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Recursos podem quadruplicar patrimônio de infraestrutura

28.08.2018 | | Não categorizado

Os fundos de infraestrutura – que investem nas chamadas debêntures incentivadas, que têm isenção de Imposto de Renda (IR) para pessoa física – podem entrar em uma nova fase, preveem analista, graças a uma conjunção de fatores.

Além de o BNDES ter anunciado que irá aportar, como cotista, R$ 5 bilhões nesta modalidade de fundo, a oferta de papéis que compõem a carteira dos produtos, as debêntures incentivadas, ganha volume mês a mês. Do ponto de vista do investidor, Selic baixa e a pouca oferta de produtos equivalentes (sem IR) no mercado, como LCI e LCA, chamam a atenção para os fundos de infraestrutura.

O patrimônio desses fundos, que estava em R$ 4,42 bilhões em julho, pode quadruplicar com a injeção de recursos via BNDES. “O fato de o banco entrar como cotista é uma chancela que dá mais segurança ao produto. Acredito que pode gerar até R$ 20 bilhões em novos fundos”, afirma José Eduardo Laloni, diretor da Anbima, associação do mercado de capitais e de investimentos, levando em conta que cada fundo terá aporte máximo do banco de R$ 500 milhões, limitado a 30% do seu capital total. “Para o investidor pessoa física, a melhor opção para acessar as debêntures é via fundo porque reduz muito o risco, já que as carteiras são pulverizadas e têm um gestor acompanhando”.

O analista da Rio Bravo, Michael Fridman, também está otimista com as perspectivas, mas com alguma cautela. “O produto vem ganhando espaço e como o país precisa de investimento e o governo não tem recursos, haverá mais emissão de debêntures e criação de novos fundos, mas será gradual e sem acelerar muito”, comenta Fridman, pontuando que a eleição deixa tudo mais incerto. “Do lado do investidor, Selic baixa estimula a busca por retorno e os fundos são um bom produto, até pela isenção de IR”, diz o analista, afirmando que a Rio Bravo ainda não possui nenhum fundo de infraestrutura por “questões estratégicas”.

Hoje, existem no mercado 49 fundos que compram ativos regulamentados pela Lei 12.431, o que garante isenção de IR para o investidor, desde que o gestor siga uma série de regras. A principal delas exige que nos primeiros dois anos o produto tenha, pelo menos, 67% de debêntures incentivadas; depois deste período o percentual sobe para 85%. Só no primeiro semestre, a emissão destas debêntures chegou a R$ 10,5 bilhões, o maior volume desde que foram criadas em 2012 e superior ao ano passado (R$ 9,08 bilhões).

“O mercado de debêntures melhorou bastante, entrou em um círculo virtuoso porque é a alternativa para as empresas captarem”, comenta Fausto Silva, Sócio e Gestor de Renda Fixa da XP Gestão de Recursos. “Ter mais papéis disponíveis é importante porque projetamos diferentes níveis de risco na carteira”, diz o executivo da asset, lembrando que o fundo de infraestrutura da XP, criado em 2014, é superpulverizado com mais de 50 séries alocadas.

O fundo da XP tem aporte mínimo de R$ 10 mil, carência de 30 dias para resgate e taxa de administração de 1%. “Com este recurso o investidor entra no fundo que tem várias debêntures diferentes, reduzindo o risco, o que ele não conseguiria comprando direto o papel.” O fundo, em 12 meses, até 22 de agosto, rendia 6,69%; em 24 meses, 18,15%.

Nos últimos meses, o movimento do gestor foi mais defensivo, incluindo papéis de duration menor e rating maior.

“Pensamos em novos produtos que tenham menos volatilidade ou prazos de resgate diferentes. Tem sempre um investidor quer menos risco.”

Fonte: Valor Econômico
Data: 28/08/2018