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ANTT projeta maior ciclo ferroviário da história do Brasil, com 8 leilões e R$ 656 bilhões em investimentos

14.05.2026 | | Notícias do Mercado

Fonte: Tecnologística
Data: 12/05/2026

Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresentou uma projeção para oito novos leilões de ferrovias e a maior carteira de projetos ferroviários já estruturada no Brasil pelo Ministério dos Transportes, com até R$ 656 bilhões em investimentos mobilizados para o setor. O anúncio aconteceu na última terça-feira (06/05), durante o 1º Fórum Ferroviário de Minas Gerais, realizado na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte (MG).

diretor da ANTT, Alessandro Baumgartner, apresentou os pilares da primeira Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, iniciativa liderada pelo Ministério dos Transportes e detalhada no evento pela ANTT como parte da nova estratégia nacional para o setor. “A logística é a base de tudo. Sem infraestrutura, não há escoamento da produção. E Minas Gerais hoje é um eixo estratégico dessa transformação nacional”, afirmou.

Oito novos leilões ferroviários

A carteira apresentada e detalhada durante o evento prevê oito grandes leilões ferroviários, com cerca de R$ 140 bilhões em investimentos diretos na malha e impacto sistêmico que pode superar R$ 600 bilhões no setor, conforme o planejamento do Ministério dos Transportes. Entre os projetos estratégicos estão a Ferrogrão, o Corredor Leste-Oeste, o Corredor Minas-Rio, a Malha Oeste e o Anel Ferroviário do Sudeste.

Também fazem parte desse portfólio a expansão da Ferrovia Norte-Sul em direção ao Norte do país, além dos corredores Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul. Paralelamente, a ANTT avança na estruturação de uma política voltada ao transporte ferroviário de passageiros, em consonância com as diretrizes federais.

Mudança estrutural nas concessões do transporte ferroviário

O plano do governo federal é fazer uma mudança estrutural na forma de planejar e viabilizar ferrovias no Brasil. A nova política nacional estabelece parâmetros mais modernos para concessões ferroviárias, com modelagens adaptadas às características de cada projeto, contratos mais equilibrados e mecanismos inéditos para garantir viabilidade econômica.

Nesse novo desenho, a modelagem econômico-financeira passa a ser customizada, especialmente para projetos com curva de investimento intensa, enquanto a matriz de riscos ganha maior clareza, com definição objetiva das responsabilidades entre poder concedente e concessionárias.

O modelo também incorpora instrumentos modernos de mitigação de riscos construtivos, ambientais, geológicos e relacionados a desapropriações, além de ampliar a transparência contábil e fortalecer a governança sob fiscalização da ANTT.

Entre as inovações, destaca-se o uso do Viability Gap Funding (VGF), mecanismo previsto na modelagem federal que permite aportes para cobrir lacunas de viabilidade econômica, viabilizando projetos complexos sem caracterizar despesa pública continuada.

A estrutura também prevê o uso de contas vinculadas, com liberação de recursos condicionada à execução de investimentos, participação da União para equilíbrio econômico dos contratos, emissão de debêntures incentivadas e possibilidade de receitas acessórias, como exploração imobiliária ao longo dos corredores ferroviários.

Impacto na cadeia logística

Para o governo federal, o impacto das iniciativas é direto na vida das pessoas. De acordo com a ANTT, um único trem pode substituir entre 800 e 900 caminhões nas rodovias, reduzindo acidentes, congestionamentos e o desgaste da infraestrutura rodoviária. Ao mesmo tempo, o transporte ferroviário pode custar até metade do frete rodoviário, contribuindo para a redução do preço final dos produtos e aumentando a competitividade da economia brasileira.

A nova política ferroviária também incorpora diretrizes avançadas de sustentabilidade e responsabilidade social. O poder público passa a assumir etapas críticas, como a obtenção da licença ambiental prévia, reduzindo riscos, aumentando a segurança jurídica e acelerando a execução dos projetos. Os contratos seguem parâmetros alinhados às práticas ESG e permitem a emissão de instrumentos financeiros voltados à infraestrutura sustentável.

Além disso, a modelagem abre espaço para maior interoperabilidade ferroviária, uso de material rodante de terceiros e ampliação da eficiência operacional do sistema.

Minas Gerais no centro da estratégia

A carteira de projetos histórica prevê um pacote de R$ 38 bilhões em investimentos somente para o estado de Minas Gerais nos próximos 30 anos. Com cerca de 5 mil quilômetros de malha, o estado abriga o equivalente a aproximadamente 17% da rede ferroviária nacional, e concentra projetos estratégicos.

Durante o evento, o presidente em exercício da FIEMG, Emir Cadar Filho, destacou que Minas Gerais vive um momento decisivo, com potencial para liderar esse novo ciclo ferroviário.

Entre os destaques está o avanço do corredor Minas-Rio, que amplia a conexão com portos, diversifica a matriz logística e reduz a dependência do transporte concentrado em minério de ferro.