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País precisa duplicar área irrigada para atingir safra de 300 milhões de toneladas

23.03.2018 | | Não categorizado

Se almeja um dia alcançar o patamar de produção de 300 milhões de toneladas de grãos em uma única safra, o Brasil precisará quase que dobrar para 11,5 milhões de hectares a área irrigada de suas lavouras. Atualmente, o país é apenas o sexto em área plantada irrigada, com cerca de 6,9 milhões de hectares, o que inclui frutas e hortaliças.

A avaliação é de um estudo do escritório no Brasil da FAO, braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), lançado ontem no Fórum Mundial da Água, em Brasília.A pesquisa conclui que o país já teria atualmente por volta de 4,5 milhões de hectares disponíveis para irrigação, localizados em áreas de fácil infraestrutura de transportes ou energia capazes de acelerar esses investimentos. A entidade não arriscou estimar, contudo, um prazo para atingir o objetivo.

“Não temos dúvidas que o Brasil certamente será o maior produtor mundial de alimentos, mas para isso precisa avançar em irrigação”, disse o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic.O Brasil não está muito distante dessa marca. Na safra passada (2016/17), produziu um resultado recorde de 242 milhões de toneladas de grãos. A atual safra (2017/18) deve ficar abaixo desse número, segundo a Conab. Por outro lado, somente de milho, os Estados Unidos, maior produtor global de alimentos, já colhem hoje mais de 300 milhões de toneladas, o que indica que a liderança ainda deve demorar a trocar de mãos.

A CNA é ainda mais ambiciosa. A entidade acredita ser possível dobrar para 14 milhões de hectares a área plantada com grãos, frutas e hortaliças irrigados no país no prazo de dez anos. Para João Martins, presidente da CNA, entretanto, o agronegócio brasileiro ainda caminha a passos lentos em irrigação por um simples motivo: o investimento necessário para implantação de pivôs de irrigação nas plantações ainda é muito caro no país.”Temos hoje essa baixa participação na área irrigada, porque os equipamentos são muito caros. A energia é muito cara. O produtor tem que buscar irrigação mais eficiente, com menor uso da água, e precisamos dobrar a área irrigada no Brasil a médio prazo”, disse Martins.

Para tentar incentivar os produtores a investirem mais em irrigação e destravar gargalos burocráticos nesse sentido, foi inaugurada ontem a Comissão Nacional de Irrigação da CNA. O presidente da comissão, o produtor rural e irrigante Eduardo Veras, de Silvânia (GO), explica que a prioridade é atualizar a lei que trata de irrigação no país. Defendeu linhas de crédito do Plano Safra – juros controlados – com melhores condições de prazo e taxas de juros mais baratas voltadas para irrigação.

“Precisamos trabalhar mais armazenamento de água em barragens nas propriedades, regulamentar o Código Florestal e fortalecer os comitês regionais de bacias hidrográficas”, disse Veras.Ontem, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, também fez questão de enfatizar no fórum que o modelo de preservação de matas ciliares e nascentes de rios em propriedades rurais adotado no Brasil deve ser observado e perseguido em todo mundo.

Christopher Neale, diretor do Instituto Mundial de Água para Alimentação da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, ponderou no entanto, que os produtores também precisam cuidar melhor do uso da água. “Agricultura é para dar emprego e comida aos seres humanos. Se não cuidarmos bem dela, colheremos o mal no futuro.”

Fonte: Valor Econômico
Data: 21/03/2018