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Márcio França X João Doria: o que dizem os programas de governo sobre a mobilidade em São Paulo

09.10.2018 | | Notícias de Mercado

Depois de 16 anos, as eleições estaduais em São Paulo vão para o segundo turno e, no dia 28 de outubro, os paulistas voltam às urnas para decidir quem deve comandar o estado mais rico do país.

Márcio França, do PSB, e João Doria, do PSDB, têm estilos e origens diferentes.

Nascido em São Vicente, no Litoral Paulista, França tem 55 anos e começou a carreira política em sua cidade natal, em 1988, na disputa a uma vaga a vereador, já pelo PSB, de onde nunca saiu. Foi vereador três vezes e prefeito duas vezes de São Vicente. Foi deputado federal por dois mandados, vice-governador de São Paulo, assumindo o estado após a renúncia do Governador Geraldo Alckmin neste ano que disputou as eleições presidenciais. Foi Secretário Estadual de Desenvolvimento de São Paulo na gestão Alckmin entre 1º de janeiro de 2015 e 6 de abril de 2018 junto com a função de vice-governador e Secretário de Esporte, Lazer e Turismo de São Paulo na gestão Alckmin entre 1º de janeiro de 2011 e 1º de janeiro de 2015.

João Doria, do PSDB, tem 60 anos, é empresário, jornalista e publicitário. Foi lançado às disputas eleitorais por Geraldo Alckmin na corrida pela prefeitura de São Paulo em 2016, quando derrotou no primeiro turno, Fernando Haddad, do PT. Deixou a prefeitura neste ano para disputar as eleições estaduais. É filiado ao PSDB desde 2001. Doria ocupou cargos públicos como presidente da Embratur, entre 18 de março de 1986 e 25 de agosto de 1988, na gestão do presidente da República José Sarney, e Secretário Municipal de Turismo de São Paulo, na gestão Mário Covas na prefeitura de São Paulo, entre 1983 até 1986. É responsável pelo Lide, grupo de empresários empreendedores, e foi apresentador de programas de TV.

Os perfis são diferentes assim como diversos aspectos das propostas e sobre mobilidade urbana.

Em seu programa de governo, registrado no TSE – Tribunal Superior Eleitoral, Marcio França destaca a conclusão do SIM – Sistema Integrado Metropolitano nas Regiões Metropolitanas, coordenando ônibus, trens e metrô.

França ainda fala em acelerar os investimentos para a conclusão de linhas e estações de metrô, ampliar os investimentos em corredores de ônibus metropolitanos e reduzir a poluição, estimulando a mobilidade não motorizada.

Incentivos ao compartilhamento de veículos e uma rede de ligações regionais de transporte ferroviário de passageiros nas regiões do Estado também são outros prontos prometidos no programa de França.

João Doria também fala, em seu programa de governo registrado no TSE, em acelerar investimentos em expansão e modernização dos sistemas de trem e metrô para que haja uma rede de alta capacidade sobre trilhos, com cerca de 350 km.

No entanto, para conseguir os objetivos, Doria privilegia em seu programa o capital privado e cita o que considera “sucesso da concessão patrocinada (PPP) da linha 4, que demonstra o melhor desempenho da iniciativa privada na operação, com elevação da qualidade ao usuário e redução de custos”. Doria também quer a criação de uma agência de transportes metropolitanos para coordenar os contratos de transportes que serão privados.

ACOMPANHE ABAIXO A ÍNTEGRA SOBRE MOBILIDADE DOS PROGRAMAS QUE ESTÃO REGISTRADOS NO TSE:

MÁRCIO FRANÇA:

As grandes cidades, notadamente das regiões metropolitanas, enfrentam séria crise de mobilidade. Há superlotação no sistema de transporte coletivo e grandes engarrafamentos de trânsito que afetam os proprietários de veículos individuais e os usuários do transporte coletivo, acarretando perda diária de tempo, saúde e produtividade.
A ausência de um planejamento mais adequado das cidades e a existência de periferias distantes levam ao agravamento da situação.

É preciso tratar a questão de forma ampla na sua devida complexidade, tendo em vista a posição central que ocupa na agenda do Governo Estadual. É fundamental o bom funcionamento do sistema de mobilidade urbana para que os usuários tenham previsibilidade, conforto e rapidez.

1- Integrar o transporte metropolitano e as políticas setoriais de emprego, habitação, logística, planejamento e gestão do uso do solo.
2- Oferecer uma rede de transporte com adequada cobertura territorial, combinando modais sobre trilhos e pneus, tanto municipais quanto metropolitanos.
3- Acelerar os investimentos nas linhas de metrô e trens, com novos terminais e novas estações, modernizando os existentes.
4- Desenvolver a implantação da rede de ligações regionais de transporte ferroviário de passageiros nas regiões do Estado.
5- Concluir a implantação do SIM (Sistema Integrado Metropolitano) nas Regiões Metropolitanas.
6- Concluir a implantação das conexões do aeroporto de Guarulhos e de Congonhas com o sistema metroferroviário da Grande São Paulo.
7- Intensificar os investimentos em corredores de ônibus metropolitanos.
8- Reduzir as emissões de CO2 (poluição) e a violência no trânsito com programas específicos e incentivo à mobilidade não motorizada (a pé e de bicicleta).
9- Operar, de forma coordenada e com funções complementares, o metrô, os ônibus intermunicipais e os trens metropolitanos.
10- Incentivar os serviços de compartilhamento de veículos.
11- Estimular o uso de novas tecnologias de inteligência artificial e big data na melhoria dos serviços de transporte e no atendimento aos cidadãos.
12- Garantir acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida nas estações de metrô e pontos de ônibus.

