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OAS vai transferir suas ações na dona do Metrô Rio a credores

09.10.2018 | | Notícias de Mercado

RIO – A OAS pretende concluir, até novembro, a transferência de suas ações na Invepar – dona de concessões como Metrô Rio, aeroporto de Guarulhos e Linha Amarela – para os credores da construtora. A OAS está em recuperação judicial com dívidas de cerca de R$ 10 bilhões e entrou em crise financeira após a revelação dos casos de corrupção investigados na Operação Lava-Jato.

A OAS é dona de 24,4% das ações da Invepar, quantidade que está avaliada em pouco mais de R$ 4 bilhões, de acordo com fontes do mercado. O processo da transferência desses papéis a seus credores começou em 2016. Assim, com a conclusão da operação, a Invepar passará a ter como acionistas o FI-FGTS, que terá 6% das ações da empresa de infraestrutura. Hoje, a OAS tem dívida superior a R$ 300 milhões com o FI-FGTS.

O restante da fatia que atualmente ainda pertence à OAS será dividida entre credores internacionais, os chamados bondholders. Estão na lista “fundos abutres”, como Aurelius, Olive Lyra, Huxley, Aalden e Turnpike. As participações destes fundos e do FI-FGTS serão agrupadas sob o nome “SPE Credores”.Autorização de agências
O grupo vai dividir o comando da Invepar com os outros acionistas, os fundos de pensão de estatais, como Previ, do Banco do Brasil, Petros, da Petrobras, e Funcef, da Caixa Econômica Federal.

Segundo fontes a par das discussões, o processo de transferência das ações na OAS estava previsto desde 2015, quando foi aprovado o plano de recuperação judicial. A proposta de reestruturação previa que a fatia de 24,4% da Invepar fosse vendida em um leilão judicial. Como não apareceram interessados, a alternativa era repassar os papéis para os credores, donos de títulos emitidos pela OAS. Esse processo começou em 2016.

De lá para cá, as empresas buscaram autorizações das agências reguladoras que precisavam dar o aval para a mudança de acionistas na Invepar. A última autorização veio da Secretaria de Transportes do Rio, no início deste ano.
– Com isso, os bondholders, o FI-FGTS e a OAS iniciaram o processo de transferência dos títulos emitidos pela OAS no exterior pelas ações na Invepar, mas isso é um processo complexo e demorado. Só após receber toda essa documentação, é que a a 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo vai dar a autorização para o negócio. A expectativa é que isso ocorra entre outubro e novembro – explicou essa mesma fonte.Acordo de acionistas

Mas os acionistas da Invepar já enfrentam uma nova dor de cabeça antes mesmo da conclusão da mudança. Isso porque, em encontros, os novos acionistas, agrupados na SPE credores, já deixaram claro que não têm interesse em permanecer na companhia. Para isso, vêm exigindo mudanças no acordo de acionistas da Invepar.

– A análise é que o acordo atual é muito engessado, pois qualquer decisão envolvendo a Invepar necessita da aprovação unânime de todos os fundos de pensão. Por isso, eles pedem alterações com o objetivo de facilitar a venda posterior de sua fatia na empresa. A avaliação é que será difícil encontrar um comprador que não tenha poder de decisão, já que a participação destes novos acionistas não garante o controle da companhia — afirmou uma fonte do mercado.

Fonte: O Globo
Data: 06/10/2018