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O Brasil quer trilhos, por Fabio Doyle

02.08.2007 | | ABIFER News

Por Fabio Doyle, economistaO caos está instalado. A dor de quem perdeu parentes e amigos no acidente da TAM no aeroporto de Congonhas não pode ser redimida. Encontrar os culpados é preciso, mas de nada adiantará para amenizar o sofrimento dos que ficaram. Agora é preciso esfriar a cabeça e tomar decisões que evitem novas tragédias. No âmago da zorra que virou o transporte aéreo no Brasil, o que se vê é a concentração excessiva da aviação comercial como meio de transporte. Os preços da passagens aéreas caíram. Tornaram-se acessíveis para quem antes só viajava de ônibus. O volume de passageiros e vôos cresceu na mesma proporção, sem, no entanto, a perfeita adequação da estrutura aeroportuária do país, principalmente a de São Paulo, que recebe a maioria dos vôos, como destino final, escala ou conexão. Quem sai de Belo Horizonte, por exemplo, para qualquer destino no país ou no exterior, tem, com poucas exceções, de fazer conexão ou escala em São Paulo. Quem volta para Belo Horizonte também. É esse o primeiro erro. Uma primeira alternativa para tirar a sobrecarga de Congonhas e Guarulhos seria usar outros aeroportos como pontos de escala e/ou conexão. O aeroporto de Confins é uma alternativa, assim como o Galeão no Rio e o de Brasília já são utilizados em alguns trajetos. Outra forma de amenizar a situação é a incorporação na frota das companhias aéreas de aviões menores, como os excelentes aviões da Embraer 190 e 195 (produto nacional), com capacidade para 100 e 188 lugares, respectivamente, e autonomia de vôo de aproximadamente 4.000 quilômetros. São aviões mais leves, de menor capacidade, com tecnologia de última geração e mais seguros nos pousos e decolagens em pistas com limitações. Não é por outra razão que na Europa e Estados Unidos os aviões da Embraer dominam nos transportes de curta/média distância. Já no Brasil, apenas a Varig, antes da derrocada, os usava em pouquíssimos trechos. Aliviar a carga pesada da aviação comercial significa também agir no investimento de novas formas de transporte. É preciso pensar com seriedade e determinação nas ferrovias, modalidade literalmente abandonada desde que a indústria automobilística chegou ao Brasil, na década de 50. O transporte ferroviário pode ser rápido e seguro. Mais rápido até que o avião em determinados percursos. Se houvessem linhas de trens rápidos ligando, por exemplo, centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e até Brasília, a opção racional de quem viaja seria pelo trem, aliviando assim o volume de passageiros que têm a aviação comercial como única alternativa. Se há dúvidas quanto a isso, basta, mais uma vez, dar uma olhada na estrutura de transporte da Europa e EUA.