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Transnordestina incorpora 100 novos vagões com investimento de R$ 100 milhões

27.08.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Movimento Econômico
Data: 22/08/2026

 

A concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA) apresentou o reforço de sua frota com a incorporação de cem vagões Hopper HTT, fabricados pela Greenbrier Maxion (GBMX) para o transporte de grãos e fertilizantes. O investimento foi de R$ 100 milhões. Os vagões equivalem à capacidade de 357 caminhões graneleiros.

O anúncio ocorre em meio à fase mais avançada de execução da Ferrovia Transnordestina. A primeira etapa do projeto, que liga Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE), atingiu, em julho, 82% de obras físicas concluídas, além de um trecho de cerca de 100 quilômetros entre Acopiara e Quixeramobim. Do investimento total estimado em R$ 15 bilhões, R$ 9,8 bilhões já haviam sido desembolsados até março de 2026. Com as obras em ritmo acelerado, o trecho já realiza testes operacionais, com circulação experimental de cargas que comprovam a viabilidade do projeto.

A GBMX tem suas origens na Fábrica Nacional de Vagões (FNV), criada em 1943 como a primeira fábrica de vagões do Brasil. Atualmente, a companhia reúne a brasileira Iochpe-Maxion e as norte-americanas The Greenbrier Companies e Amsted Rail. Com a linha de montagem de vagões instalada em Hortolândia (SP) desde 2003, a empresa acumula mais de oito décadas de atuação no setor e é considerada a maior indústria ferroviária da América do Sul. Em 2026, a Greenbrier Maxion passou a adotar oficialmente a marca GBMX.

A empresa desenvolve e fabrica mais de 30 modelos de vagões de carga, destinados ao transporte de diferentes tipos de produtos, além de produzir truques ferroviários e oferecer serviços de reforma, adaptação e modernização de material rodante. Entre os modelos fabricados está justamente o Hopper HTT, utilizado no transporte de granéis agrícolas e fertilizantes e escolhido para reforçar a frota da Transnordestina.

Em seu portfólio, está a VLI Multimodal, que encomendou, em 2023, 168 vagões Hopper HTT à fabricante para operação na Ferrovia Norte-Sul, no corredor que atravessa Tocantins e Maranhão e se conecta ao sistema portuário de São Luís.

Mais 433 vagões estão em produção

Além dos 100 vagões já entregues, o governo federal anunciou a fabricação de outras 433 unidades do mesmo tipo. A ampliação da frota deve acompanhar a entrada em operação de novos trechos da ferrovia, reforçando a capacidade de escoamento de cargas à medida que o traçado avança pelo Nordeste.

A TLSA destacou o caráter simbólico da divulgação: “O trem da Transnordestina já é realidade no sertão, conectando territórios, pessoas e oportunidades. No coração do Nordeste, estamos transformando a logística e construindo caminhos para o desenvolvimento da região.”

A TLSA divulgou nas redes sociais um vídeo mostrando o trem em circulação no sertão nordestino com a nova composição. “As imagens deste vídeo mostram uma composição formada com os novos vagões da ferrovia, em uma produção especial que celebra mais um importante avanço do projeto”, explicou a empresa.

Sudene reforça financiamento da ferrovia

O avanço físico da obra tem sido sustentado por um fluxo constante de recursos federais. Em julho, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste liberou uma segunda parcela de R$ 120 milhões para o avanço da Transnordestina no trecho entre Piauí e Ceará, dentro de um financiamento maior aprovado pelo Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). Antes desse repasse, R$ 359,7 milhões já haviam sido liberados dentro do cronograma financeiro do empreendimento, elevando o total desembolsado na operação a R$ 479,7 milhões.

O FDNE, administrado pela Sudene, é uma das principais fontes de financiamento da ferrovia. A previsão é que o fundo aplique R$ 7,4 bilhões no empreendimento até 2027, dos quais R$ 6,4 bilhões já haviam sido liberados até a data do repasse mais recente. A Sudene contabiliza ainda R$ 800 milhões oriundos do antigo Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) destinados ao projeto.

Os recursos têm sido direcionados prioritariamente ao trecho entre Eliseu Martins (PI) e o Porto do Pecém (CE), que concentra atualmente o grosso das obras e já opera parcialmente no transporte de cargas como milho, sorgo, gesso agrícola e calcário.