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FRASE DA QUINZENA

26.03.2018 | | ABIFER News

Transnordestina deve alavancar desenvolvimento da região, diz especialista

Entrega da ferrovia, vista como um marco da logística do Nordeste, deve estimular abertura de empresas e empregos

A Transnordestina, a obra ferroviária de mais de 1.700 km que pretende ligar Eliseu Martins, no Piauí, aos portos de Pecém, na região metropolitana de Fortaleza, e de Suape, em Pernambuco, é o que pode mudar a infraestrutura logística do Nordeste.

A afirmação foi feita por Rebeca Oliveira, diretora de desenvolvimento comercial do porto de Pecém, no seminário Futuro do Nordeste, realizado pela Folha, com patrocínio do Banco do Nordeste, do Governo do Ceará e da Prefeitura de Fortaleza, com apoio da Embratur, do Ministério do Turismo e da CVC, nesta quinta-feira (22), em Fortaleza.

Para Rebeca Oliveira, a entrega da ferrovia vai impactar na abertura de empresas e na criação de empregos na região. “Seria o maior impacto em logística, mais do que o alargamento do Canal do Panamá”, disse Oliveira, sobre outra obra importante, que visa dar acesso a navios maiores pelo canal panamenho, e que também terá impacto no Pecém.

Segundo a diretora, a região terá navios que poderão chegar ao porto de Cingapura, na Ásia, em 29 dias, contra os 60 dias que demoravam antes. “Nossos exportadores de frutas, por exemplo, poderão competir de igual para igual, porque não vai precisar levar por avião, ou levar seu produto a um porto no Sul, para chegar a determinados lugares”, explicou Oliveira.

A Transnordestina está com obras atrasadas há mais de dez anos e o gasto, até o momento, já ultrapassou os R$ 6 bilhões. Estima-se que serão gastos mais R$ 7 bilhões para a conclusão, e o governo federal busca investidores para o término. O projeto prevê saída da cidade de Eliseu Martins, no Piauí, até Salgueiro, em Pernambuco, quando se dividiria em dois grandes braços um a caminho do Pecém e outro de Suape.

PARCERIA HOLANDESA

O porto cearense, no momento, negocia com o porto de Roterdã, na Holanda, que pode entrar como sócio do governo do estado no complexo do Pecém. “A parte deles inicialmente seria algo entre 10% e 20%. O governo pretende se manter como sócio majoritário. Eles buscam parceiros em outros países, porque há dez anos perderam o posto de maiores do mundo para portos asiáticos”, explicou Oliveira.

Para Henrique Tinôco, superintendente de políticas de desenvolvimento do Banco do Nordeste, o investimento em infraestrutura é fundamental para que o Nordeste possa descobrir qual movimento fará no futuro.

“Não é só colocar investimento em uma fábrica de automóveis. Se não tiver estradas, uma logística de distribuição para combustível, entre outras coisas, não adianta”, disse Tinôco. Para ele, é importante que uma região como a do Nordeste, que é menos desenvolvida, tenha um tratamento diferenciado dos governantes em decisões estratégicas para o desenvolvimento nacional.

Segundo ele, o Banco do Nordeste, que se coloca como o banco do desenvolvimento regional, como o BNDES é nacionalmente, tem linhas de financiamento com taxas diferentes para áreas de água, saneamento e logística. “O Nordeste vai ser protagonista para puxar grandes empreendimentos no país.”

Desburocratização

Também presente no debate, a secretária de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza, Maria Águeda Muniz, contextualizou projeto da capital cearense para que as pessoas possam se concentrar a trabalhar, estudar e se divertir próximas de suas casas, o que diminuiria o deslocamento pela cidade e melhoraria a mobilidade.

“Demos incentivos fiscais para empresas em bairros com índice de IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] baixo para que contratassem pessoas que morassem naquele bairro. A pessoa não precisa se deslocar até o centro, ou bairro distante, e ganha tempo e favorece a vida urbana nesse local”, disse Muniz.

Houve também uma desburocratização para empresas conseguirem alvarás de funcionamento, como ambiental e de construção, no projeto chamado Fortaleza Online. “Todo o trabalho é feito pela internet. O alvará sai na hora se não há taxa, e, em 48 horas, se precisa ser pago algo. Em 2012, a prefeitura licenciou 1.304 empreendimentos, e, em 2017, foram quase 40 mil. A prefeitura não conhecia a cidade que tinha”, explicou a secretária.

Fonte: Folha de S. Paulo
Data: 22/03/2018