{"id":96448,"date":"2026-10-08T18:08:31","date_gmt":"2026-10-08T21:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/abifer.org.br\/?p=96448"},"modified":"2026-10-08T18:08:31","modified_gmt":"2026-10-08T21:08:31","slug":"ferrovias-ociosas-quais-trechos-podem-voltar-a-transportar-cargas-em-2027","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abifer.org.br\/en\/ferrovias-ociosas-quais-trechos-podem-voltar-a-transportar-cargas-em-2027\/","title":{"rendered":"Ferrovias ociosas: quais trechos podem voltar a transportar cargas em 2027?"},"content":{"rendered":"<pre style=\"font-weight: 400;text-align: right\"><a href=\"https:\/\/transportemoderno.com.br\/2026\/10\/07\/ferrovias-ociosas-quais-trechos-podem-voltar-a-transportar-cargas-a-partir-de-2027\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Fonte: Transporte Moderno\r\nData: 07\/10\/2026<\/em><\/strong><\/a><\/pre>\n<p>Depois de colocar em sua primeira carteira de <em>shortlines<\/em> <a href=\"https:\/\/transportemoderno.com.br\/2026\/09\/16\/governo-tenta-dar-nova-vida-a-10-mil-km-de-ferrovias\/\">sete trechos ferrovi\u00e1rios que podem ser recuperados<\/a>, o governo federal come\u00e7a a definir quais projetos t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de avan\u00e7ar para a fase de requalifica\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o. O modelo de <em>shortlines<\/em>, como s\u00e3o chamadas as ferrovias de menor extens\u00e3o que conectam regi\u00f5es produtoras, ind\u00fastrias e terminais \u00e0 malha ferrovi\u00e1ria principal, busca recuperar linhas que perderam movimenta\u00e7\u00e3o ou deixaram de operar.<\/p>\n<p>Para o setor de cargas, seis dos sete projetos chamam aten\u00e7\u00e3o pelo potencial de conex\u00e3o com cadeias de agroneg\u00f3cio, minera\u00e7\u00e3o, siderurgia e portos. A execu\u00e7\u00e3o desses projetos, no entanto, poder\u00e1 atravessar a mudan\u00e7a de governo prevista para 2027.<\/p>\n<p>A carteira faz parte do programa apresentado pelo Minist\u00e9rio dos Transportes para recuperar trechos ferrovi\u00e1rios ociosos, subutilizados, desativados ou em processo de devolu\u00e7\u00e3o. A proposta prev\u00ea a participa\u00e7\u00e3o de operadores privados na recupera\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o das linhas de menor extens\u00e3o. Os sete projetos selecionados somam cerca de 800 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>O trecho Bras\u00edlia\u2013Luzi\u00e2nia, de 60,5 quil\u00f4metros, tem foco no transporte regional de passageiros e, por isso, fica fora do recorte de carga. Os demais projetos est\u00e3o relacionados a regi\u00f5es produtoras ou a conex\u00f5es com estruturas log\u00edsticas que podem gerar demanda para o transporte ferrovi\u00e1rio.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Onde est\u00e3o os trechos com potencial para cargas<\/h4>\n<p>Entre os projetos est\u00e3o <strong>General Carneiro\u2013Miguel Burnier (MG)<\/strong>, ligado a cadeias de minera\u00e7\u00e3o e siderurgia; <strong>Agua\u00ed\u2013Bauxita (SP\/MG)<\/strong>, que pode reconectar um trecho \u00e0 malha ferrovi\u00e1ria paulista; <strong>Roncador Novo\u2013Jardim Ing\u00e1 (GO)<\/strong>, com possibilidade de integra\u00e7\u00e3o a estruturas log\u00edsticas no Centro-Oeste; <strong>Cruz Alta\u2013Santo \u00c2ngelo (RS)<\/strong> e <strong>Santo \u00c2ngelo\u2013Santa Rosa (RS)<\/strong>, em uma regi\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola; e <strong>Campina Grande\u2013Cabedelo (PB)<\/strong>, com conex\u00e3o ao complexo portu\u00e1rio paraibano.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-table\">\n<table class=\"has-fixed-layout\">\n<tbody>\n<tr>\n<th>Trecho<\/th>\n<th>Extens\u00e3o aproximada<\/th>\n<th>Potencial de carga<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Cruz Alta\u2013Santo \u00c2ngelo (RS)<\/td>\n<td>108 km<\/td>\n<td>Agroneg\u00f3cio<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Santo \u00c2ngelo\u2013Santa Rosa (RS)<\/td>\n<td>65 km<\/td>\n<td>Agroneg\u00f3cio e cargas regionais<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Roncador Novo\u2013Jardim Ing\u00e1 (GO)<\/td>\n<td>245 km<\/td>\n<td>Cargas do Centro-Oeste<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>General Carneiro\u2013Miguel Burnier (MG)<\/td>\n<td>92 km<\/td>\n<td>Minera\u00e7\u00e3o e