Av. Paulista, 1313 - 9º Andar - Conjunto 912 (11) 3289-1667 [email protected]
pt-bren

SP nos Trilhos: O que é obra e o que é projeto no pacote de R$ 190 bi

05.01.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Mobilidade 360
Data: 04/01/2026

O governo estadual apresentou um balanço consolidado do programa “SP nos Trilhos”, carteira de projetos estruturada pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) que soma cerca de R$ 190 bilhões em investimentos estimados. A iniciativa reúne mais de 40 projetos e promete ultrapassar a marca de 1.000 quilômetros de novas linhas, integrando a capital, o interior e o litoral, com uma projeção de gerar 150 mil empregos.

Para o passageiro que enfrenta a lotação diária e para o setor de infraestrutura, os números são superlativos. No entanto, uma leitura técnica exige separar o que já é canteiro de obras daquilo que ainda está em fase de planejamento ou modelagem. O pacote mescla intervenções em estágio avançado de engenharia civil com projetos que dependem de complexas equações financeiras para saírem do papel.

A seguir, o Mobilidade360 detalha o status de cada frente de obra. Para isso, dividimos a análise do cronograma em três eixos principais. O primeiro foco é o transporte metropolitano de alta capacidade (Metrô). Na sequência, abordamos a remodelação profunda das linhas suburbanas (CPTM). Além disso, destacamos a retomada do transporte regional (Trens Intercidades).

Metrô: Obras brutas e a realidade da Linha 6

No perímetro urbano da capital, o destaque físico é, inquestionavelmente, a Linha 6-Laranja. Considerada a maior obra de mobilidade urbana em execução no Brasil, o projeto atingiu 75% de conclusão em 2025. Com um aporte estimado de R$ 19,1 bilhões e mais de 10 mil trabalhadores mobilizados, a linha tem um cronograma de entrega fatiado para viabilizar a operação:

  • Primeira etapa (2026): Operação do trecho entre Brasilândia e Perdizes.
  • Segunda etapa (2027): Conclusão da linha completa até a conexão com a Linha 1-Azul na estação São Joaquim.

A obra reforça o eixo Norte-Centro, conectando universidades e polos de inovação. Paralelamente, a expansão da rede existente avança em termos contratuais e de projeto:

  • Linha 4-Amarela: A extensão até Taboão da Serra — que levará o metrô para fora da capital pela primeira vez — encontra-se em fase final de tratativas contratuais.
  • Linha 5-Lilás: A ligação até o Jardim Ângela, reivindicação histórica do extremo sul, tem investimento previsto de R$ 2,72 bilhões e projeto em elaboração, já autorizado por lei.
  • Linha 14-Ônix e Linha 16-Violeta: Projetos de longo prazo. A Linha 14 (ABC-Guarulhos), orçada em R$ 19 bilhões, e a Linha 16 (19 km de extensão), concluíram etapas de participação pública e seguem em estruturação.

A “Revolução” na CPTM: O Lote Alto Tietê

Talvez a mudança mais impactante para a Região Metropolitana esteja na nova concessão ferroviária. Especificamente, ela envolve as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Esses ramais foram consolidados no chamado Lote Alto Tietê. Contudo, o projeto vai muito além de uma simples troca de gestão operacional. De fato, o contrato estipula investimentos massivos de R$ 14,3 bilhões. Portanto, estão previstas intervenções pesadas de engenharia civil já na fase de implantação, que segue até 2026.

O projeto ataca gargalos da antiga malha ferroviária com a construção de oito novas estações e a modernização de outras 27, incluindo reformas e reconstruções. O plano de expansão física adicionará 22,6 quilômetros de trilhos, viabilizando três extensões estratégicas que redesenham a mancha urbana:

  1. Linha 11-Coral: Extensão até César de Sousa (Mogi das Cruzes).
  2. Linha 12-Safira: Extensão até Suzano, criando uma nova opção de conexão.
  3. Linha 13-Jade: Extensão até os bairros Gabriela Mistral e Bonsucesso (Guarulhos), levando o trem para áreas densamente povoadas além do Aeroporto.

A projeção técnica indica que, até 2040, essas três linhas transportem cerca de 1,3 milhão de passageiros por dia, atendendo diretamente uma população de 4,6 milhões de habitantes.

Trens Intercidades (TIC): O desafio da média velocidade

Além disso, o programa representa a tentativa mais sólida de reativar o transporte ferroviário de passageiros. O objetivo principal é restabelecer a conexão entre macrometrópoles. Vale lembrar que esse tipo de modal foi praticamente extinto no Brasil nas últimas décadas.

TIC Eixo Norte, ligando Campinas a São Paulo, tem previsão de início de obras para o primeiro semestre de 2026. Este projeto é complexo pois envolve três serviços em um mesmo eixo: o trem expresso (TIC), o Trem Intermetropolitano (TIM) e a Linha 7-Rubi paradora. Orçado em R$ 14,2 bilhões, o expresso promete uma viagem de cerca de 60 minutos entre as duas cidades.

Seguindo o mesmo modelo, o TIC Sorocaba concluiu a etapa de audiências públicas em 2025. Com investimento estimado em R$ 12 bilhões, o sistema é projetado para atender até 50 mil passageiros por dia. O governo também mantém em carteira estudos para os eixos Leste e Sul, além de VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) em Campinas, Sorocaba e Baixada Santista.

Há ainda um componente de Turismo Ferroviário no programa, com potencial de movimentar R$ 1,8 bilhão na próxima década, indicando uma visão de uso misto da malha.