21.08.2026 | ABIFER | Uncategorized
O presidente da ABIFER, Vicente Abate, recebeu o título de Ferroviário do Ano de 2026, concedido pela Revista Ferroviária, durante cerimônia realizada no dia 20 de agosto, em São Paulo.
A homenagem reconhece seus 47 anos de atuação no setor ferroviário e uma trajetória marcada pela defesa e pelo desenvolvimento da indústria ferroviária instalada no Brasil.
Em seu discurso, Vicente Abate relembrou momentos de sua trajetória profissional, agradeceu às pessoas que fizeram parte desse caminho e destacou temas que considera fundamentais para o presente e o futuro do setor ferroviário brasileiro.
Confira, a seguir, o discurso de Vicente Abate na íntegra:
Senhoras e senhores, boa noite!
Tenho a honra e a alegria de receber aqui e cumprimentar todas as autoridades presentes já nomeadas.
Ao meu amigo Guilherme Segalla de Mello, Presidente da MRS Logística, Ferroviário do Ano de 2024, a quem me junto agora, bem como aos demais Ferroviários do Ano, merecidamente contemplados.
Parabenizo todas as empresas e seus colaboradores pelo Prêmio que vocês também estão recebendo hoje. Em nome do associativismo, enalteço todas as Entidades de Classe, muitas das quais faço parte com muita honra.
O filósofo romano Sêneca, há quase dois mil anos, já refletia sobre a importância, não apenas do tempo que temos, mas do que fazemos com ele. Hoje, ao receber o título de Ferroviário do Ano, é impossível não pensar no tempo.
São 47 anos dedicados ao setor ferroviário.
Quando olho para trás, vejo uma trajetória de muito trabalho, desafios, mudanças, conquistas e, principalmente, aprendizado. Nem tudo foi fácil. Uma carreira de 47 anos também tem momentos difíceis, decisões que precisam ser tomadas, projetos que não acontecem como gostaríamos e situações que exigem de nós resiliência para continuar.
O tempo também nos ensina a ter humildade. Depois de tantos anos, continuo aprendendo. E grande parte do que aprendi veio das pessoas. Sempre acreditei muito no diálogo. Em ouvir, conversar, aproximar diferentes pontos de vista e procurar construir caminhos possíveis.
Nesta noite, a mais importante palavra que tenho a dizer é obrigado.
À Revista Ferroviária, pela escolha do meu nome e por tantos anos dedicados a informar, registrar e acompanhar a história do nosso setor.
E a cada um de vocês que estão aqui. Todos fazem parte desses meus 47 anos de ferrovia. São colegas, parceiros e amigos com quem dividi trabalho, desafios, ideias e bons momentos.
Quase duas décadas dessa trajetória estão ligadas à ABIFER. Quando assumi a presidência, em 2009, tínhamos 28 empresas associadas. Hoje são 54. Isso me dá muito orgulho, porque representa confiança e fortalecimento da Associação. E é uma conquista construída por muita gente.
Meu agradecimento a cada associada, à diretoria, aos conselhos e, de maneira muito especial, à equipe da ABIFER, que transforma nossas ideias em trabalho todos os dias.
Tenho muito carinho pelo livro que registrou os 40 anos da entidade. Já estamos trabalhando para os 50 anos da ABIFER, que serão comemorados no próximo ano.
Também tenho muito orgulho do Movimento Mais Trilhos, Brasil! e do ABIFER Conversa, que nos permitem ouvir autoridades e profissionais, promover o diálogo e compartilhar conhecimento com o setor.
Mas, entre tantas iniciativas, existe uma causa que acompanha boa parte da minha vida profissional e que faço questão de defender nesta noite: a indústria ferroviária instalada no Brasil.
Temos empresas que investem aqui, geram empregos, desenvolvem engenharia e tecnologia, formam profissionais e mantêm uma cadeia produtiva construída ao longo de décadas.
Por isso, faço um convite às operadoras de trens de passageiros e às concessionárias de ferrovias de cargas: olhem para a indústria instalada no Brasil.
Conheçam cada vez mais nossas empresas, nossas fábricas, nossos profissionais e a capacidade que temos de produzir e desenvolver soluções aqui. Não queremos um mercado fechado. Queremos competir.
Queremos novos investimentos e novas tecnologias. Queremos também que empresas internacionais venham para o Brasil, invistam aqui, produzam aqui e gerem empregos aqui.
Mas queremos que a indústria que já está instalada no país seja considerada e tenha oportunidade de competir em condições justas. É isso que está por trás de uma bandeira que defendo há muito tempo: #FeitoNoBrasil.
Queremos mais ferrovias, mais transporte de cargas e de passageiros, mais vagões e locomotivas, mais máquinas de manutenção e construção de via permanente, mais trens de passageiros e mais investimentos. E queremos que esse crescimento também fortaleça a indústria instalada no nosso país.
Ao longo de minha carreira, tive a honra de receber a Medalha JK – Mérito do Transporte Brasileiro, a Medalha Mérito Mauá e a Condecoração Engenheiro Paulo de Frontin.
Hoje, o título de *Ferroviário do Ano* se soma a esses reconhecimentos e terá um lugar muito especial na minha história.
Agradeço à GBMX, à AmstedMaxion, à AmstedRail e à Mafersa (onde iniciei minha vida ferroviária), aos colegas do setor e aos muitos amigos que a ferrovia me deu.
E, quando falamos de uma vida inteira de trabalho, precisamos lembrar também de onde tudo começou.
Sou muito grato ao meu pai e à minha mãe pelos ensinamentos e pelos valores que recebi deles e que procurei levar comigo pela vida.
Com o passar dos anos, também aprendemos que a vida não pode ser apenas trabalho. É preciso encontrar os amigos, estar com a família, conversar, rir e aproveitar os bons momentos. E, no meu caso, também acompanhar e torcer pelo Palmeiras. Quem me conhece sabe que não faço questão de esconder isso. Basta olhar a tela do meu celular.
Quero agradecer especialmente à minha esposa Carmen. Obrigado por estar ao meu lado, pela compreensão, pela companhia e por compartilhar comigo todos os momentos dessa caminhada.
À minha família, também presente aqui, todo o meu carinho. E ao meu neto, Renzo, um abraço também especial. Um neto faz a gente olhar para o futuro de outra maneira. Faz pensar no que estamos deixando para quem vem depois. E eu também penso nisso quando olho para a ferrovia.
Quero que as próximas gerações encontrem um setor com mais oportunidades, mais trabalho, mais investimentos, mais trilhos e uma indústria brasileira cada vez mais forte.
Depois de 47 anos, continuo com vontade de trabalhar, aprender, conversar e contribuir. Então, este prêmio não é um ponto de chegada.
É um momento muito especial para agradecer e continuar lutando. À Revista Ferroviária, à equipe ABIFER, às Associadas da ABIFER e do SIMEFRE, aos colegas e amigos, à Carmen, à minha família e a todos vocês, muito obrigado.
Recebo esta homenagem com muita honra e gratidão.
E sigo defendendo aquilo em que acredito: #FeitoNoBrasil, #MaisTrilhos,Brasil! e #OrgulhoDeSerFerroviário, ao lado de tantas mulheres que também têm #OrgulhoDeSerFerroviária.
Ainda temos muito trabalho pela frente e isso é muito bom.
Peço a Deus que me dê sabedoria e saúde para isso. A Ele o meu agradecimento especial.
Aproveitem bem todos estes momentos de celebração.
Muito obrigado !