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Os desafios de Júlio Fontana, de comprador a vendedor de frete

28.08.2007 | | ABIFER News

Um executivo que conhece os dois lados da moeda. Júlio Fontana Neto, que desde 1999 está no comando da MRS Logística, uma das maiores concessionárias de ferrovia do País, participou da diretoria da Gerdau, um dos clientes da empresa. ‘É muito diferente. As necessidades são distintas. Hoje, negocio o frete de acordo com minhas necessidades – sempre acima do que espera o cliente. Ele briga por um transporte mais barato’, disse Fontana Neto que acredita que a experiência na diretoria de logística da Gerdau lhe dá o suporte necessário para negociar com os clientes, sejam eles os mais difíceis. ‘Isso me deu experiência para saber se um projeto irá ou não agradar determinado cliente. Mas é sempre uma queda de braço. Muitas vezes é interessante para mim, como operador, carregar e descarregar o trem mais rápido e para a empresa, não’, afirmou o executivo, que participou do conselho administrativo da MRS por dois anos representando a Gerdau, de 1997 a 1999. Á frente da MRS o executivo prepara a companhia para transportar 200 milhões de toneladas em 2010 e assumir a liderança no ranking de movimento de cargas ferroviárias no Brasil. Hoje, a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) está no topo da lista e espera transportar este ano 140 milhões de toneladas. ‘Se continuarmos crescendo do jeito que estamos, é provável que a MRS seja a líder em transporte de cargas por ferrovia. Mas não buscamos a liderança de forma indiscriminada. É a conseqüência de um trabalho’, ressaltou Fontana. A empresa tem uma evolução anual de cerca de 10% na carga movimentada. Já na Vitória a Minas, nos últimos cinco anos, a média de crescimento foi de 3,5%. A EFVM transportou no ano passado 135 milhões de toneladas e a MRS 113 milhões de toneladas. Até 2012 a expectativa da MRS é movimentar 150 milhões de toneladas nos 1,7 mil quilômetros de trilhos que cortam os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Além do desafio de conquistar a liderança, o presidente da MRS quer criar um pólo industrial ferroviário em sua oficina instalada em Belo Horizonte. ‘Temos 300 mil metros quadrados de áreas, sobra espaço’. A idéia, segundo o executivo, é atrair fábricas de peças que são normalmente importadas e de grande demanda para as concessionárias de ferrovia. ‘Já temos assinados oito protocolos de intenção, mas a viabilidade do projeto depende dos planos destas empresas, se há possibilidade ou não se instalar unidades no País’, disse. Segundo ele, a Knorr Bremse, fabricante de freio para vagão , é uma das empresas interessadas no projeto. Hoje, a Timken , fabricante de rolamentos já está em Belo Horizonte, ao lado da oficina central da MRS. Uma das vantagens do pólo industrial ferroviário é sua localização. Está numa região de entroncamento de bitolas (larga e métrica) e poder ser utilizado por outros concessionários de ferrovias. ‘Para trazer fornecedores, negociamos também alguns incentivos fiscais com o governo estadual’, adianta. Ao assumir a presidência da MRS, Júlio Fontana deparou-se com uma estrutura e cultura de serviços públicos. Ele conta que o maior desafio foi imprimir um pensamento com foco nos resultados da empresa, coisa rara naqueles tempos de Rede Ferroviária Federal. ‘Precisávamos crescer e rapidamente’. Assim a empresa criou a academia MRS, voltada para treinamento de pessoal e cursos profissionalizantes. ‘Formamos pessoal para dar suporte ao nosso crescimento’, disse. Desde que foi criada, em 2004, até 2006, a escola qualificou mil profissionais em vários cargos – de operadores ferroviários a gerentes.