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Projeto do Parque Ferroviário terá área comercial e hotelaria

22.04.2021 | | Notícias do Mercado

Correio Popular - 19/04/2021

 

Área do terminal do futuro Trem Metropolitano será polo de shoppings, hotéis e apartamentos

 

A Prefeitura de Campinas estuda a retomada de um projeto de explorar todo o potencial logístico e comercial da área do Parque Ferroviário de Campinas, patrimônio cultural e parte da memória arquitetônica da cidade

A Prefeitura de Campinas estuda a retomada de um projeto idealizado na gestão do ex-prefeito Antônio da Costa Santos, o Toninho, morto em 2001, que envolve explorar todo o potencial logístico e comercial da área do Parque Ferroviário de Campinas, patrimônio cultural e parte da memória arquitetônica da cidade.

O local, de cerca de 310 mil metros quadrados, pertencente à antiga Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), abriga as linhas férreas sob concessão da Rumo Logística, a Estação Cultura Prefeito Antônio da Costa Santos, o Pátio Municipal de Veículos e os setores administrativos da Empresa de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).
Pelo projeto, está previsto o desenvolvimento de uma grande intervenção urbanística no local, onde seria estruturado um polo logístico para transporte de passageiros, além da implantação de área comercial com estrutura hoteleira e até residencial. A proximidade da área com o Aeroporto Internacional de Viracopos e a chegada do projeto do Trem Intercidades (TIC), do governo do Estado, previsto para 2022, impulsionam o projeto.
De acordo com o presidente da Emdec, Ayrton Camargo e Silva, a ocupação é uma intenção antiga de Campinas e que vem se viabilizando, aos poucos, com algumas cessões ao Município. Agora, a intenção do governo é buscar a cessão definitiva da área, seja por meio de doação, cessão, venda ou algum outro acordo que permita o uso pleno do parque.
“Com a extinção da Fepasa, em 1998, a malha foi absorvida pela Rede Ferroviária Federal (RFF). Desde então, houve várias concessões. A atual concessionária da malha é a Rumo Logística. A MRS também tem direito de passagem. O período de cessões ao Município coincide com a era das concessões da malha ferroviária. Foi a cessão de parte da área que permitiu a construção do novo terminal rodoviário, Ramos de Azevedo”, disse.
Para buscar a cessão definitiva da área e fazer, de fato, com que essa nova operação urbana saia do papel, a Prefeitura mantém contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a respeito de áreas operacionais (linhas férreas), e com a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) sobre as áreas não operacionais.
A partir desses contatos, estão ocorrendo a organização de documentação e a estruturação dos projetos previstos para serem viabilizados na área, para que seja formalizado o pedido junto à União. “Toda a documentação referente está sendo organizada e direcionada para os órgãos responsáveis. Está em andamento ainda a realização de levantamento topográfico para justificar o pedido”, explica Silva.
Após conseguir a cessão definitiva da área, a Prefeitura prevê a realização de um amplo estudo para confirmar a vocação do local e, assim, realizar a intervenção. “Entendemos que a operação urbana no espaço será fundamental para trazermos atividades econômicas de alto valor agregado ao Centro, que serão fontes de recursos para viabilização de intervenções de interesse público”, completa.
Segundo o presidente da Emdec, a área do Parque Ferroviário terá uso misto e deverá funcionar 24 horas por dia, dando nova vida ao Centro. “O projeto está em construção e podemos dizer que se comunicará bem com o entorno, em termos urbanísticos, e trará vida nova ao Centro de Campinas”, ressalta.
Um dos cuidados com o projeto está no fato de parte do Parque Ferroviário ser tombado. A antiga estação possui duplo tombamento, pelo Município, por meio do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), e também pelo Estado, por meio do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). No entanto, conforme a Prefeitura, isso não atrapalha a operação urbana prevista para o local, já que as cessões para a ocupação permitem reformas, sem descaracterizar as edificações, que são parte da memória ferroviária e cultural da cidade.