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Vereadores do ABC formam comissão para discutir monotrilho ou BRT para a linha 18

11.06.2019 | | Notícias do Mercado

Os vereadores do ABC Paulista entraram formalmente nas discussões sobre o modal que pode ser mais adequado para a linha 18 Bronze, prevista inicialmente para ser um monotrilho que faria a ligação entre os municípios de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e a estação Tamanduateí da linha 10 Turquesa da CPTM e linha 2 Verde do Metrô, na zona Sudeste da capital paulista.

O primeiro encontro, para discussões gerais, ocorreu nesta sexta-feira, 07 de junho de 2019, na Câmara Municipal de Santo André.

Os vereadores andreenses Pedrinho Botaro, presidente da casa, e Fábio Lopes, receberam seis vereadores de três cidades da região: os vereadores de Ribeirão Pires, Rogério Paulo Luiz e Silvino Castro Dias; de Mauá, os vereadores Adelto Damasceno Gomes (Adelto Cachorrão) e Thiago Bernardo da Silva; e os vereadores Ricardo Andrejuk e Edison Roberto Parra vieram representar a cidade de São Caetano do Sul.

Os vereadores de Diadema Antônio Marcos Zaros e Sérgio Ramos da Silva que também fazem parte da comissão foram convocados, mas não compareceram ao encontro, assim como os representantes de Rio Grande da Serra, Cláudio Xavier Monteiro e Jonathan Amora.

Em nota, a câmara de Santo André, diz que se trata de uma “frente parlamentar” para que seja mantido o projeto original para a linha 18.

“A reunião realizada na manhã de hoje [sexta-feira] foi à primeira da “Frente Parlamentar” capitaneada pela Câmara Municipal de Santo André que esta se mobilizando para viabilizar a manutenção do projeto original da linha 18-bronze do metrô que atenderia a região do ABC.

Entre os pontos levantados no encontro os parlamentares sugeriram buscar apoio na ALESP junto aos Deputados Estaduais com grande representatividade na região e posteriormente levar à comissão a sede do Governo do Estado.”

 “A nossa região precisa voltar a ser protagonista, viabilizar o metrô para o Grande ABC significa avanço, emprego e renda”, pontuou o chefe do legislativo andreense, vereador Pedrinho Botaro, em nota, apesar de o monotrilho do ABC não ser metrô, tendo capacidade e velocidade menores que um sistema de alta demanda.

Já ao jornalista Leandro Amaral, do Repórter Diário, o vereador Edison Roberto Parra disse que as discussões vão levar em conta as possibilidades de modais disponíveis, como o BRT (corredores de ônibus rápidos) e VLT – Veículo Leve sobre Trilhos.

“Que modal queremos para a nossa região? Se é monotrilho, BRT … Essa é a pauta e nós vãos trabalhar com ela. Teremos uma reunião na quarta-feira que vem [12 de junho] para avançarmos na discussão técnica, para analisarmos a melhor viabilidade: a solução para hoje, para daqui a 10 anos, daqui a 20 anos, o quanto isso custa e o que é melhor para nossa região. Já passou da hora de nós batalhamos por uma solução e buscar uma efetivação destas ideais.”

Este segundo encontro da comissão dos vereadores sobre a linha 18 foi marcada para a próxima quarta-feira, 12 de junho, no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC às 10h com o intuito de estudar a viabilidade do projeto.

Nesta semana, como mostrou o Diário do Transporte, o Governo Federal sinalizou que vai apoiar, inclusive com financiamentos, a construção da linha 18 Bronze, independentemente de qual for o modal escolhido pela gestão do Governador João Doria.

O secretário Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos, Jean Carlo Pejo, esteve no ABC na quarta-feira, 05 de junho de 2019, e conversou com prefeitos da região que apresentaram planos para a área de transportes.

“Nós não temos nenhuma ingerência sobre a questão técnica que está sendo discutida pelo Estado sobre qual o modal que vai ser adotado. Pelas demandas daqui da região, seja modelo de monotrilho, seja modelo de VLT – Veículo Leve sobre Trilhos ou modelo de BRT (ônibus de trânsito rápido), está sendo estudado pelo Governo do Estado. Nós estaremos ouvindo as necessidades que o Governo do Estado tem e avaliar a melhor solução para o cidadão”.   – declarou Pejo em entrevista da qual participou o Diário do Transporte.