PROGRAMA-FRANCA-TSE

JOÃO DORIA:

Logística, Transportes e Mobilidade Urbana

O Programa propõe uma nova forma disruptiva e completamente diferente de fazer os investimentos e a operação do sistema de transportes de passageiros sobre trilhos. Considerando (i) o sucesso da concessão patrocinada (PPP) da linha 4, que demonstra o melhor desempenho da iniciativa privada na operação, com elevação da qualidade ao usuário e redução de custos e (ii) a oportunidade que o Estado tem de expandir a sua rede, com investimentos privados, decorrente da dificuldade crescente do setor público em implementar os investimentos necessários, em face das restrições que sofre, propõe-se a adoção do modelo de Parcerias, seja sob a modalidade de concessão comum ou PPP, tanto para a implantação, como também para os serviços de operação e manutenção, em face da maior eficiência, rapidez e qualidade nestas atividades que a iniciativa privada demonstra. Contudo, para os investimentos já contratados nestas áreas, o programa propõe a continuidade da execução dos mesmos na forma em que foram contratados, mas sempre considerando a perspectiva de parcerias na operação e manutenção.

Para poder implementar tal programa, se faz necessário uma reorganização do Estado, nesta área, visando a centralização do Planejamento Estratégico nas Secretarias, com o objetivo de integrar, racionalizar, padronizar e otimizar todas as propostas. Como nas Regiões Metropolitanas, parte do serviço de transportes cabe aos municípios, se faz necessário a criação da Articulação Metropolitana liderada pelo Governo do Estado para se implementar as ações de Planejamento. Em face da nova orientação de se transferir todos os serviços de investimento, operação e manutenção destas áreas para a iniciativa privada, bem como do recente crescimento da carteira de concessões já outorgadas, é essencial a constituição de uma Agencia de Transportes de Passageiros do Estado para a regulação de todos os contratos dos serviços concedidos conforme estabelece a legislação vigente.

No âmbito da Logística e Transportes, o Programa propõe uma série de ações de investimentos na infraestrutura de todos os modais de transportes, a saber: rodoviário, ferroviário, hidroviário, portuário, aeroviário visando à maior eficiência do sistema de transportes, de forma a promover um choque de produtividade na economia paulista, por meio da integração dos modais, racionalização da matriz de transportes, ampliação da capacidade e segurança do sistema logístico, com o objetivo final de acelerar o desenvolvimento econômico e social, preservando o meio ambiente, em todas as regiões do estado de São Paulo.

No âmbito da Mobilidade sobre Trilhos, o Programa propõe ações para acelerar a conclusão das obras de todas as linhas do Metrô e da CPTM que estão contratadas e em andamento, bem como executar novos investimentos com o objetivo de melhorar a qualidade e atendimento da rede metroferroviária, ampliando-se a capacidade, modernizando linhas existentes, elevando-se a confiabilidade, promovendo-se maior integração, resultando na redução do tempo das viagens e aumento do conforto e da segurança dos usuários no sistema de transportes de passageiros sobre trilhos. O objetivo final deste Programa de investimentos na Região Metropolitana de São Paulo é uma rede de alta capacidade sobre trilhos, com cerca de 350 km, com um alto padrão de serviços nos transportes metropolitanos de passageiros.

Ainda no âmbito da Mobilidade sobre Trilhos, o Programa propõe também a implantação e a ampliação do sistema de transportes de passageiros de média capacidade (tecnologia VLT) em outras Regiões Metropolitanas do Estado e o início da implantação do Trem Intercidades ligando São Paulo, Campinas e Americana, sob um Plano Estadual de Trens Regionais a ser consolidado na gestão.

No âmbito da Mobilidade sobre Pneus, o Programa propõe ações de continuidade dos investimentos na expansão da infraestrutura dos sistemas de baixa e média capacidade, para implantação de BRTs, corredores de ônibus, faixas exclusivas, estações compactas e abrigos, de acordo com a necessidade de cada Região Metropolitana. Este programa de investimento visa o atendimento de todas as Regiões Metropolitanas e Aglomerações Urbanas do Estado que possuem apenas o ônibus como meio de transporte público, já que a partir do crescimento populacional e do aumento do trânsito, estendeu-se significativamente o tempo das viagens gerando grande desconforto e perda de produtividade. Portanto, o programa objetiva, nesta área, reduzir o tempo de viagem, melhorar a oferta e a segurança através do incremento de linhas de ônibus de melhor desempenho, somente possíveis com a implantação de BRTs, corredores de ônibus e faixas exclusivas.

PROGRAMA-DORIA-TSE

Fonte: Diário de Transporte
Data: 09/10/2018