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Parceria pode modernizar linha de trem

22.05.2007 | | ABIFER News

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) estuda a viabilidade econômico-financeira de modernização do trecho entre Itapevi e Amador Bueno, na Linha B (Júlio Prestes-Itapevi) por meio de uma parceria público-privada. A intenção foi comunicada após uma visita do presidente da CPTM, Álvaro Armand, e do diretor de planejamento, Alberto Epifani, à estação Itapevi.O encontro foi intermediado pelo deputado estadual João Caramez (PSDB), que apresentou a idéia à companhia. “É um trajeto de cerca de sete quilômetros. Não é uma reforma barata. O custo sairia em torno de R$ 180 milhões, pois não é só a bitola que tem que ser trocada. Há a parte elétrica e as reformas das paradas”, conta o parlamentar.O trecho de extensão, que compreende as estações de Santa Rita, Cimenrita, Ambuitá e Amador Bueno, possui uma bitola dos trilhos antiga, de um metro, que foi feita em uma reforma na década de 50, quando também se adquiriu os trens Kawasaki-Toshiba (atual série 4800 da CPTM). A partir de Itapevi, porém, a largura aumenta para 1,60 m.Segundo o deputado, os trens estão sucateados e sofrem dificuldades em encontrar peças de reposição. Além disso, a região e o número de usuários vem crescendo. Dados da CPTM indicam que a linha B é a segunda mais utilizada (317.000 passageiros por dia), perdendo somente para a linha A (Luz/ Jundiaí), com 337.000 usuários.Parceria“Todas as obras e iniciativas que beneficiam diretamente as comunidades e o desenvolvimento econômico de uma região deveriam ser emergenciais, mas sabemos que há outras prioridades e que o ritmo da operacionalização depende da disponibilização de recursos. Por isso é fundamental a parceria com a iniciativa privada nesse projeto”, afirma o prefeito de Santana de Parnaíba, Benedito Fernandes (DEM).O prefeito intermediou um encontro entre a CPTM e o diretor-geral de Produtos de Engenharia para América Latina da Goodyear, Renaldo Calderini. A empresa localiza-se no bairro parnaibano do Cururuquara, vizinho a Amador Bueno, no Km 41 da rodovia Castello Branco.“É um investimento alto. O governo estadual não teria condições de fazer sozinho”, afirma o deputado. Como o bairro Amador Bueno é vizinho ao Cururuquara, onde está instalada a Goodyear, a empresa demonstrou interesse em investir na reforma com a contrapartida de usá-la futuramente como meio de transporte de seus produtos. Porém, procurada pela reportagem, não quis adiantar a negociação. Segundo Caramez, há um espaço industrial grande entre a rodovia e a ferrovia onde poderia ser feito um trecho de ampliação até a Castello. Com isso, mais empresas locais teriam interesse no investimento. “Queremos fazer parcerias com quantas empresas estiverem interessadas”.O vereador de Itapevi, Sebastião Matos (PT), autor da idéia, adianta que cinco empresas já demonstraram interesse, como o grupo Votorantim. O petista lembra que em 2005, o governo estadual decidiu acabar com o atendimento no trecho devido à precariedade. Na ocasião, foram suspensas as atividades durante quase três meses. “Após reivindicarmos o retorno, o governo cedeu, mas os trens que circulavam a 60 km/h andam agora a 20 km/h. O usuário não tem outra opção”, afirma Matos. Matos diz que as diferenças entre o seu partido e o do deputado Caramez (PSDB) não comprometem a obra. Em tentativas anteriores, a CPTM não investiu na linha por achar que a quantia a ser gasta era alta, mas ele acredita que desta vez a reforma será feita.Hoje, as quatro paradas servem como ponto de embarque e desembarque, tendo a passagem gratuita. Somente quem faz a baldeação na estação Itapevi paga o bilhete. “Elas atendem a 20 mil passageiros diariamente, mas a maioria [15 mil] desembarca na estação anterior [Santa Rita]. Somente 5 mil continuam e pagam passagem”. Segundo ele, uma mudança seria que as paradas passariam a cobrar a passagem, o que despertaria interesse em a CPTM investir na obra.Uma questão abertaProcurada, a Companhia não quis dar mais informações sobre a proposta, mas afirmou que, dependendo do modelo de contrato de PPP, a licitação para a compra dos trens pode ser dispensada. Isso ocorreria se a proposta da empresa já especificasse que ela seria responsável pela compra. O advogado Rubens Teixeira, do Albino Advogados Associados, especializado na modalidade PPP, explica que a contratação pode prever que a empresa compre os trens, mas o contrato seria de parceria e, neste caso, deverá haver licitação para definir quem faria o investimento.Itapevi“O valor continua sendo muito alto. Não acredito que [a reforma] será feita”, diz o secretário de desenvolvimento urbano e meio ambiente de Itapevi, Jaci Tadeu. Segundo ele, o que a CPTM se comprometeu é a reformulação de estações de trem de 11 municípios, incluindo Itapevi. O projeto local prevê a construção de passarelas que interliguem o terminal de ônibus à estação, que ficam 300 m distantes. “O investimento deve ficar em R$ 5 milhões”, diz. Ele afirma que o projeto deverá ser finalizado este ano para que durante 2008 ocorram as obras.Há ainda um projeto de uma alça de desafogamento do trânsito do centro. A alça sairia paralelamente a linha do trem no sentido do corredor oeste e diminuiria em 70% o trânsito.Como neste caso o investimento é maior (R$ 8 milhões), a prefeita Ruth Banholzer (PPS) apresenta hoje a idéia à Casa Civil do estado. O objetivo, segundo Tadeu, é buscar investimentos estaduais.