 

MONOTRILHO:

A Linha 18-Bronze foi projetada inicialmente para ser um sistema de monotrilho, que deveria estar pronto entre o final de 2015 e o início de 2016. O projeto chegou ao quinto aditivo e ainda não há definição sobre o início das obras e a assinatura do sexto.

O maior obstáculo é o financiamento das desapropriações para a implantação dos elevados para os trens com pneus e as estações. Nas contas do Governo do Estado de São Paulo, estas desapropriações devem custar aos cofres públicos em torno de R$ 600 milhões.

Em 2014, o monotrilho da linha 18-Bronze tinha uma previsão de consumir R$ 4,69 bilhões (R$ 4.699.274.000,00) para ficar pronto. O valor, de acordo com a atualização do orçamento pelo Governo do Estado, pulou para R$ 5,74 bilhões (R$ 5.741.542.942,61), elevação de 22,18%.

Os dados são da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos e foram obtidos pela reportagem do Diário do Transporte por meio de Lei de Acesso à Informação no início do ano.

Isso significa que cada quilômetro do monotrilho do ABC custaria, se saísse hoje do papel, R$ 365,7 milhões (R$ 365.703.372,14) – sem as correções entre janeiro e junho.

A demanda projetada pelo Governo do Estado para o monotrilho com toda a extensão concluída é de em torno de 340 mil passageiros por dia.

No dia 8 de abril, durante inauguração da estação Campo Belo da Linha 5 Lilás do Metrô, o governador João Doria e secretário de transportes metropolitanos, Alexandre Baldy, disseram que o modelo proposto para a linha 18 seria mudado. Doria também afirmou na ocasião que o modelo pensado para a linha “foi um erro”

Importante registrar que nós vamos modificar esse formato. Houve um erro, a nosso ver, do governo que nos antecedeu, mas ao invés de ficar aqui apenas culpando o passado, vamos tratar de encontrar soluções para o presente e o futuro. Nós teremos um outro formato que não vai exigir 600 milhões de reais de pagamento de indenizações por desapropriações, até porque isso é inviável, nós não temos recursos no orçamento para essa finalidade. Então esse planejamento que o secretário Baldy tem conduzido será apresentado em breve, para que a nova solução a ser apresentada ela seja conclusiva, e não uma opção inviável e que gere apenas expectativas e não fatos reais e concretos”, concluiu Doria na oportunidade, sem, no entanto, falar em troca de modal. – Relembre:

No dia 25 de fevereiro, o presidente do Consórcio VemABC – Vidas em Movimento, Maciel Paiva, que ganhou a licitação para o monotrilho, disse que já foram gastos R$ 5 milhões pelas empresas, antes mesmo do início da vigência do contrato da PPP – Parceria Público Privada de construção e operação do modal, para adiantar ações como levantamento das áreas a serem desapropriadas e os procedimentos necessários para posteriormente obter a licença ambiental.

O Consórcio não descarta ir à Justiça contra o Governo do Estado se houver mudança de modal.

O cronograma de licitação do monotrilho foi o seguinte, de acordo com o Governo do Estado e apresentação do VemABC:

Abertura dos envelopes: 03 de julho de 2014.

– Assinatura do Contrato com o VemABC: 22 de agosto de 2014

– 1º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 22 de agosto de 2015; válido até 22 de fevereiro de 2016

– 2º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 29 de agosto de 2016; válido até 22 de novembro de 2016

– 3º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 24 de novembro de 2016; válido até 22 de maio de 2017

– 4º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): 18 de julho 2017; válido até 22 de novembro de 2017

– 5º Aditivo Contratual (prorrogação da etapa preliminar): novembro de 2017; válido até 22 de novembro de 2018

O Consórcio VemABC tem a seguinte estrutura acionária: 55% Primav Construções e Comércio S/A (sendo que o grupo italiano Gavio tem 69% e o Grupo CCR responde por 31%), 22% da Construtora Cowan S.A., 22% do Grupo Encalso Damha e 1% do Grupo Roggio, argentino.

 

Fonte: Diário do Transporte

Data: 08/06/2019