.

Trata-se da união da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). Juntas, elas formarão um corredor logístico transversal no Brasil, com mais de 1,7 mil km, podendo baratear em até 30% o escoamento de grãos e minério até os portos. A Ferrogrão (EF-170) é um megaprojeto de ferrovia de 933 km que ligará Sinop, no Mato Grosso, o maior polo produtor de grãos do país, ao porto de Miritituba (Pará).

Ferrogrão será uma das vias mais importantes do país e um dos ativos mais aguardados pelos investidores. Com 933 km de extensão, tem papel estruturante para o escoamento da produção de milho, soja e farelo de soja do estado do Mato Grosso, prevendo-se ainda o transporte de óleo de soja, fertilizantes, açúcar, etanol e derivados do petróleo. São esperados investimentos de R$ 8,4 bilhões no projeto de concessão. Assessoria Especial de Comunicação Ministério da Infraestrutura

Seu objetivo é baratear o custo do frete e escoar soja e milho pelo Arco Norte, que abrange portos e estações de transbordo no Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Maranhão. Também está na pauta a relicitação da Malha Oeste, uma ferrovia de 1.625 km que liga Mairinque (São Paulo) a Corumbá (Mato Grosso do Sul). São investimentos de R$ 29 bilhões.

O contrato original com a concessionária Rumo chegou ao fim, e o governo federal prorrogou a gestão temporária da empresa até a conclusão do processo pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para realizar o novo leilão.

O Anel Ferroviário do Sudeste (projeto da ferrovia EF-118) é uma nova malha ferroviária projetada para ligar o Porto do Açu, em São João da Barra (Rio de Janeiro), a Santa Leopoldina (Espírito Santo). Orçado em R$ 6,6 bilhões, o projeto cria uma nova rota de exportação e integração logística conectando ferrovias e portos, com o traçado total podendo atingir até 575 km.

Esse projeto integra a malha fluminense à rede nacional, escoando grãos e minérios do Centro-Oeste e de Minas Gerais para os portos do Rio de Janeiro e Espírito Santo. De acordo com David Goldberg, da A&M Infra, esse é o projeto de concessão mais avançado, que tem o investimento mais baixo se comparado aos demais.

O processo já se encontra no TCU, em fase de análises finais. A EF-118, diz Goldberg, vai inaugurar um modelo de concessão em que o projeto, por não gerar caixa suficiente para pagar os investimentos sozinho, conta com apoio público.

Para a Cedro Mineração, um ponto estratégico para a empresa é trabalhar na redução de gargalos logísticos.

A empresa está com um projeto similar na cidade de Mariana: TCLD (transporte por correia de longa distância) para atender ao principal cliente.

— Tais projetos reduzem significativamente a emissão de carbono e reduzem os impactos ambientais da mineração — explica Nacle.

O setor privado vê com interesse e cautela os projetos de concessão de ferrovias. A Perfin, gestora que investe em infraestrutura, informou que no modal ferroviário tem participação como acionista da Cosan, através da Rumo Logística. A participação em novos leilões é analisada com base em “critérios estritos de disciplina de capital e retorno adequado ao risco para os fundos.”

A VLI, outro grande player do setor de logística e ferrovias, informou que analisa todas as oportunidades do mercado. O consenso entre investidores é que o sucesso das concessões dependerá da clareza das matrizes de risco de cada projeto, mas também do apoio público para viabilizar concessões que não se sustentam apenas com tarifas.

Financiamento do BNDES

O BNDES informou que pode financiar até 80% dos projetos com prazos de até 40 anos e oferecer condições que não “destruam” a rentabilidade do projeto nos primeiros oito a dez anos de fluxo de caixa negativo.

Segundo o BNDES, desde 2023, o banco aprovou R$ 55 bilhões destinados à logística (rodovias e ferrovias). A CNI diz que o país precisaria investir R$ 70 bilhões por ano para modernizar o setor.

Conteúdo Publicitário

Mais do Globo

Piloto conseguiu se ejetar antes da queda de um F-35 na base de Miramar; causas do acidente ainda são investigadas

Caça americano cai em San Diego e provoca incêndio em base aérea

Atriz contou que havia uma divergência considerada decisiva para ela e afirmou que a separação aconteceu de forma inesperada

Saiba quem é Marcus Rocha, ex-marido de Nívea Stelmann; atriz anunciou o fim do relacionamento após 14 anos

Relatos indicam que a franquia ganhará um novo e muito aguardado capítulo

Disney prepara novo filme de 'Esqueceram de mim' com retorno aguardado: 'Todo mundo quer que isso aconteça'
Conteúdo de Marca

Com mais de 30 mil pacientes atendidos, fisioterapeuta dermatofuncional se consolida como uma das refere?ncias em Endolaser e harmonizac?a?o corporal ao unir tecnologia, conhecimento internacional e uma filosofia voltada para resultados naturais e uma conexa?o genui?na com seus pacientes.

Este?tica de alta performance: a visa?o de Dra. Fernanda Berlato que transforma a harmonizac?a?o corporal
Conteúdo de Marca

A? frente da Learnability School, especialista afirma que promover bons te?cnicos sem desenvolver compete?ncias de gesta?o aumenta os riscos para equipes e nego?cios

Danieli Wegermann destaca os desafios da primeira lideranc?a

Encontro entre as mães e paciente ocorreu na Ucrânia e foi marcado também pelos agradecimentos da mãe da criança

Vídeo: Mãe escuta coração da filha morta em peito de menino transplantado e comove a web

Apresentador apareceu abraçado com Luiz Felipe Schmidt em momento descontraído

Tadeu Schmidt reencontra irmão pela primeira vez após morte de Oscar e mãe: 'Agora somos nós dois'; fotos