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No Planalto, pedidos de audácia para BC

24.01.2007 | | ABIFER News

Sem demonstrar euforia com o anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os empresários presentes ontem na divulgação das medidas econômicas aproveitaram a ocasião para cobrar audácia do Banco Central na redução da taxa de juros, com a justificativa de que uma queda no ritmo de corte da Selic representará uma ducha de água fria nas expectativas criadas pelo plano de desenvolvimento. O BC começa a definir hoje, em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o novo valor da Selic, hoje em 13,25% ao ano.“Qualquer coisa menor que 0,5 ponto percentual causa uma arritmia no processo que se pretende estabelecer aqui“, afirmou o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Paulo Camillo Pena. A taxa tem sido gradualmente reduzida desde setembro de 2005. “Não há nenhuma razão para não termos, no mínimo, outra redução de pelo menos 0,5 ponto“, reforçou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. “Não há tensões no curto prazo e os preços internos estão sob controle.“A diretoria do BC viverá um dilema nesta reunião. Se reduzir os juros em apenas 0,25 ponto percentual, receberá fortes críticas por supostamente não estar em sintonia com o ambiente de otimismo que o governo quer estimular. Se fizer uma nova redução de 0,5 ponto, mantendo o ritmo adotado nos últimos meses, pode ser acusada de ter cedido às pressões do Palácio do Planalto.Com a preocupação envolvendo a Selic, as medidas divulgadas pelo governo foram parcialmente ofuscadas. Camillo Pena esperava a inclusão, no PAC, de um novo teto para o pagamento de compensação ambiental por empreendimentos de mineradoras.Segundo ele, as empresas do setor pretendem investir US$ 25 bilhões nos próximos cinco anos. Hoje, sofrem com as incertezas que envolvem o valor da compensação, pois não há limites fixados. Pena estranhou a ausência do assunto no PAC, que só tratou, na área ambiental, da regulamentação do artigo 23 da Constituição – um projeto de lei foi enviado ao Congresso para definir melhor as atribuições da União, Estados e municípios no processo de licenciamento ambiental.O presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, foi um dos poucos a calcular os reflexos diretos do PAC sobre a economia. Ele lembrou que os investimentos em projetos de infra-estrutura, públicos e privados, somaram R$ 65 bilhões em 2006. Ao comprometer-se com uma cifra perto de R$ 500 bilhões até 2010, o PAC prevê o aumento dos investimentos para R$ 125 bilhões anuais, nos próximos quatro anos. Somente com isso, Godoy acredita que a formação bruta de capital fixo pode subir dos atuais 20% para algo entre 22% e 23% do PIB. “Se tudo o que foi anunciado realmente acontecer, a infra-estrutura não será impedimento para o crescimento da economia“, disse.Outros pesos-pesados do setor privado preferiram ressaltar os “efeitos psicológicos“ do PAC, conforme ressaltou Jorge Gerdau Johannpeter. Para ele, o país “tomou consciência“ de que é preciso fazer investimentos e “romper o círculo vicioso“ de crescer a taxas de 2,5% ao ano – média verificada nas duas últimas décadas.Gerdau elogiou as medidas de desoneração tributária e disse que o PAC representa uma “evolução do pensamento“, pelo foco na expansão da economia e pelos ataques aos obstáculos da infra-estrutura. Ele chamou a atenção, no entanto, para a necessidade de evitar afrouxamento nas finanças públicas. “O governo não pode abrir mão do rigor fiscal“, afirmou Gerdau. O empresário enfatizou que há espaço para reduzir gastos correntes e o poder público precisa fazer a mesma lição de casa executada pela iniciativa privada. “O custo do governo precisa diminuir. Indiscutivelmente dá para buscar maior eficiência e produtividade.“O presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Luis Cesário Amaro da Silveira, pediu agilidade ao Congresso na aprovação de MPs e projetos de lei no âmbito do PAC.