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Metrô vai custar quase R$ 1,5 bilhão

07.08.2007 | | ABIFER News

O atraso na conclusão das obras do metrô de Fortaleza não se reflete apenas na falta de mais um sistema de transporte à população. Pesa também no bolso dos contribuintes. Para a conclusão do trecho Sul, que vai do Centro até a estação Vila das Flores, em Maracanaú, será investido quase um bilhão e meio de reais (R$ 1.446.179.274,00). Até 2010, data prevista para a liberação da maior parte do trecho Sul, até a estação São Benedito, os valores chegam a um bilhão e cem milhões de reais, de acordo com dados da Companhia Cearense de Transporte Metropolitanos (Metrofor). Se ele tivesse sido efetivamente concluído conforme o projeto inicial, de 1997, o custo seria bem inferior. Na época, a soma dos valores do empréstimo realizado entre banco japonês Eximbank, de US$ 268 milhões, com o aporte do Governo Federal somava US$ 502 milhões. Em valores do dólar da época, o total de gastos previstos para a conclusão das obras em 2001, em reais, chegava a aproximadamente R$ 530 milhões. “Algo que dá prejuízo é obra paralisada“, lembra o diretor-presidente do Metrofor, Rômulo dos Santos Fortes. Ele explica que, além do custo de manutenção para não perder os materiais já construídos, existe também a adequação de tecnologia do que já foi empregado e outros investimentos que simplesmente se perdem. “Somente o custo para manter as bombas de água funcionando ininterruptamente e evitar problemas na parte subterrânea é altíssimo“, completa Fortes. Para este ano, a liberação dos mais de R$ 361 milhões previstos estão sendo liberados em dia. A União liberou R$ 80 milhões dos R$ 181 milhões para este ano. E o Governo do Estado liberou R$ 12 milhões até o momento. Com estes recursos, estão sendo construídos o trecho elevado da Parangaba, feita manutenção no metrô e sendo realizadas as desapropriações restantes. Segundo estimativas do Tribunal de Contas da União (TCU) realizadas em 2005, as perdas com a paralisação das obras chegavam a valores entre US$ 5 milhões e US$ 6 milhões anualmente. No período compreendido de três anos, entre 2002 e 2005, por exemplo, quando os valores eram insuficientes mesmo para arcar com as dívidas, o prejuízo final pode ter chegado a US$ 18 milhões. “A questão não é somente financeira. Com paralisação, é preciso mobilizar todos novamente“, lembra Fortes. O professor de Economia da Universidade de Fortaleza, Cláudio André Nogueira, lembra ainda que as obras do metrô podem acabar tendo prejuízos devido à variação cambial existente em uma década. Em 1997, por exemplo, um dólar equivalia a R$ 1,016. Já em dezembro de 2002, pela mesma relação, a moeda americana valia aproximadamente R$ 3,60. Dessa forma, algum material que foi adquirido pelo dólar dessa época teve seu valor aumentado em torno de três vezes, quando comparado a 1997. “É um risco que você acaba gerando, porque a variação cambial pode acabar prejudicando o andamento das operações nesse caso“, diz André. Esforço para concluir no governo LulaO diretor de planejamento, expansão e marketing da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), Raul de Bonis, reconhece que houve uma inconstância na liberação dos valores repassados pelo Governo Federal, não só no metrô de Fortaleza, como o de Salvador (BA), e na ampliação dos de Recife (PE) e Belo Horizonte (MG), que acabou com o agravamento de uma crise do sistema de transportes públicos brasileiro, carentes de recursos. “Por isso existe uma preocupação de que consigamos concluir estas obras durante este mandato presidencial“, ressalta Bonis. No total, as quatro obras receberão mais de R$ 1,5 bilhão de recursos com o Plano de Aceleração de Crescimento (PAC) do metrô. Para Raul, os valores mostram que o sistema metroferroviário do País vive uma importante fase com as quatro obras citadas, sendo três delas no Nordeste. Projetos de outras cidades brasileiras também deverão receber recursos, a exemplo do metrô de São Paulo, na região Sudeste. “Tivemos um agravamento das condições de transporte urbano Brasil afora ao longo dos anos. Atualmente, estes serviços nos grandes centros são percebidos como fundamentais“, completa Bonis.