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Trem rápido tem papel fundamental

02.08.2007 | | ABIFER News

O presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), Jurandir Fernandes, disse que nos próximos 10 anos haverá uma saturação no Sistema Anhangüera/Bandeirantes e que a saída é a implantação do Expresso Bandeirantes — o trem rápido que ligaria Campinas a São Paulo. A fala de Fernandes reforça ainda mais a necessidade da adoção do transporte ferroviário que beneficiaria não apenas os usuários do Aeroporto de Viracopos, mas também as pessoas que diariamente vão a São Paulo. Segundo Fernandes, o quadro desolador não irá mudar mesmo com investimentos pelas concessionárias nas rodovias paulistas, já que o estrangulamento da malha viária da Capital reflete nas estradas — o motorista enfrenta, em horários de pico, cerca de 3 a 4 quilômetros de congestionamento antes de chegar a São Paulo. O trem, segundo especialistas do setor aeroviário, é essencial para fazer com que Viracopos seja um aeroporto de passageiros — que tem uma grande ociosidade: a capacidade de embarque e desembarque pode chegar a 3 milhões, mas hoje apenas 840 mil pessoas por ano circulam pelo terminal. A observação de que Viracopos, assim como Guarulhos, é uma das soluções para a crise nos aeroportos, pode ter estimulado o governador de São Paulo José Serra (PSDB) a buscar apoio do governo federal para a construção do Expresso Bandeirantes, com um ramal no aeroporto de Viracopos. No trajeto, teria três estações (Campinas, Jundiaí e São Paulo). O secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, disse que o tucano irá esta semana a Brasília para pedir ajuda ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva tanto para o trem de Viracopos quanto para a linha ferroviária até o aeroporto de Guarulhos. “O trem não irá agregar apenas o Aeroporto, mas toda a região. Hoje há uma expectativa de cerca de 19 milhões de passageiros na ponta em São Paulo e 2,5 milhões em Campinas”, ressaltou Fernandes.O vice-governador e secretário Estadual de Desenvolvimento, Alberto Goldman (PSDB), que não é um grande entusiasta do trem, disse que o projeto do trem entre Campinas e São Paulo não foi adiante até hoje porque não tem viabilidade econômica. “Precisa de aporte total do Estado. As empresas não se interessam e o governo federal até hoje não se sensibilizou com a necessidade de acesso a Viracopos. O Estado está investindo no trem da Luz a Guarulhos. O que tem em Viracopos é que há um círculo vicioso. Enquanto Viracopos não tiver um volume de passageiros alto o trem não se viabiliza. E vice-versa”, disse. O professor do Departamento Aéreo do ITA, Cláudio Jorge Pinto Alves, concorda com o presidente da Emplasa. “Um transporte ferroviário eficiente beneficiará uma grande massa de pessoas e irá unir não apenas a grande São Paulo a Campinas, mas toda a região”, ressaltou. Fernandes disse ainda que a implantação do novo trem a R$ 2,7 bilhões para trafegar a 110 Km/h é perfeitamente viável. “A área operacional já existe e haverá pouca desapropriação e baixo impacto ambiental.”Para que o projeto saia do papel, porém, Fernandes disse que há necessidade de “vontade política” de todos os governos — federal, estadual e municipal. “Há necessidade destes poderes definirem melhor o que querem porque quando o mercado começa a analisar um projeto, a União vem e lança o trem Rio/São Paulo. A viabilização do Trem Campinas/São Paulo é muito maior”, disse ele, acrescentando ainda que o governo federal investiu R$ 1,8 bilhão para a realização dos jogos Pan-Americanos. “Se esse valor tivesse vindo para Campinas já estaríamos com o trem praticamente pago”, conclui. Durante a gestão do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi realizado um estudo apontou um custo de tarifa de R$ 12,60 e freqüência a cada 10 minutos para um trem de alto desempenho que poderia atingir 160 quilômetros por hora.