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Entramos na cápsula do Hyperloop e “sentimos” como é viajar a 1.200 km/h

06.11.2018 | | Notícias de Mercado

Uma das empresas a trabalhar com o conceito de Elon Musk de cápsulas movidas por levitação eletromagnética em túneis a vácuo, a Hyperloop TT trouxe à WTM18 (Welcome Tomorrow Mobility Conference 2018), em São Paulo, uma maquete em tamanho real de suas cápsulas.

O UOL Tecnologia testou, com realidade virtual, como será viajar a mais de 1.000 km/h –hoje, os trens-bala existentes chegam a, no máximo, 430 km/h na linha comercial mais rápida de trens do mundo, localizada na China.

A Hyperloop TT, que inaugurou um centro de pesquisas em Contagem (MG), colocou a representação da cápsula dentro de um meio-túnel de mentirinha, e a demonstração foi feita com os óculos de realidade virtual HTC Vive.

Viajando num túnel de vácuo, o “trem futurista” de Elon Musk será capaz de alcançar 1,200 km/h – velocidade suficiente para ir de São Paulo ao Rio de Janeiro em cerca de 20 minutos.

Depois de colocar os óculos, pude andar brevemente por uma estação de Hyperloop, indo na direção do embarque na cápsula –ela não é lá muito alta ou larga, se comparada ao metrô. Ao acessar a composição, a sensação é de entrar em algo parecido com a Estação Espacial Internacional.

Como a cápsula se desloca em um túnel com vácuo, o embarque não tem uma abertura de portas comum, mas um acesso via um brevíssimo corredor que se conecta à porta, para que a pressão de ar não entre no vácuo.

É uma versão muito mais curta da ponte de embarque usada para sair do terminal do aeroporto direto para a porta do avião.

Só de entrar e sentar em uma das cadeiras da cápsula (no mundo real, foi em uma poltrona), o veículo já “começa a ser mexer” a mais de 1.200 km/h. É assim que a empresa quer que o serviço funcione na prática, quando sua primeira linha estiver operando comercialmente.

Como a experiência apresentada não era um simulador – botei os óculos de realidade virtual e fui guiado a sentar em uma poltrona – o corpo não sentiu a aceleração.

A experiência foi bem futurística, mas o trem ultrarrápido é um projeto de curto prazo. A Hyperloop TT já concluiu a construção de sua primeira cápsula para passageiros no último dia 2 de outubro, na Espanha, e encaminhou-a para o centro de desenvolvimento em Toulouse, na França. É na cidade francesa que ocorrerá a instalação da tecnologia que fará o veículo funcionar em um tubo de teste que está em obras no local. A perspectiva é que ele comece a circular até o início de 2019.

Isabela Faria, planejadora de eventos da Hyperloop TT no Brasil, diz que essa não é mais uma tecnologia “do futuro”, mas uma aplicação de conceitos e recursos que já existem.

O deslocamento das cápsulas será por meio do maglev, a levitação eletromagnética que poucos trens-bala comerciais utilizam. A vantagem do Hyerloop é que ele não tem o entrave do atrito do ar, pois os túneis terão vácuo.
Ainda há o uso de energia solar para armazenar energia que será usada como backup caso os sistemas elétricos que ativam o veículo falhem.

Na questão de conforto, a experiência do passageiro não será muito diferente da de um ônibus de leito. Entre 28 e 40 pessoas entram em cada composição, que tem duas fileiras de cadeiras, agrupadas em duplas.

Como o túnel é escuro, a cápsula não tem vidros. Apesar disso, a empresa estuda oferecer uma janela artificial digital –no nosso teste virtual, a imagem variava desde a superfície de Marte até uma metrópole. Esse isolamento faz com que não haja a sensação de velocidade ao olhar para a janelinha, ao contrário do que acontece em viagens de avião ou trem (bala ou não).

Projetos para passageiros estão em curso na Europa, Emirados Árabes e na própria China, mas a conclusão deles só será na próxima década. O brasileiro, por outro lado, não deve ter a expectativa de viajar na cápsula futurista em um futuro recente. Existe uma parceria público-privada entre a Hyperloop TT e o governo de Minas Gerais para o desenvolvimento da tecnologia por aqui, mas o objetivo é a elaboração de uma modalidade de cargas, não para passageiros.

Fonte: UOL Tecnologia
Data: 06/11/2018