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Números da indústria ferroviária são apresentados durante encontro do SIMEFRE

29.11.2019 | | Notícias do Mercado

Vicente Abate, presidente da ABIFER, entrega placa a José Antonio Martins, presidente do SIMEFRE, em homenagem aos 85 anos da entidade.

Nesta sexta-feira, 29, aconteceu o Seminário Anual do SIMEFRE (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários), que celebrou 85 anos de atividades inovadoras em prol da mobilidade do País.

Durante o evento, os vice-presidentes da entidades apresentaram um balanço do desempenho e resultado econômico dos setores industriais filiados (veículos de duas rodas – bicicletas, motocicletas, peças – implementos rodoviários, metroferroviário – cargas e passageiros – ônibus e relações trabalhistas) e as perspectivas para 2020, além da posse da nova diretoria da entidade.

O presidente da ABIFER, Vicente Abate, realizou uma apresentação dos resultados do setor ferroviário de cargas e o vice-presidente do SIMEFRE e membro do Conselho da ABIFER, Massimo Andrea Giavina-Bianchi, o de passageiros.

Pelas previsões feitas ao final de 2018, acreditava-se que os baixos volumes de entregas de vagões de carga, locomotivas e carros de passageiros em 2019 seriam os menores dos últimos 10 a 12 anos. Consideradas as entregas realizadas até outubro, as previsões se confirmaram, com a agravante de que os volumes serão ainda menores que os previstos.

Segundo Abate, o volume de vagões de carga a ser entregue em 2019 deverá situar-se abaixo das mil unidades (contra 2.566 vagões em 2018). Serão apenas 34 locomotivas (contra 64 em 2018), cinco exportadas para o Chile. E 104 carros de passageiros (contra 312 carros em 2018), sendo 80 também para o Chile. “A ociosidade da indústria ferroviária encontra-se perto de dramáticos 90%, com poucas possibilidades de ser melhorada no curto prazo”, diz o presidente da ABIFER.

Na área de passageiros, a indústria completou seis anos sem qualquer encomenda significativa no mercado doméstico (foram apenas 48 carros fabricados no Brasil para a SuperVia, além de 64 importados pela CPTM), sobrevivendo hoje de algumas exportações. “Espera-se, entretanto, que a encomenda dos equipamentos para a Linha 17 – Ouro do Metrô SP, recém-licitados, seja confirmada para a indústria nacional”, pontua Massimo Giavina.

José Antonio Martins, Vicente Abate e Paulo Skaf, presidente da FIESP e do CIESP, durante posse da nova Diretoria do SIMEFRE.

O lançamento do RETREM pelo MDR – Ministério do Desenvolvimento Regional, em junho passado, trouxe um alento para os fabricantes de carros de passageiros, na esperança de que as concessionárias viessem a adquirir novas frotas ou modernizar as frotas atuais, o que não se concretizou pela falta de previsão em seus orçamentos. “Para 2020 aguardam-se as licitações para 34 trens da CPTM e 44 trens do Metrô SP. Importante salientar a luta do nosso setor por isonomia tributária entre trens nacionais e importados. Estados têm aplicado a imunidade tributária na importação, levando a uma concorrência injusta com o produto nacional, suprimindo empregos e renda no Brasil. Estão preterindo o nacional, com ampla base instalada, de melhor qualidade e mão de obra qualificada, em favor do estrangeiro, de pior qualidade e inexistência de assistência técnica ou materiais de reposição”, avalia Giavina.

Já na área de carga, o TCU – Tribunal de Contas da União aprovou, em reunião plenária de 27 de novembro, o Acórdão para a renovação antecipada da Rumo Malha Paulista, que se tornará paradigma para as demais concessões. “Com isso, o volume de vagões poderá se elevar para cerca de 2 mil unidades em 2020. As locomotivas, porém, continuarão com volume baixo, de apenas 40 unidades. A quantidade de carros de passageiros será de somente 126 unidades, sendo quase 70% delas destinadas para exportação ao Chile”, informa Abate.

O ano de 2020 será, sob todos os aspectos, um divisor de águas para a indústria ferroviária nacional, com a realização de volumes maiores de veículos, componentes e materiais para via permanente, a partir de 2021/22. “Acreditamos e confiamos na aprovação de todas as renovações antecipadas, nas expansões das vias ferroviárias de carga e de passageiros e no bom senso das autoridades de governo em preservar a indústria ferroviária instalada no País, sob pena de continuarmos a operação de desmonte desta importante indústria, com perda ainda maior de mão de obra qualificada”, conclui Abate.