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Ferroeste planeja fábrica de vagões

29.01.2007 | | ABIFER News

A Ferroeste, empresa de ferrovias que está sendo administrada pelo governo do Paraná, já traça planos de investimentos para este ano. O convênio firmado com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) deve garantir o financiamento para diversos projetos, como um terminal de contêineres de cargas frigorificadas e uma indústria de vagões. Somente o projeto da montadora deve exigir um investimento superior a R$ 50 milhões.O terminal de cargas frigorificadas, que seria um anexo do terminal da Ferroeste em Cascavel, está sendo “disputado” entre duas empresas de logística, que poderão formar parceria com a América Latina Logística (ALL), para a instalação. A ALL ainda não confirmou a execução do projeto, que exigiria investimento de R$ 20 milhões. Estão dispostas a operar no local a Logibras, que já atua na região, e a Standart Logística.VagõesA instalação de uma montadora de vagões está entre os maiores projetos da ferrovia.Segundo o diretor da Ferroeste, Samuel Gomes, atualmente a frota é de 200 unidades, e seriam necessárias 60 locomotivas e mais de 730 vagões. “Assim que forem feitos todos os estudos de viabilidade necessários, iremos aumentar a frota”, diz ele.O empresário Nelson Hübner, do Grupo Hübner, é um dos que avaliam a possibilidade de investir no projeto da montadora. “Estamos avaliando as condições de mercado, custos e preço de venda. Já contamos com parte da área operacional, que poderia iniciar junto à estrutura da fábrica de carretas que o grupo mantém na região”, comenta Hübner.Atualmente o grupo conta com sete unidades atuando em setores que vão da siderurgia até a extração de madeiras.O presidente do BRDE, Carlos Marés, considera que o projeto da montadora de vagões será estratégico para a região. “O projeto poderá ser completado com uma linha de produção de contêineres”, sugere.Para o terminal de Cascavel também está prevista a instalação de um silo que irá concentrar a produção de pequenos e médios produtores agropecuários. Um primeiro armazém terá capacidade para 120 mil toneladas, com possibilidade de ampliação para até 1,5 milhão de toneladas. “Os produtores menores que precisam de acesso ao mercado de exportação poderão se tornar um único e bom cliente”, comenta o diretor Samuel Gomes.IntegraçãoA Ferroeste integra a infra-estrutura de transportes do governo estadual, e terá interação com áreas de logística e portuária.A intenção do governo é receber uma concessão para construir a ligação férrea de Paranaguá a Pontal do Paraná, região onde está prevista a instalação de um novo porto estadual.O “Porto do Mercosul”, como foi anunciado, deve começar a ser construído neste ano e entrar em operação durante os próximos quatro anos, período do segundo mandato consecutivo do governador Roberto Requião.Com 23 quilômetros de costa, o porto em Pontal do Paraná irá atuar como porto feeder (alimentador) e receber embarcações especializadas em contêineres.Para ligar o trecho central da malha ao litoral, a Ferroeste deve lançar a proposta de uma extensão de Guarapuava até a estação Engenheiro Blei, que fica em Curitiba. A proposta é alternativa ao conhecido projeto de uma ligação que passaria pelos municípios de Ipiranga e Ponta Grossa antes de seguir para o litoral.O projeto da Variante Guarapuava-Ipiranga já está contemplado por uma parceria público-privada PPP,, no valor de R$ 270 milhões, pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Segundo o presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, o principal motivo de uma nova proposta é a expectativa de aumento no fluxo de cargas.Para os próximos cinco anos, estima-se a movimentação de 10 milhões de toneladas de cargas originárias do norte e oeste do estado, e do Mato Grosso do Sul.Poderão ser somados a esse volume outras 10 milhões de toneladas já previstas para a malha, o que poderia resultar em um excesso de cargas. A proposta alternativa ainda não foi avaliada pelo governo federal.Para os próximos dois anos a previsão é de que a malha alcance 5 milhões de toneladas movimentadas.No fim de dezembro último o governo do Paraná retomou os 248 quilômetros da Ferroeste, ferrovia concluída em 1994 e que foi concedida à iniciativa privada em 1996.A retomada faz parte de uma batalha jurídica entre o governador Roberto Requião (PMDB) e a Ferropar, até então concessionária do trecho.