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Retomada da economia depende de investimentos privados

11.09.2020 | | Notícias do Mercado

Foto: Iano Andrade / CNI

Até o fim de 2022, os contratos no setor de infraestrutura devem somar R$ 250 bilhões e criarão condições para a retomada da economia, com impulso no setor produtivo e na geração de emprego. Só em ferrovias, a expectativa é de R$ 40 bilhões em investimentos privados, sendo a maior parte para projetos de ligação entre os centros produtores e os portos.

Os números foram citados pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, no webinar Indústria em Debate – infraestrutura e retomada da economia, realizado pela Editora Globo em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Social da Indústria (SESI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

O debate virtual teve a participação do presidente da CNI, Robson Braga de Andrade; do economista e especialista em infraestrutura Cláudio Frischtak e do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), Gilberto Porcello Petry, com mediação de Ascânio Seleme, colunista do jornal O GLOBO.

– Só no Ministério da Infraestrutura vamos contratar R$ 250 bilhões em investimento. É um objetivo ousado, porém possível. São 43 aeroportos e dezenas de terminais portuários. As coisas estão alinhadas. O aumento da oferta ferroviária vai ter reflexo no frete, em competitividade e de forma imediata no emprego – disse o ministro.

Tarcísio de Freitas aposta na atração de investidores nacionais e estrangeiros:

– Vamos trabalhar pelo aumento da produtividade e o combate à desigualdade. A infraestrutura vai ser uma alavanca. Temos tudo para trazer investimentos: respeito ao contrato, portfólio, boas taxas de retorno, estruturação sofisticada, bons ativos, projetos alinhados a padrões firmes de sustentabilidade.

Os planos de infraestrutura não entram em conflito com a responsabilidade fiscal, assegurou o ministro, que reforçou a decisão de concluir obras já iniciadas por outros governos. Robson Andrade lembrou que um estudo da CNI já apontava o grande número de obras paralisadas e a importância de que fossem retomadas:

– Muita coisa já foi feita, como a BR 163 (rodovia por onde escoam os grãos do centro do país para os portos do Norte). No setor de ferrovias, há um excelente programa de ligar o Norte ao Sul, o Centro-Oeste ao Rio de Janeiro.

SEGURANÇA JURÍDICA

Robson Andrade destacou a importância de haver previsibilidade para os investimentos, de o país modernizar as legislações e aprovar marcos legais para o setor.

– O Brasil tem grandes possibilidades de atrair investimento externo desde que quem está lá fora diga: “tenho segurança jurídica, tenho marco regulatório, tenho legislação adequada, tenho um sistema de licenciamento ambiental moderno, ágil, tenho um sistema tributário compreensível – afirmou o presidente da CNI.

O especialista Cláudio Frischtak calcula que o país precisa investir 4% do PIB ao ano, durante 20 anos, para modernizar a infraestrutura. O investimento atual é de apenas 1,8% do PIB.

– O país tem dois grandes desafios: aumentar a produtividade para crescer de forma sustentável e reduzir a desigualdade. Os investimentos em infraestrutura, junto com educação e saúde, são capazes disto. O protagonismo será do setor privado – destacou Frischtak.

A determinação de entregar as obras retomadas logo que são concluídas foi elogiada pelo presidente da FIERGS. Ele deu o exemplo da BR-116, no Rio Grande do Sul.

– Se ficavam prontos oito quilômetros, eram entregues. Mais cinco quilômetros, entregues de novo. Nesse somatório, foram 91 quilômetros. Diminui o tempo que as pessoas levam naquele trecho com duas pistas, o valor do frete e fundamentalmente o número de acidentes. Se esperar acabar tudo para inaugurar tudo, o primeiro trecho já estará velho – disse Gilberto Petry.

 

Fonte: O Globo

Data: 10/09/2020