siderurgia<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Agua\u00ed\u2013Bauxita (SP\/MG)<\/td>\n<td>75,4 km<\/td>\n<td>Cargas industriais e minera\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Campina Grande\u2013Cabedelo (PB)<\/td>\n<td>163,2 km<\/td>\n<td>Cargas gerais e conex\u00e3o portu\u00e1ria<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Bras\u00edlia\u2013Luzi\u00e2nia (DF\/GO)<\/td>\n<td>60,5 km<\/td>\n<td>Passageiros<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/figure>\n<p>No Rio Grande do Sul, os dois projetos est\u00e3o inseridos em uma regi\u00e3o de forte produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. A liga\u00e7\u00e3o <strong>Cruz Alta\u2013Santo \u00c2ngelo<\/strong>, com 108 quil\u00f4metros, pode atender fluxos de gr\u00e3os e insumos. J\u00e1 <strong>Santo \u00c2ngelo\u2013Santa Rosa<\/strong>, com aproximadamente 65 quil\u00f4metros na modelagem apresentada pelo governo, pode ampliar a conex\u00e3o ferrovi\u00e1ria de cooperativas e produtores da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Goi\u00e1s, <strong>Roncador Novo\u2013Jardim Ing\u00e1 \u00e9 o mais extenso dos sete projetos<\/strong>, com aproximadamente 245 quil\u00f4metros. A proposta apresentada pelo governo prev\u00ea a possibilidade de conex\u00e3o com estruturas log\u00edsticas e um porto seco, criando uma alternativa para o transporte de cargas no Centro-Oeste.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais, o trecho <strong>General Carneiro\u2013Miguel Burnier<\/strong>, de aproximadamente 92 quil\u00f4metros, est\u00e1 inserido em uma regi\u00e3o de forte atividade mineradora e sider\u00fargica. A recupera\u00e7\u00e3o da linha pode criar uma alternativa para o transporte de produtos minerais e industriais, desde que haja demanda suficiente para sustentar a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O projeto <strong>Agua\u00ed\u2013Bauxita<\/strong>, com cerca de 75,4 quil\u00f4metros, tem como caracter\u00edstica a possibilidade de integra\u00e7\u00e3o com a malha ferrovi\u00e1ria paulista. A conex\u00e3o \u00e9 relevante porque uma linha de menor extens\u00e3o depende, para ganhar escala, de acesso a corredores ferrovi\u00e1rios de maior alcance.<\/p>\n<p>Na Para\u00edba, <strong>Campina Grande\u2013Cabedelo<\/strong>, com 163,2 quil\u00f4metros, pode restabelecer a liga\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria entre o interior e o porto. O transporte de cargas pelo complexo portu\u00e1rio de Cabedelo deixou de operar em 2010. A recupera\u00e7\u00e3o do trecho permitiria reavaliar o papel da ferrovia no abastecimento e no escoamento de produtos do Estado.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O que precisa acontecer para os trens voltarem<\/h4>\n<p>A inclus\u00e3o na carteira n\u00e3o significa que os trechos voltar\u00e3o automaticamente a operar. O governo ainda precisa avan\u00e7ar nos chamamentos p\u00fablicos e na estrutura\u00e7\u00e3o de cada projeto. Pelo modelo apresentado pelo Minist\u00e9rio dos Transportes, os interessados poder\u00e3o assumir a recupera\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o dos trechos. Depois da sele\u00e7\u00e3o, o operador ter\u00e1 de apresentar um <strong>Plano de Requalifica\u00e7\u00e3o da Malha (PREC)<\/strong>, detalhando as interven\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para recuperar a infraestrutura e coloc\u00e1-la em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os contratos poder\u00e3o ter prazo de at\u00e9 99 anos, e a modelagem admite a combina\u00e7\u00e3o de investimentos privados com recursos p\u00fablicos quando houver justificativa para o aporte. O primeiro teste desse modelo ser\u00e1 o <strong>Corredor Minas-Rio<\/strong>, com aproximadamente 733 quil\u00f4metros. Embora n\u00e3o fa\u00e7a parte dos sete projetos da primeira carteira, o trecho foi escolhido como refer\u00eancia para o programa de recupera\u00e7\u00e3o de ferrovias e tem leil\u00e3o previsto para dezembro de 2026.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Agenda ferrovi\u00e1ria chega \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de 2026<\/h4>\n<p>A execu\u00e7\u00e3o dos projetos poder\u00e1 avan\u00e7ar para o pr\u00f3ximo governo, o que coloca a pol\u00edtica ferrovi\u00e1ria no radar da elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2026. Os programas de governo de Lula e Fl\u00e1vio Bolsonaro apresentam propostas para ampliar a participa\u00e7\u00e3o das ferrovias no transporte de cargas, mas n\u00e3o tratam da primeira carteira de <em>shortlines<\/em> da mesma maneira.