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Vale quer atingir ‘autossuficiência’ em geração elétrica

02.03.2018 | | Não categorizado

A Vale vai buscar a autossuficiência em energia elétrica. A mineradora considera que é importante, para a competitividade da companhia, garantir a autoprodução do insumo. A Vale gasta cerca de US$ 600 milhões por ano com energia elétrica, sendo dois terços dessa conta no Brasil e um terço no exterior. Do consumo total da empresa, 60% correspondem à produção própria da mineradora e 40% a contratos de longo prazo com terceiros e a compras no mercado “spot” (à vista). Agora, a empresa tem a intenção de chegar até 100% de produção própria de energia.

“É fundamental que a Vale tenha controle total sobre o seu suprimento de energia e nessa direção vamos prosseguir”, disse o diretor-executivo de finanças da empresa, Luciano Siani Pires, ao comentar ontem os resultados financeiros da companhia em 2017.

Siani disse que a empresa pode, eventualmente, considerar algumas aquisições, mas a prioridade deve ser mesmo o desenvolvimento de projetos. A compra de ativos impõe uma dificuldade à empresa pelo fato de a maioria das usinas ter atrelados a elas contratos com energia contratada. “O que interessa para a Vale são ativos que ela possa ter energia para ela própria.”

O executivo não citou prazos nem potenciais números de investimento no setor. Disse a analistas que os preços do mercado “spot” de energia elétrica flutuam muito no Brasil, dependendo das condições hidrológicas dos reservatórios. Admitiu ainda que a empresa está “muito exposta” às oscilações de preços da energia elétrica, e afirmou que os 40% do insumo que a Vale compra no mercado, para atender às suas necessidades, custam cerca do dobro da geração própria. Esse número dá uma dimensão da “oportunidade” que existe para a empresa aumentar a autoprodução de energia elétrica.

A Vale já é sócia da Cemig na Aliança Geração de Energia, empresa que começou a operar em 2015 e na qual a Vale participa com 55% do capital. Segundo informações da Aliança em seu site, a empresa tem um parque gerador formado por sete hidrelétricas que somam 1.158 megawatts (MW) de capacidade instalada.

Segundo Siani, a Vale já tinha constatado a necessidade de ampliar a sua participação como autoprodutor de energia elétrica, mas a empresa não tinha recursos financeiros para seguir com essa estratégia. Agora a Vale está entrando em uma nova fase, na qual concluiu os grandes investimentos e está conseguindo reduzir a dívida. Na teleconferência sobre o resultado do ano passado, Siani afirmou que no esforço de redução do endividamento a companhia vai voltar ao mercado para fazer recompra de dívida. A mineradora tem diversos bônus emitidos com vencimentos que vão até 2042.

“Temos bonds com diversos vencimentos e vamos precisar recomprar”, disse Siani, sem entrar em detalhes de quais seriam esses bônus, nem quando isso será feito. O executivo disse que até meados de 2018 a Vale deverá ter reduzido sua dívida líquida para US$ 10 bilhões, mas afirmou que o patamar do endividamento no fim do ano dependerá da nova política de dividendos da mineradora, que deve ser aprovada pelo conselho de administração da mineradora no fim de março. O presidente da Vale, Fabio Schvart, disse que chegou o momento de a Vale retribuir aos acionistas, via dividendos, pela “paciência” que tiveram no período em que a empresa fez vultuosos investimentos.

Fonte: Valor Econômico
Data: 01/03/2018