27.07.2026 | Assessoria de Imprensa | Notícias do Mercado
Fonte: Linkedin de Drew Crawford
Data: 25/07/2026
O Brasil terminou uma estrada em 2019 e redesenhou, sem alarde, por onde o grão sai do país.
A estrada é a BR-163, que sobe de Mato Grosso para o Pará.
As obras começaram nos anos 1970 e os últimos 51 quilômetros ficaram no chão de terra por décadas.
Dois batalhões de engenharia do Exército pavimentaram esse trecho final em novembro de 2019, chegando a um distrito ribeirinho chamado Miritituba.
Miritituba fica na margem do rio Tapajós, que deságua no Amazonas.
Os caminhões descarregam ali em estações de transbordo, e as barcaças levam o grão até Santarém, Barcarena e Santana.
O distrito tinha poucas dessas estações há alguns anos e hoje tem dezessete.
Só a Cargill opera uma construída para movimentar 4 milhões de toneladas por ano.
As exportações de grãos pelos portos do Norte saíram de 36,5 milhões de toneladas em 2021 para 58 milhões de toneladas em 2025, uma alta de 59%.
Nos dez primeiros meses de 2025, esses portos responderam por 37,2% de toda a soja exportada pelo Brasil e por 41,3% do milho.
Depois disso, a rota passou a funcionar nos dois sentidos.
O fertilizante que entra no Brasil pelos portos do Norte chegou a 13,3 milhões de toneladas em 2025, contra 10,8 milhões em Paranaguá, no Sul.
O produtor de Mato Grosso hoje compra insumo e vende safra pelo mesmo rio.
O gargalo se mudou junto com o tráfego.
Em janeiro de 2026 a colheita chegou toda de uma vez, os caminhões formaram fila na entrada dos terminais de Miritituba e o frete saindo de Sorriso subiu para R$ 330 por tonelada.
Os últimos quilômetros até esses terminais, um ramal chamado Transportuária, seguem sem asfalto.
As empresas dos terminais pagam do próprio bolso todo mês para manter o ramal trafegável, e o novo acesso está previsto para o fim de 2026.
O frete sai do preço que o produtor recebe na porteira.
Quando os terminais travam, esse desconto aumenta.
Uma fazenda no norte de Mato Grosso vale o que a safra dela rende depois que os caminhões passam.
O Brasil asfaltou os 1.600 quilômetros até Miritituba e deixou os últimos no barro.