<\/p>\n<p>O programa de <strong>Lula para 2027\u20132030<\/strong> prev\u00ea intensificar as concess\u00f5es ferrovi\u00e1rias em duas frentes: novos projetos e repactua\u00e7\u00e3o dos contratos existentes. O documento, por\u00e9m, n\u00e3o cita nominalmente os sete trechos selecionados pelo Minist\u00e9rio dos Transportes para o programa de <em>shortlines<\/em>.<\/p>\n<p>Isso significa que uma eventual continuidade do governo Lula manteria uma diretriz favor\u00e1vel \u00e0 expans\u00e3o das concess\u00f5es e \u00e0 revis\u00e3o dos contratos ferrovi\u00e1rios, mas n\u00e3o permite afirmar, com base no programa, que os sete trechos ser\u00e3o necessariamente reativados.<\/p>\n<p>J\u00e1 o programa de <strong>Fl\u00e1vio Bolsonaro<\/strong> apresenta projetos ferrovi\u00e1rios espec\u00edficos. Entre eles est\u00e3o o destravamento da <strong>Ferrogr\u00e3o<\/strong>, a implanta\u00e7\u00e3o de um corredor ferrovi\u00e1rio de cargas entre <strong>Mato Grosso, oeste do Paran\u00e1 e Santa Catarina<\/strong> e a conclus\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o da <strong>Transnordestina<\/strong>, com extens\u00e3o para Para\u00edba e Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p>O programa tamb\u00e9m prev\u00ea um Trem do Nordeste, voltado ao transporte de passageiros. Fl\u00e1vio n\u00e3o cita nominalmente os sete projetos da carteira de <em>shortlines<\/em>. H\u00e1, contudo, uma poss\u00edvel conex\u00e3o regional entre sua proposta de ampliar a Transnordestina para a Para\u00edba e o projeto <strong>Campina Grande\u2013Cabedelo<\/strong>. O programa n\u00e3o estabelece que esse trecho ser\u00e1 recuperado pelo modelo de <em>shortline<\/em>, portanto a rela\u00e7\u00e3o deve ser tratada como uma poss\u00edvel converg\u00eancia de infraestrutura, e n\u00e3o como um compromisso espec\u00edfico.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O que pode mudar a partir de 2027?<\/h4>\n<p>A principal quest\u00e3o para os operadores de transporte e para as cadeias produtivas \u00e9 se os trechos ter\u00e3o demanda e conex\u00e3o suficientes para justificar os investimentos necess\u00e1rios \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma <em>shortline<\/em> n\u00e3o funciona isoladamente. Para ganhar escala, a ferrovia precisa estar conectada a uma malha estruturante, ter terminais de transbordo e contar com cargas capazes de garantir volume durante o ano. Em regi\u00f5es agr\u00edcolas, isso significa avaliar produ\u00e7\u00e3o, sazonalidade, armazenagem e acesso aos mercados consumidores ou portos. Em \u00e1reas industriais e minerais, a exist\u00eancia de contratos de transporte e de fluxos regulares \u00e9 igualmente determinante.<\/p>\n<p>Por isso, os cerca de 800 quil\u00f4metros da primeira carteira devem ser vistos como <strong>projetos em estrutura\u00e7\u00e3o<\/strong>, e n\u00e3o como uma extens\u00e3o de ferrovia que necessariamente voltar\u00e1 a operar em 2027.<\/p>\n<p>O governo estima que cerca de <strong>10 mil quil\u00f4metros de trechos ferrovi\u00e1rios ociosos, subutilizados, desativados ou em processo de devolu\u00e7\u00e3o<\/strong> possam ser avaliados para recupera\u00e7\u00e3o. A primeira carteira representa, portanto, um teste para um modelo que poder\u00e1 ser ampliado nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>A partir de 2027, a defini\u00e7\u00e3o dos projetos que efetivamente chegar\u00e3o \u00e0 fase de obras e opera\u00e7\u00e3o depender\u00e1 da viabilidade econ\u00f4mica de cada trecho, do interesse dos investidores e das prioridades estabelecidas pelo pr\u00f3ximo governo federal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Transporte Moderno Data: 07\/10\/2026 Depois de colocar em sua primeira carteira de shortlines sete trechos ferrovi\u00e1rios que podem ser recuperados, o governo federal come\u00e7a a definir quais projetos t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de avan\u00e7ar para a fase de requalifica\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o. 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